O começo do livro é muito bom, muito gostoso de acompanhar a descrição dos lugares, a trajetória da personagem principal até chegar em Jericoacoara, conhecer as pessoas que serão importantes pra ela. Dá vontade de agendar as próximas férias pra lá na mesma hora.
Mas parece que a história nunca engata naquilo que seria seu grande ápice. O bolo dá uma desandada no último terço do livro, algumas ideias parecem meio abandonadas no decorrer da história pra favorecer um desfecho que fosse mais moralizante, no sentido de ensinar uma grande lição de vida.
Acho que a autora (que é uma querida, tive a oportunidade de ouvi-la em uma leitura e fiquei encantada com a simpatia dela) tem muito potencial, porque a escrita é muito gostosa e o ritmo do livro, curto, é bom. Porém, tive a impressão de estar lendo um catado de fórmulas prontas quando a autora tratava de questões atuais de conflito (como o relacionamento abusivo, o burnout, o assédio moral e sexual dentro da agência). Entendo que é importante trazer isso de forma didática porque não se pode partir da premissa de que todo mundo tem consciência das diversas formas de abuso que existem, mas a minha impressão é de que ficou um tanto saturado e caricato.