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Os «pretos do Sado»: História e memória de uma comunidade alentejana de origem africana

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Nos finais do século XIX, José Leite de Vasconcelos registava a presença de uma comunidade de origem africana instalada na região alentejana do Vale do rio Sado. Retomando a questão em 1920, Vasconcelos chamou a atenção para as múltiplas fórmulas que eram utilizadas para designar esses homens e mulheres de pele escura que seriam descendentes de africanos escravos ou livres, ali instalados há séculos, sem que se conhecesse a origem dessa instalação: «Pretos do Sado», «Carapinhas do Sado», «Atravessadiços», «Mulatos do Sado». Constituindo um grupo singular pela sua permanência secular e pela sua especificidade física no espaço alentejano, os «Pretos do Sado» definiam-se igualmente pelo desinteresse da comunidade científica perante a necessidade de esclarecer a sua existência histórica. ¶ Este estudo pretende dar a conhecer a história de homens e de mulheres oriundos do continente africano, trazidos como escravos e que foram instalados durante séculos no território do Vale do Sado, provavelmente a partir de finais do século XV. Mas o espaço temporal deste trabalho estende-se através dos séculos seguintes, procurando nas dinâmicas económicas, sociais e políticas da história de Portugal, os elementos que permitem compreender a sua presença ligada a culturas extensivas como a do arroz a partir do século XVIII e a sua consolidação como comunidade estabelecida, afirmando uma identidade alentejana e portuguesa, que exclui hoje quaisquer marcas culturais significativas de um passado africano.

314 pages, Paperback

Published September 1, 2020

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About the author

Isabel Castro Henriques

19 books10 followers
ISABEL CASTRO HENRIQUES nasceu em Lisboa, a 16 de Junho de 1946. É doutorada em História de África pela Universidade de Paris I – Panthéon-Sorbonne. É Professora Associada com Agregação (aposentada) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Investigadora do CEsA/ISEG-UL (desde 2013).
Coordenou cientificamente o Programa Museológico do Museu da Escravatura em Lagos, no Algarve (2014-2016), e o Programa Museológico do Memorial da Escravatura e do Tráfico Negreiro em Cacheu, na Guiné-Bissau (2015-2016) e é membro do Comité Científico Internacional do Projecto UNESCO "A Rota do Escravo" (Paris).
Das suas diversas publicações, destacamos: A Herança Africana em Portugal (Lisboa, 2009); Os Pilares da Diferença. Relações Portugal-África: séculos XV-XX (Lisboa, 2004); Território e Identidade – A Construção da Angola Colonial (Lisboa, 2004); O Pássaro do Mel. Estudos de História Africana (Lisboa, 2003); São Tomé e Príncipe. A invenção de uma sociedade (Lisboa, 2000); Espaços e Cidades em Moçambique (Lisboa, 1998); A Rota dos Escravos: Angola e rede do comércio negreiro (Lisboa, 1996; com João Medina).

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Profile Image for Raquel.
21 reviews2 followers
April 18, 2021
O conteúdo cumpre o que a capa promete, oferecendo-nos documentação muito interessante sobre a fixação de uma comunidade africana na região do Sado. Livro de leitura muito agradável.
Profile Image for Antonio Coelho.
332 reviews5 followers
July 19, 2025
Este livro conta-nos a história da presença de negros no país e, em particular, na Ribeira do Sado, desde o séc. XV.
Cheio de incertezas dada a ausência de fontes coevas que tratem a questão da escravatura negra de forma consistente, a autora não deixa de fazer extrapolações interessantes bem como tratar os séculos XVIII e XIX com a importância que eles merecem, dado coincidirem com a proibição da escravatura.
Em resumo, é um livro que merece ser lido pelo interesse do tema, mas fica um pouco aquém das expectativas dadas as referidas incertezas bastamente referidas pela autora.
24 reviews
September 12, 2024
Interessante investigação sobre a “colónia” africana constituída nas margens do rio Sado na região de Alcácer do Sal. Estabelece as suas origens no início dos Descobrimentos e o seu progressivo reforço, provavelmente com a abolição do comércio negreiro e a libertação dos escravos no século XVIII. Levanta importantes questões sobre a célebre colonização forçada da região. Bem documentado e escrito.
855 reviews
June 4, 2022
Todos conhecemos ditos sobre as «meninas da Ribeira do Sado» no Alentejo. Neste estudo bem documentado, estuda-se a história de uma comunidade de origens africanas e da sua evolução ao longo tempo. O silêncio secular em relação a esta comunidade foi assim quebrado.
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