Nova edição da primeira obra do autor, originalmente apresentada em 1974 na École Pratique des Hautes Études de Paris e publicada pela primeira vez no Brasil em 1976. Além de reproduzir fatos e documentos de difícil acesso sobre os primórdios da nossa saúde mental, estre livro demonstra, num exercício de “história conceitual”, como as chamadas idéias “científicas” nesse campo são estreitamente dependentes do contexto cultural que as legitima. O autor mostra como os psiquiatras da Liga Brasileira de Higiene Mental criaram doutrinas que, a partir da conceituação de uma suposta “natureza humana”, não passavam de expressões de seus próprios preconceitos ideológicos – racismo, xenofobia, moralismo – e das idéias dominantes em seu tempo. Matéria de reflexão imprescindível para todos os que lidam, na clínica e na teoria, com as questões da saúde mental.
Embora um pouco repetitivo até metade do livro, o autor trouxe muitos fatos históricos que eu desconhecia sobre a história recente do Brasil (1920-1930). Além disso, o capítulo sobre racismo cita uma ideia que eu achei incrível: explicas as atitudes culturais com base am raízes profundas do psiquismo dos indivíduos.
Racismo: medo do estranho. Equivalente cultural: etnocentrismo (minha cultura é a correta, repudiando as outras).
Se o mecanismo de defesa preferido pelos indivíduos é a projeção, quando o outro se torna receptáculo dos nossos medos e traumas, o equivalente cultural seriam as praticas sociais antropoêmicas (exclusão de pessoas não-normais).
Se o mecanismo de defesa preferido pelos indivíduos é a introjeção, identificação com o agressor e internalização do objeto ameaça, então seu equivalente cultural são práticas antropofágicas (absorve e tenta dissolver as características estranhas. Ex: embranquecimento da população)