Este é um livro que fala de pedaços. De filha da minha mãe a mãe de um bebê, de mãe de um bebê a mãe de uma criança, cada vez fica mais e mais visível para mim que a maternidade é um grande elaborar de lutos.
Ou seria a própria vida uma grande elaboração de luto pelo que ela é – o que implica irreversivelmente que ela não seja tudo o que não é, simplesmente porque é o que é e não o que não é.
"O livro de poemas que Ana Suy, mãe, ora publica, é um ato de amor à filha. Seguindo uma necessidade interna (causa do seu desejo), ela manifesta sua urgência em abrir espaços para a menina viver para além do confinamento social de nossos tempos, para além de A corda que sai do útero. Sabe da necessidade de manter a diferença entre a posição de mãe como Outro "que tem", do da mulher como Outro que "não tem". Quer oferecer-lhe a "falta", propulsor do desejo. "Filha, se um dia você ler isso, são sempre os pedacinhos que importam". MALVINE ZALCBERG, psicanalista
"Após reconhecermos a terra na qual A corda que sai do útero fecunda, podemos salientar que Ana caminha neste delicado percurso de nascimentos e lutos. Para tanto, alerta-nos, precisamos escrever com o corpo todo, precisamos dançar o texto, alonga-lo, exauri-lo, chegar ao limite que a respiração nos dá. Limite conturbado quando imerso num mundo marcado pela falta de ar. Sem ar podemos revestir uma estória. Murmuramos, como pela primeira vez, e refazemos a sua existência". LUCIANA K P SALUM, psicanalista
Psicanalista, escritora, professora, psicóloga graduada e pós-graduada pela Pucpr. Doutora em pesquisa e clínica em psicanálise pela Uerj. Mestre em Psicologia Clínica pela Ufpr.
Autora do best seller "A gente mira no amor e acerta na solidão", publicado no Brasil, em Portugal, Argentina, Colômbia e Uruguai pela editora Planeta.
Autora também de “Não pise no meu vazio”, “As cabanas que o amor faz em nós”, “A corda que sai do útero” (editora Planeta) e “Amor, desejo e psicanálise” (editora Juruá).
Coautora do livro "Infamiliar: o que faz família hoje?" (editora Agalma)
Idealizadora e coordenadora dos estudos “Lendo Freud hoje” e “Clube de palavras”.
Apesar de ainda não ser mãe, adquiri este livro por estar em uma super promoção e eu gostar muito de como Ana brinca com as palavras. Não estava com expectativas, pois pensei que não me identificaria com os poemas por não ser um tema que faz parte da minha realidade. Eis que para minha surpresa, devorei o livro em apenas uma noite! Amor é amor, independente de para quem ele esteja sendo direcionado... assim como o medo, a insegurança e a necessidade de renascer em uma nova versão quando a vida muda de trilhos. Minha admiração pela Ana só aumenta!
"... vou te prender no útero da minha casa. Chega de ir embora de mim. Agora vai ficar na amarra. Cansei de esperar o amor amarrar algo. A ponte "des arts" em Paris teve os cadeados dos casais retirados, por risco de queda. Prender pesa mais do que a ponte do amor pode aguentar. Vai ficar nessa casa sem janelas, sem porta, sem saída. Mas como te colocar ali dentro? O que não tem saída não tem entrada."
"... acho que era isso que Freud quis mostrar quando disse que o encontro é sempre um reencontro. Fazer amar e ser amado ser uma coisa só é algo que se vive só depois com muitas sessões de análise e uma boa porção de sorte."
Saindo da maternidade O mundo não é mais o mesmo. Como as mães vivem? Como podemos insistir em ter filhos? Por que a humanidade não para? E tudo se explica com um cheiro."
"...um encontro é sempre um REENCONTRO"
"PAI-LAVRA
...A corda que nos traz à vida rapidamente se transforma em acorda pra vida, em a cor dar para a vida e em acordes para a vida – porque para viver é preciso encontrar um modo de dançar de acordo com a música de cada um."
"... o ser possuída como filha de uma mãe e o desejo escancarado de possuir, através do pronome possessivo “minha”, sempre referendado a uma filha..."
"Para ser mãe é preciso (se deixar) par(t)ir."
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comprei sem pesquisar nada, o título e sinopse me pegaram na curva em uma livraria em salvador e daí o tema me encantou e eu ainda não sabia que se tratava de um livro de poemas - tava esperando por crônicas, estudos, depoimentos pessoais, qualquer coisa. a experiência foi um pouco estragada por essa surpresa e não consegui me envolver muito. é bonito, dá pra ler em uma sentada (dividi em dois dias por pura preguiça), mas tem que ignorar (e muito) as partes bregas e as rimas sem cabimento (que a própria autora ironiza em um dos poemas). vale se quiser uma leitura fácil rápida e bonitinha
se um dia for mãe, quero reler de longe o que menos gostei dos livros dela, mas justamente por não me identificar com a temática mesmo assim, sou encantada pela escrita da Ana, que é uma fofa e pude conhecer hoje na feira do livro 💓