RECORDAÇÕES O ESCRIVÃO ISAÍAS CAMINHA é o primeiro romance do escritor brasileiro Lima Barreto. Com sua escrita clara, concisa e despojada, Lima Barreto narra as memórias de Isaías Caminha. Filho de uma humilde mulata, Isaías foi um menino muito inteligente e ótimo estudante; e, sonhando ser doutor, aos dezoito anos segue para o Rio de Janeiro, onde se depara com um mundo de aparência, hipocrisia e desonestidade.
TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA é um romance do pré-modernismo brasileiro e considerado por alguns o principal representante desse movimento. Narra a trajetória de Policarpo Quaresma, um patriota ímpar, que causa estranheza nas pessoas pelos seus ideais e coragem. O livro é dividido em três partes.
VIDA E MORTE DE M. J. GONZAGA DE SÁ foi publicado originalmente em 1919, Lima Barreto faz um retrato do burocrata e intelectual Gonzaga de Sá a partir dos olhos de Machado, seu jovem colega de repartição. O livro retrata também a vida nos subúrbios cariocas e faz críticas à política da época, como à do Barão do Rio Branco.
Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu em 1881 na cidade do Rio de Janeiro. Enfrentou o preconceito por ser mestiço durante a vida. Ficou órfão aos sete anos de idade de mãe e, algum tempo depois, seu pai foi trabalhar como almoxarife em um asilo de loucos chamado Colônia de Alienados da Ilha do Governador.
Concluiu o curso secundário na Escola Politécnica, contudo, teve que abandonar a faculdade de Engenharia, pois seu pai havia sido internado, vítima de loucura, e o autor foi obrigado a arcar com as despesas de casa.
Como leu bastante após a conclusão do segundo grau, sua produção textual era de excelente qualidade, foi então que iniciou sua atividade como jornalista, sendo colaborador da imprensa. Contribuiu para as principais revistas de sua época: Brás Cubas, Fon-Fon, Careta, etc. No entanto, o que o sustentava era o emprego como escrevente na Secretaria de Guerra, onde aposentaria em 1918.
Não foi reconhecido na literatura de sua época, apenas após sua morte. Viveu uma vida boêmia, solitária e entregue à bebida. Quando tornou-se alcoólatra, foi internado duas vezes na Colônia de Alienados na Praia Vermelha, em razão das alucinações que sofria durante seus estados de embriaguez.
Lima Barreto fez de suas experiências pessoais canais de temáticas para seus livros. Em seus livros denunciou a desigualdade social, como em Clara dos Anjos; o racismo sofrido pelos negros e mestiços e também as decisões políticas quanto à Primeira República. Além disso, revelou seus sentimentos quanto ao que sofreu durante suas internações no Hospício Nacional em seu livro O cemitério dos vivos.
Sua principal obra foi Triste fim de Policarpo Quaresma, no qual relata a vida de um funcionário público, nacionalista fanático, representado pela figura de Policarpo Quaresma. Dentre os desejos absurdos desta personagem está o de resolver os problemas do país e o de oficializar o tupi como língua brasileira.
"se (as vendas do jornal) descaiam um pouco, logo procurava um escândalo, uma denuncia, um barulho, em falta de artigo violento fosse contra quem fosse."
"A população é que vivia inquieta, ora pendendo para aqui, ora para ali, mas sempre, tendo em vista a opinião d'O Globo."
"Mais tarde, entretanto, verifiquei que a crença de que o governo pretendia operar violentamente os homens e mulheres de pés grandes, como os chinas, é que tinha impressionado fortemente os espíritos levando-os ao sangrento motim que estalou."
Triste fim de Policarpo Quaresma: 4,5/5
"Como é que o povo não guardava as tradições de trinta anos passados? Com que rapidez morriam assim na sua lembrança os seus folgares e as suas canções?"
"... porém, se mais vagarosamente de examinassem os seus hábitos, gestos e atitudes logo se havia de ver que o sossego e a placidez não moravam no seu pensamento"
"O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não. Lembrou-se das suas coisas de tupi, do folclore, das suas tentativas agrícolas... Restava disso tudo em sua alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma!"
Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá: 4/5
"-Se eu pudesse, se me fosse dado ter o dom completo de escritor, eu havia de ser assim um Rousseau, ao meu jeito, pregando à massa um ideal de vigor, de violência, de força, de coragem calculada, que lhes corrigisse a bondade e doçura deprimente"
"Vocês arranjaram novos dominadores, com os quais vocês não se poderão entender nunca; e expulsaram os antigos com os quais, certamente, se viriam a entender um dia. Erraram, e profundamente."
"Já tiveste algum amor? É preciso tê-lo... Tenho dito sempre que os antigos afirmavam que Vênus é uma deusa vingativa... Não perdoa e tu sofrerá se não lhe prestares culto."
This entire review has been hidden because of spoilers.
Recordações do escrição Isaías Caminhas ⭐⭐⭐⭐ É uma narrativa gostosa de ler, porém uma história um tanto triste, que retrata bem como a cultura brasileira se porta diante das pessoas que genuinamente querem se dedicar à vida intelectual. Uma história que toda pessoa estudiosa deveria ler, para aumentar sua própria resiliência. No mais, ler tais recordações é saber mais sobre a hipocrisia, sobre o egoísmo, sobre como funciona a política e principalmente como funciona a mídia.
Triste fim de Policarpo Quaresma ⭐⭐⭐⭐⭐ Destes três, é o melhor. Policarpo é a personificação de uma pessoa com valores e princípios, e que se dedica firmemente a eles. É uma história com diversas nuances, que começa proporcionando diversas gargalhadas por conta da tamanha peculiaridade de Quaresma, que se isolou da sociedade, almejando mudá-la, alterá-la para melhor, mas com esse isolamento ele perde a capacidade de compreendê-la. A parte cômica vai chegando ao fim à medida que ele sente na pele os efeitos desse isolamento e de suas tentativas frustradas de reformar a cultura bradileira, daí começam os diversos conflitos e cenas angustiantes. Policarpo Quaresma é um homem incompreendido, que reflete profundamente e expõe todos os seus sentimentos íntimos através de suas ações. Seu fim, de fato, é triste. Mas sua vida foi genuína, foi verdadeira, sincera e real.
Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá ⭐⭐⭐ A história que menos gostei. É interessante, até. Entretanto senti que a narrativa não fluiu muito bem. Algumas pontas ficaram soltas. Uma história mediana. Mas que ainda assim retrata alguns aspectos da vida cotidiana do funcionalismo público brasileiro, motivo pelo qual vale a pena ser lida.