Talvez por culpa da mãe, Cândida Patrício, o jovem Manoel Caroça fez-se um sonhador. A pesada e granítica cidade da Guarda já não lhe bastava, nem o vale rochoso onde o pai imperava. Queria conhecer mundo. E o mundo era Lisboa, era Paris, eram as Colónias onde enriqueciam os portugueses... O Bisavô é a biografia romanceada de Manoel Caroça, o bisavô da autora. Através dele acompanhamos a saga de três gerações de uma família beirã, desde o fim do século xix até às vésperas da Guerra Civil Espanhola. Anos abalados pela queda da Monarquia, pela Grande Guerra, pela devastação da tuberculose e da pneumónica, pela grande depressão. História até hoje inédita, surge agora rigorosamente reconstruída graças às memórias ainda vívidas de uma descendência vasta, bem como às cartas, retratos e documentos desenterrados dos baús que foram sobrevivendo aos sótãos por onde passaram... E ironicamente, ao escrever a sua obra mais íntima até à data, a autora de Marquesa de Alorna oferece-nos um impressionante fresco do nosso país - a saga desta família é o retrato de Portugal.
Maria João Lopo de Carvalho nasceu em 1962 e licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Nova de Lisboa. Professora de Português e de Inglês no ensino público e privado, representante em Portugal dos colégios ingleses Pilgrims, fundou e dirigiu a Know How, Sociedade de Ensino de Línguas e a Know How, Edições Produções e Publicidade destinada à tradução e à criação de livros personalizados para crianças e à conceção anual do Guia da Criança. Publicou o primeiro romance, o best-seller Virada do Avesso, em 2000 e Acidentes de Percurso, em 2001. Divorciada, mãe de dois filhos, fala e escreve pelos cotovelos e tem sempre tempo para tudo, sobretudo para os amigos.
“O Bisavô” que dá título a este livro é precisamente o bisavô de Maria João Lopo de Carvalho. Nestas (muitas) páginas, a autora conta-nos a história da sua família. E que história! Cheia de peripécias, de aventureiros e de pessoas muito particulares. A forma fluída como Maria João escreve, acaba por tornar o livro numa delícia de ler!
“A sua história não seria melhor nem pior do que outras histórias, e cada família tinha a sua, talvez até mais interessantes, mas quando partisse, de lá do alto, ou das profundezas da terra onde ficasse para a eternidade, haveria de mexer os cordelinhos para que a família não o deixasse morrer. O que diriam dele?”
Manoel Caroça, homem carismático e aventureiro, desde novo se tornou numa das figuras centrais da sua família. Entre gerações criam-se laços, constroem-se vidas com motivações diferentes e vivem-se peripécias, num universo também permitido a excentricidades. Apesar de extenso e abordar temas que fizeram parte da nossa história, é um livro de escrita fluida que me proporcionou uma excelente leitura, divertida!
Biografia romanceada do bisavô da autora, (que se cruza com a história da minha família) , o livro vale a pena também para quem não conhece nada sobre os protagonistas. Numa viagem no tempo até Lisboa e à Guarda do final dos séc. XIX, início do séc. XX, a autora dá vida e densidade aos nomes da árvore genealógica, abrangendo os negócios, as relações familiares, boémias e estudos, em capítulos curtos, com ritmo, com histórias bem humoradas e curiosidades.
Maria João Lopo de Carvalho presta homenagem aos seus antepassados - em especial o bisavô Manoel Caroça - nesta biografia romanceada, que acompanha importantes momentos da História de Portugal, desde o Ultimato Inglês, ao Regicídio, da Implantação da República à subida de Salazar ao poder.
Apesar de ter mais de 750 páginas, este livro deixou-me com a sensação de vazio. A impressão que fica é que a autora fez um trabalho exaustivo de recolha de informação sobre a sua família e depois construiu episódios à volta dos dados, entrelaçando-os com momentos conhecidos da História. O resultado? Uma narrativa “aos soluços”, sem grande suspense, intriga, nem envolvimento com as personagens.
As famílias Caroça e Patrício podem ser bastante interessantes para a autora, mas esse interesse não foi transposto para a narrativa. Temos o dia-a-dia de duas famílias “de bem”, que nunca viveram a miséria da maioria dos portugueses e, como tal, acabam por ser fúteis nas suas festas e luxos elitistas.
A escrita é apelativa, os capítulos curtos, mas o enredo não resultou.
Apesar do número elevado de páginas, é um livro que se lê muito facilmente. Acompanhamos a história do Bisavô da autora, da sua família burguesa e também a História de Portugal desde o final do século XIX até aos anos 30. O facto de ser uma biografia baseada em factos e episódios reais só torna o livro ainda mais interessante (às vezes a realidade supera a ficção! ).
