Amadurecer é uma droga. De repente, vemos a aproximação da vida adulta e, com ela, das inevitáveis obrigações. Como, de um dia para o outro, temos que decidir qual faculdade queremos cursar, onde queremos trabalhar e como será o nosso futuro? E por que parece que algumas pessoas têm tanta facilidade em tomar essas decisões? Esses são os questionamentos de Olívia ao se ver obrigada a se inscrever em um vestibular para um curso que nem queria fazer. Como se não bastasse, seu pai, que a abandonou quando ainda era pequena, agora deseja uma chance de mostrar que mudou e que merece sua confiança. Em meio aos acordes das músicas de seu grupo preferido, às discussões com a mãe, às dúvidas em relação ao pai e ao que fazer da vida, uma não tão inesperada viagem fará com que Olívia descubra mais sobre si do que imaginava.
Ouço falar dos livros da Lola Salgado há bastante tempo. Por algum motivo, nunca achei que fosse o meu tipo de leitura. Eu não poderia estar mais enganado!
Peguei esse livro em meio a um desafio que fiz comigo mesmo: eu leria o primeiro capítulo ou as primeiras páginas de vários livros, e escolheria aquele que mais fizesse sentido no meu momento. Nesse caso, o primeiro capítulo me arrancou boas risadas e me lembrou das histórias do Vitor Martins. Para quem estava passando por um período pesado emocionalmente... foi a decisão perfeita!
Essa é a história de Olívia. Ela acabou de contar para a família que não passou no vestibular, que nem curte tanto assim arquitetura e que ela tem pensado em conhecer seu pai, em outra cidade, pela primeira vez. Para alguém que está se descobrindo e acabou de sair do colégio, é bastante coisa. O resultado foi o esperado: sua mãe não gostou nada, e a sua avó incentivou, apesar de se preocupar também.
Em Curitiba, a garota conhece Ravi, um garoto pelo qual ela se encanta. Ele gosta de usar maquiagens e esmalte e está sempre atrasado. Com seu jeito brincalhão e direto, conquista a Olívia. A questão é que ela não tem tanta certeza de que deveria gostar dele... A fama de pegador não causa as melhores das impressões. Mas será que, em meio a tantas aventuras e descobertas, ela não vai mesmo se abrir para um novo amor?
"Quanta coisa pode estar logo ali" é um livro alto astral, bem escrito e bem desenvolvido sobre um momento da vida em que precisamos lidar com sentimentos conflitantes, momentos de crescimento, novos amigos, primeiro emprego e um monte de outras coisas. Tudo isso é tratado do ponto de vista de uma garota negra, o que só enriqueceu a história. A Olívia é tão complexa quanto real: sente raiva, mesmo querendo se abrir mais; tem medo de se permitir ser vulnerável; está apaixonada, mas prefere não lidar com isso agora.
Todos os momentos da personagem foram muito bem retratados. Acho que a Lola conseguiu não apenas explicar porque ela sentia aquilo, mas criar todo um passado que a mostrasse como esse comportamento estava impregnado nela há certo tempo. É quase como se ela tivesse passando por sessões de terapia: ela identifica seus sentimentos, reflete sobre eles e decide fazer algo a respeito. Gostei de ver diversos aspectos de quem ela é e como ela se relaciona com as pessoas sendo representado.
O Ravi também é um personagem que gosto bastante! Não que tivesse a opção de não gostar de um protagonista fofo, um tanto safado, bissexual, descendente de indianos, que vive atrasado e faz de tudo para impressionar. Ele também é bem desenvolvido e mostra que ninguém nunca é uma coisa só. Ele errou no passado e sabe disso, mas foi um erro que revela muito mais sobre ele do que ele mesmo imaginava. Gostei de acompanhar seu crescimento durante a história.
Alguns momentos da história não me agradaram tanto. Acho que o principal deles foi a Olívia ter insistido por tanto tempo que o Ravi era gay só porque o viu com outro garoto. Para mim, estava bem claro desde o começo que ele não era. Além disso, convenhamos, não dava pra esperar que ele fosse hétero a julgar da maneira como ele se veste (ah, a masculinidade tóxica...). Eu sabia que viria um pedido de desculpas, eu sabia que ela ia dizer que pensava assim porque ela era uma garota do interior, eu sabia que ela ia ficar chateada por sequer ter cogitado algo diferente, mas... sabe? Me cansou um pouco ter que lidar com aquilo.
