"É nesse tom único que reside justamente a particularidade de Dona Lola: algo inédito na época, ela traz o ponto de vista da dona de casa para dentro da obra literária, conferindo grandeza dramática a janelas que batem, portas que se fecham, crianças que circulam pela sala. [...] Com Maria José Dupré, o ponto de vista feminino na literatura brasileira solidifica sua voz narrativa e o espaço da casa conquista estatura literária." ― Bianca Ribeiro, professora doutora em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP
Éramos seis foi publicado em 1943 e deu a Maria José Dupré o reconhecimento literário, tornando-se um dos livros de maior sucesso da literatura brasileira. Mas a obra termina deixando dúvidas: Como D. Lola envelhece? Onde está Alfredo? Isabel formará uma família? E Julinho? D. Genu continuará tendo afeição por mortos? Olga e Clotilde ainda vivem em Itapetininga?
A fim de saciar a curiosidade do leitor, em 1949, a autora publicou Dona Lola, romance que dá continuidade à história da narradora-personagem. E, agora, setenta anos depois da primeira edição, a editora Ática relança a obra.
Maria José Dupré, ou Sra. Leandro Dupré como assinava em seus livros (Ribeirão Claro, PR, 1 de maio de 1898 - Guarujá, SP, 15 de maio de 1984) foi uma escritora brasileira.
Nascida na fazenda Bela Vista, na época município de Botucatu, hoje município de Ribeirão Claro no Paraná por estar muito próxima da divisa entre São Paulo e Paraná, Maria José foi alfabetizada pela mãe e seu irmão. Ainda em Botucatu, estudou pintura e música. Mudou-se para a cidade de São Paulo, onde cursou a Escola Normal Caetano de Campos, formando-se professora. Sua vida na literatura começa após casar com o engenheiro Leandro Dupré. Foi contemporânea de nomes como Érico Veríssimo, José Lins do Rego e Viana Moog, numa época em que as mulheres intelectuais apenas começavam a exercer alguma atividade profissional.
Em 1939, publicou o conto Meninas tristes, no suplemento literário de O Estado de S. Paulo, com o pseudônimo de Mary Joseph. Mas sua carreira começou realmente em 1941, com a publicação de O romance de Teresa Bernard.
É autora de vários clássicos da literatura infanto-juvenil, mas foi o romance Éramos Seis, obra premiada pela Academia Brasileira de Letras, que a lançou efetivamente no mercado. Prefaciada por Monteiro Lobato, Éramos Seis mereceu o seguinte comentário do autor mais significativo da história da literatura infanto-juvenil brasileira: "Tudo fica vida, só vida, em seu extraordinário romance". O livro foi traduzido para o espanhol, francês e sueco e transformado em filme na Argentina, e em quatro ocasiões, na forma de telenovela no Brasil. Escreveu para o público adulto também.
Um livro triste, mas maravilhoso de ler. Aprendi bastante sobre a história de São Paulo de uma maneira interessante. Gostaria de ter lido um final mais completo… Depois de tanto sofrimento, Dupré deixa em aberto o futuro de D. Lola e Alfredo. Vou ter que imaginar para mim mesma um final feliz.
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