Descobri este livro por acaso, após ler que a família da autora estava relacionada com o palácio da Rua da Junqueira, que sempre admirei e me questionei qual seria a sua história para estar, actualmente, abandonado. Com o início do século XX como pano de fundo, a história tem um contexto histórico e social muito interessante, tocando no percurso de algumas figuras e acontecimentos marcantes em Portugal e no mundo. No entanto, tive muita dificuldade em criar empatia com o "bisavô", a personagem principal, e portanto dificuldade em avançar na leitura. Achei ligeiramente presunçoso...
Uma incrível História (com maiúscula porque não é só de estórias que se trata...) de família que nos transporta ao Portugal do fim do século XIX e primeira metade do XX. Impossível não nos deixarmos envolver por esta família e por Manuel Caroça, figura central e, de facto, personagem incrível através da qual fazemos esta viagem no tempo. Para quem gosta de estórias de famílias, eis um excelente livro, como, aliás, a autora já nos habituou.
Fui surpreendida, o que adoro, quando é pela positiva. Romance histórico, para quem estudou um pouco é sinônimo de detalhes e minúcias sobre personagens que tiveram relevância no tempo e no lugar. Ora, dependendo de como a recriação é feita pode ser fascinante ou maçante. 😁
A endiabrada narrativa carregada de termos irreverentes e muito nossos, com personagens vibrantes, prova que Maria João Lopo de Carvalho para além de uma ótima investigadora é uma sagaz contadora de histórias. E pensar que esta viagem começou com um envelope vazio endereçado à Bisneta. O resto é Manoel Caroça que faz. Visionário e destemido consegue assegurar o futuro e garantir uma história de vida fascinante que a bisneta soube contar.
As notas de rodapé fundamentam com factos históricos os dados da narrativa. Uma mais valia para este romance fluído.
Uma viagem pelo pedido entre os finais do séc. XIX até meados do séc. XX, onde encontramos um conjunto de personagens extraordinários da ciência, cultura, política e de negocios como Egas Moniz, Thomaz de Mello Breyner, Francisco Balsemão (avô do actual}, Beatriz Ângelo, Domitiíia de Carvalho, Alfredo da Silva, Miguel Bombarda, Sousa Martins, Lopo de Carvalho, Henry, Burnay, Afonso Costa, Manuel de Arriaga, José Carlos entre muitos outros. Tido isto através da vida apaixonante do personagem principal - Manuel Caroça - bisavô da autora. Personagem que eu desconhecia. Infelizmente, o livro contém alguns erros sintácticos e gramaticais, carecendo de uma revisão mais cuidada. É ainda algumas relações familiares que me levantam alguma desconfiança.
Uma escrita leve e fluída, com capítulos pequenos que tornam muito agradável a leitura das quase 800 páginas que nos contam a história romanceada dos bisavós da autora. Muito interessante a passagem pela história das primeiras décadas do nosso país e do mundo, onde se enterlaça a história pessoal das várias personagens. Especialmente interessante para mim a importante participação da cidade da Guarda, onde vivo, e do seu sanatório, que deu origem ao hospital onde trabalho e que tanto tem ainda do histórico sanatório.
O primeiro livro de 2023, que versa sobre a família ascendente e descendente de Manuel Caroça, começa na Guarda - na Forte, Farta, Fria, Fiel e Formosa Guarda - ainda do século XIX. O homem que será o bisavô da autora, Maria João Lopo de Carvalho, não quer ficar na Guarda, mesmo tendo todas as terras e posses do pai para gerir e gerar mais dinheiro. Manuel Caroça, sem a mínima vocação e depois de muita indecisão, quer ser médico. E sê-lo-à, já em Lisboa. Será mais ainda: médico dentista, depois da especialização em Paris. E daí, vemos um homem que se vai formando à medida que também acompanhamos as transformações do país e do mundo: o Ultimatum Inglês e o mapa cor de rosa, o aumento de vozes republicanas, o casamento do rei D. Carlos, o seu assassinato, a queda da monarquia e declaração da república, a instabilidade dos primeiros governos, o rebentar da I Guerra Mundial, a declaração de guerra da Alemanha a Portugal e a entrada deste na Guerra, os loucos anos 20 (muito subtis e só na capital), a repercussão do crash da Bolsa de Wall Street em Portugal, o aumento dos governos extremistas na Europa, a Guerra Civil Espanhola, Salazar na Pasta das Finanças, o Estado Novo, a !! Guerra Mundial, a exportação de volfrâmio. Manuel Caroça passa, em vida, por todos estes acontecimentos: investe, compra, vende, volta a investir, tem olho e faro para os negócios, sabe fazer dinheiro, sabe acumular riqueza, acaba por seguir os passos do pai comprar comprar comprar. Pelas páginas, vamos conhecendo os seus pais, primos, sobrinhos, tios, filha, netos, sobrinhos-netos. E vamos aprendendo um pouquinho sobre Lopo de Carvalho e a sua luta contra a tuberculose, sobre Katakim e o seu gosto pela escrita e que lhe valeu vários prémios, sobre Egas Moniz e Ricardo Reis, entre outros nomes que reconhecemos ainda hoje. Foi uma bonita e completa homenagem que a bisneta entabulou e que originou este livro. Três gerações de pessoas que, lá de longe, do interior, marcaram um país lá na capital, lá onde a vida acontecia. Recomendo vivamente.
