Astronauta nunca esteve tão perto de descobrir onde está. E o mesmo acontece com os pais de Isabel. Só que Danilo Beyruth insere nessa equação uma terceira – e maligna – versão do personagem criado por Mauricio de Sousa. Agora, a volta de cada um à sua realidade é não só uma corrida contra o tempo, mas também contra o(s) espaço(s).
Este é o quinto volume da versão Graphic MSP do personagem Astronauta reimaginado por Mauricio de Sousa. Contudo, esse é o primeiro volume em que a história não tem começo, meio e fim. Isso porque o começo da história estava na quarta edição e o final da história estará na sexta edição. Dessa forma, o quinto volume de Astronauta, intitulado Parallax, funciona, desta vez, como um intermediário ao que está sendo trabalhado na trama. Esta nova trilogia do Astronauta funciona então como funcionam, por exemplo, as trilogias de filmes, como Star Wars ou Senhor dos Anéis. Por outro lado, difere de como as Graphic MSPs vinham sento trabalhadas até então, com histórias autocontidas. Isso pode ser bom ou pode ser ruim, dependendo do gosto do leitor de ler histórias seriadas ou não, mas que com certeza vai forçar uma compra que não estava planejada ara saber o desfecho da série. Do ponto de vista mercadológico, pode ser que seja um ponto acertado. Do ponto de vista narrativo, tendo em vista que destoa do funcionamento das demais Graphic MSPs, isso pode afastar o leitor, porque vai se deparar com uma história incompleta.
Desde o #3 (Assimetria), cada volume tem acabado com coisas em aberto pro próximo, mas ainda contando uma história com começo, meio e fim. Achei que esse quebrou essa linha, sendo só um capítulo de uma história maior, dependendo de conhecimento do que aconteceu nos anteriores (particularmente Assimetria) e não tendo nenhuma conclusão, com a história sem começo e, mais importante, sem final.
Eu estou gostando da série como um todo (não consigo pensar em outra série de ficção científica brasileira num estilo parecido), e esse juntou coisas dos outros quatro volumes (principalmente do Assimetria, meu preferido até agora) fazendo parecer que o arco maior está chegando perto de uma conclusão.
Talvez eu mude pra 4 estrelas quando o próximo sair. .
Porém, dado o formato em que só sai um capítulo a cada dois anos (e o estilo de todas as outras Graphic MSP), achei que a falta de conclusão afetou bastante..
É um pouco dificil de dar uma nota para este livro, pois... bem, ele é um pouco único, em toda esta coleção. Parallax continua a história a partir do gancho deixado pelo último Astronauta, e trabalha em cima do estado em que os mundos foram deixados. Aqui, acompanhamos três versões diferentes do Astronauta.
Pois bem. A série do Astronauta começou, a alguns livros, a deixar ganchos entre uma história e outra. Isso não é diferente aqui, porém... faltou um climax para a história. Aqui temos apenas o desenvolvimento, com o início sendo contado no livro anterior, e um fim que serve como uma espécia de climax, mas sem conclusão. Apenas um gancho.
Não é uma história ruim, muito pelo contrário, mantém a ótima qualidade da série. O único problema é que... falta uma narrativa completa. Falta fechar um arco. A não ser que a próxima história já esteja escrita e pronta a ser lançada, agora ficaremos um tempo considerável esperando uma conclusão para uma história que apenas começou a ser contada aqui.
A continuação perfeita para o grande arco aberto em "Astronauta - Assimetria", se em "Astronauta - Entropia" vimos uma história mais contida a um problema externo ao personagem do Astronauta, em "Parallax" vemos um roteiro de proporções galácticas que não perdem o personagem de vista em momento nenhum. Eu sempre falava que tinha ficado meio para baixo com "Entropia", porque tinha ficado com a sensação de que estava passando por momentos da história do Astronauta que não seriam tão... digamos... importantes para o escopo maior. Mas Parallax redimiu isso, se comparando com a grandeza de 'Astronauta - Singularidade', o intimismo de 'Astronauta - Magnetar' e a brilhante narrativa de 'Astronauta - Assimetria'. A sensação é de que Astronauta está recebendo o tratamento que merece: Uma história que da a sensação de proporção, de escala imensurável, de grandeza cósmica.
Finalmente, uma sequência tão boa quanto Magnetar. Do segundo ao quarto volume das aventuras de Astronauta, nenhuma história parecia tão interessante e reflexiva quanto a HQ inicial. Parallax não chega nem perto de ser reflexiva, mas compensa isso sendo bastante empolgante. E fez isso da melhor forma possível: aproveitando-se de vários elementos deixados previamente preparados nas edições anteriores para convergi-los ao melhor estilo de space opera conjugado com realidades paralelas. Com isso, Beyruth chegou ao aproveitamento máximo de enredos que antes me pareceram fracos demais como acontecimentos episódicos e mal posso esperar pelo desfecho dessa aventura épica.
Parallax é ficção-científica de primeira. O melhor e o pior é que a história não tem final e teremos que esperar alguns meses (?) para a conclusão do arco. Outra coisa muito legal é que o universo das histórias do Astronauta é o mesmo do das histórias do Capitão Feio - outro personagem muito bem adaptado para a versão MSP.
Impressionante como a cada volume o Danilo se aprofunda na história, mostrando como tudo tá entrelaçado e foi pensado a muito tempo. A menção a um golpe militar dá aquele beliscão de podi estar acontecendo pq né, sabemos nossa situação atual