Fora isso, acho que o final poderia ter sido um pouco maior! Não acho que nenhuma ponta ficou solta, mas um epílogo curtinho mostrando as coisas no futuro seria uma boa pedida.
O saldo geral é positivo e estou animado para conhecer mais histórias da Lola :)
(DNF: 8%) Eu já sabia que era um livro jovem, mas quis fazer uma tentativa pra ver se ainda estava na vibe e infelizmente pro meu perfil de leitura atual, é muito difícil me conectar então abandonei.
Esse livro é incrível! Foi uma leitura na qual senti que ia mudando junto com a personagem principal e isso foi maravilhoso demais!
No começo achei um pouco difícil me identificar com a Olívia. Parecia que ela culpava todo mundo ao seu redor pelo que dava errado em sua vida e isso me irritou um pouco, mas, conforme a leitura avançava, eu fui me lembrando de que todos nós passamos por essa fase em algum momento (em vários, na verdade rs), mas que na adolescência isso é ainda pior. Tudo parece ser o fim do mundo e ninguém nasce sabendo que tem que arcar com as consequências dos seus atos, e que isso faz parte do nosso desenvolvimento na vida adulta. A exata etapa da vida em que a Olívia está. E, assim como ela, fui me tornando mais receptiva à história e aos aprendizados que ela traz; e isso não vale só pra quem está saindo da adolescência. As situações nesse livro servem pra vida toda e foi muito bom acompanhar essa transição da Olivia em perceber que nem tudo é preto e branco nas nossas vidas, assim como lembrar de vários momentos em que me vi em algumas situações parecidas com as vivenciadas por ela.
Outro fato importante na história é o relacionamento da Olivia com os pais. Tanto com o pai, que ela está aprendendo a conhecerem depois de 18 anos da ausência dele, quanto com a mãe, com quem ela estava tebdo alguns conflitos no começo da história. Me emocionei em todos os momentos que eles compartilharam e gostei muito da maneira como a Olívia amadureceu com relação aos dois durante o livro.
E quanto a Ravi, só tenho a dizer que estou apaixonada e que Ravióli passou a ser um dos meus ships favoritos da vida! Dá até vontade de escrever umas fanfics desses dois rs
Então, resumindo, crescer é, sem dúvidas, um verdadeiro saco em alguns momentos e muitas vezes a gente se sente apenas como uma criança que tem que pagar boletos rs, mas também tem muita coisa boa em ser adulto, basta a gente estar aberta às possibilidades de tudo que pode estar logo ali. E, cara, tem muita coisa boa mesmo. É sempre bom lembrar disso.
Me poupe. Se poupe. Nos poupe. Talvez esse não tenha sido o livro pra mim, ou se eu tivesse lido enquanto era um pré adolescente angustiado (ao invés de um adulto frustrado) teria um significado bem diferente, porém duvido um pouco. Achei que ao menos o plot da banda estar acabando faria eu me identificar por conta do final de MCR e tantas outras bandas que já amei, mas senti que tudo isso ficou perdido durante a trajetória confusa e chata que foi esse livro. Não consigo deixar de fora o tédio que senti com a protagonista ser uma garota mimada que reclama o tempo todo sendo que consegue tudo de mão beijada, um romance totalmente desinteressante, a briga interminável com o pai que sinceramente: ?, dois capítulos aleatórios com o pov do Ravi (que poderia ter sido muito melhor aproveitado na história, mas acabou que ele apenas tava lá e só isso) que não aderiram em nada, e no final, o que deveria ser uma história com um arco de amadurecimento da personagem com tudo isso de "entrar na vida adulta" nem aconteceu! Ela termina basicamente a mesma que era no início, então qual o sentido? O livro parece um eterno textão de Facebook, extremamente repetitivo (Eu juro que se ela falasse da droga das estrelas do teto do quarto mais uma vez, eu ia rasgar esse livro ao meio) e uma história que vai sumir da minha memória como se nem tivesse existido. Ganhou uma estrela a mais do que merecia só pela autora ser nacional.
muito fofuxo!!! adorei acompanhar o quanto a Óli evoluiu, acompanhar a jornada dela foi muito bonito. um carinho mais especial para o ultimo capítulo que me senti 100% na pele da Ólivia com tudo que ela sentiu durante o festival, nós fangirlies sabemos o quão especial esses momentos são 💜
Caraaa, me identifiquei tanto com a Olívia, principalmente porque ela teve uma situação que é o ponto chave para todos os acontecimentos. Recomendo demais a leitura desse maravilhoso livro!