Maria João Lopo de Carvalho centra a história no seu bisavô Manuel Caroça mas é todo o Portugal dos finais do século XIX e início do século XX que nos aparece neste calhamaço de 759 páginas, que se lê no entanto de maneira fácil e corrida. O olhar sobre a sociedade guardense, atrasada e virada para dentro, conservadora e religiosa até ao tutano, convive bem com os lances de arrojo destes guardenses que ousaram ir mais além, afrontando a moral, as autoridades e a família, nomeadamente. O casamento, instituição estruturante, não fica bem na fotografia mas isso... O livro permite também o contacto com o progresso das ideias republicanas, o emergir de figuras notáveis como Afonso Costa e Lopo de Carvalho e outras. Quem é da Guarda gostará mais, porque reconhece as figuras da toponímia e a criação de instituições, como o Sanatório Sousa Martins. Mas os outros leitores vão de certeza gostar.
Apesar do seu tamanho, este livro foi bastante fácil de ler, em parte devido à escrita limpa e cativante da autora, e em parte devido às personagens igualmente cativantes e bem desenvolvidas/construídas durante a trama, em especial os quatro bisavós.
Por ser um livro muito grande, também já esperava que houvesse algumas partes menos interessantes ou pouco necessárias à trama, contudo não foi nada que prejudicasse a minha leitura.
O ponto alto deste livro, para mim, foi o relembrar/aprender mais sobre a história de Portugal entre 1890 e 1930, os grandes acontecimentos que marcaram a história do nosso país - como o Ultimato Inglês, o regicídio e a ascensão de Salazar ao poder.
Que livro espetacular! Apesar de extenso, a leitura flui de forma surpreendentemente leve e envolvente. A escrita da autora é clara e os capítulos curtos ajudam a manter um ótimo ritmo, tornando impossível largar o livro. Adorei acompanhar a trajetória de Manoel Caroça, um homem forte, determinado e com uma inteligência notável para os negócios. É uma personagem que fica na memória, pela sua força de caráter e pela forma como enfrenta cada desafio. Outro ponto que me encantou foi a descrição dos lugares onde a história se desenrola, ainda mais por serem lugares que conheço bem. Sem dúvida, foi uma leitura marcante. Já fiquei com vontade de explorar mais obras desta autora!
A História de uma família encanto a história de Portugal, e do mundo, muda e avança. Leitura muito interessante por isso mesmo. A nível da história do protagonista principal, esperava mais desenvolvimento da sua época como "colecionar de palácios". Desenrolar da história acaba por ser demasiado rápido no final do livro, em comparação com outros episódios (épocas) do livro. Um fantástico livro, grande mas que os pequenos capítulos o tornam de fácil e leve leitura.
Embora acompanhando, basicamente, famílias com posses financeiras no nosso país, não deixa de ser uma viagem fascinante pela nossa história desde os finais do século XIX até meados do século XX. Muito bem escrito e descrito e com uma excelente dinâmica, prende a atenção desde o início até ao final. Descrições muito bem feitas do nosso país (Lisboa e não só) de há mais de cem anos atrás
Durante o livro tive muita dificuldade em empatizar com alguma das personagens,talvez por isso não seja dos meus favoritos. Ainda assim uma história de família e de Portugal, que é sempre bom conhecer.
É um romance historico verdaderamente excelente e ao mesmo tempo um passeio pela historia de Portugal.O livro tem alguma semelhança com o famoso livro na Literatura polaca de "As noites e dias " de Ana Dabrowska,mais a sua lectura é muito mais absorvente.
Adorei ! Adorei a escrita, que me fez logo a seguir querer ler mais da Autora, adorei como me fez mergulhar na história na época .... fez me sentir, que eu própria fazia parte dela .
Uma saga familiar muito bem contada. Gostei muito e só tenho pena que não tivesse continuado. Tenho a certeza que a família teria ainda muitas mais peripécias para contar ao longo do século XX.