(Letters from the Past - Portuguese Edition)
Nossa história começa com uma heroína absurdamente normal. Luiza Campbell estava falida, sozinha e, pode-se dizer, uma quase recém formada precisando se firmar na carreira.
Ela fora indicada a este novo trabalho de digitalizadora e restauradora de documentos por um ex-professor da faculdade.
O local do trabalho era no Castelo de Havenford, situado numa pequena cidade no interior da Inglaterra. Sem ter qualquer outra opção, precisando de dinheiro com urgência e um local para morar, ela não pensa duas vezes em aceitar.
Ao chegar lá ela é apresentada a outras pessoas da equipe. Marcel, Affonso, Peggy, todos mostram-se muito agradáveis com ela; apenas Betty, a administardora, parece sempre acordar de mau humor e reclamar de tudo.
O trabalho era metódico e cansativo, mas ao mesmo tempo excitante por ela estar em contato com tantos documentos antigos.
O castelo parecia ter sido um local lindo em seus dias de glória. Apesar de estar por um processo de reforma, o mau estado dos pertences mostravam claramente que os herdeiros do local não estavam interessados em manter a história e o patrimônio da família, mas apenas em pilhar e obter o melhor lucro possível.
Em meio a tantos documentos e livros de contabilidade, Luiza teve contato com cartas pessoais escritas por um tal de Conde Jordan D. Warrington, do século XV. Ele mostrava-se ser um homem culto, que passava muito tempo escrevendo sobre absolutamente tudo que acontecia na propriedade e até mesmo em sua vida particular.
Tais cartas tiveram um fascínio sobre Luiza e em seu tempo livre ela não conseguia parar de lê-las e aprender mais sobre aquele homem corajoso, justo, mas terrivelmente solitário. Ao mesmo tempo, ela já catalogava as cartas para ajudar no trabalho de Marcel que, dentro da equipe, era o que mais conhecia a história do conde e seus familiares.
E assim os dias se passavam. De dia Luiza lia, digitalizava e catalogava todos os documentos que batiam em sua mão, sendo perseguida de perto pelas reclamações de Betty. À noite, ela se deixava encantar pelas palavras do homem que morrera tão jovem e que precisava tanto de uma palavra amiga, de uma mão estendida, de um afago, de um beijo... Que mulher não se sentiria mais do que honrada em poder conviver com aquele homem, ser sua companheira... Mas ele morrera séculos atrás e Luiza estava ali, em pleno século XXI, lendo suas confidências, seus segredos. Como explicar aquela conexão que ela sentia com ele tendo tantos anos de distância de um para o outro?
Foi quando uma quase tragédia muda um fato histórico a respeito do castelo. Uma tempestade abateu-se sobre a propriedade e um raio atingiu a janela da sala onde Luiza trabalhava, abrindo-a e fazendo com que todos os documentos que estavam ordenados sobre a mesa voassem pela sala. Os amigos vieram ajudar-lhe a catar o que estava espalhado, a fechar a janela e a acalmá-la. Nervosa com a possibilidade de ter perdido algum documento valioso, e ter de pagar por isso, Luiza prontamente ordena tudo em seu lugar encontrando cada um dos papéis. Mas ela também encontra mais um. Um papel que antes não estava lá. Uma carta. E esta carta era o início do impossível...
Acredito que somente com a sinopse e esta introdução você já tenha desconfiado que Luiza e o conde tenham uma conexão mais especial do que imaginado.
Sim, aquele papel que ela encontrou totalmente fora de contexto em relação aos outros já catalogados, era uma carta. Do conde. Endereçada a ela.
"Minha estimada lady,
Com todo respeito, não a conheço o suficiente para lhe enviar minhas anotações pessoais. Em todo caso, agradeço a preocupação..."
E assim eles começam a se corresponder. Ele em seu escritório no século XV e ela, em pleno século XXI.
As cartas diárias e num tom às vezes de brincadeira fizeram com que seus laços se estreitassem. Mas segundo a história real e documentada, o conde seria traído, seu castelo tomado e todos nele, assassinados. Haveria alguma forma de Luiza avisá-lo sobre isso através das cartas? Será que ajudá-lo nesse momento faria com que a história fosse alterada demais? Que mal faria ajudá-lo a salvar a vida de pessoas inocentes e não deixar que o castelo caísse nas mãos de ladrões - pelo menos àquela vez?
E com isso foi uma carta, e mais outra, e mais outra, até que ambos estavam totalmente envolvidos um com o outro, e como nos tempos modernos em epoca de internet, o conde queria conhecê-la pessoalmente. Mas como isso se daria com a distância temporal? Ela não poderia dizer para ele que sabia tanto da vida dele porque estava no futuro. Desiludido, o conde decide afastar-se parando de escrever. Segundo a história, novas batalhas surgiriam, a vida do conde estava em perigo, Luiza não poderia ficar de braços cruzados sabendo que o pior poderia acontecer a ele. Talvez ela pudesse ajudá-lo... Se eles puderam se corresponder com séculos de distância talvez.... só talvez, ela pudesse fazer o impossível e dar um salto à sua felicidade...
Sim, entenda de uma vez por todas que Luiza e Jordan estavam destinados a encontrarem-se e o que temos aqui é uma das histórias de amor mais lindas já escrita.
Com determinação, Luiza - ou Elene de Montforth - encontra o conde e juntos reescrevem a história de Havenford.
Há batalhas, há traição, drama e muito, muito romance.
Quando finalmente Jordan Warrington encontra face a face a mulher que lhe escrevia as cartas, que povoava os seus sonhos, que lhe dava a força e o apoio para vencer os desafios à frente, ele não pensou duas vezes em fazê-la sua.
O livro é da época medieval. E é claro que temos algumas cenas em que a heroína encontra-se totalmente perdida por não saber como as coisas funcionam. Afinal, ela é uma mulher da época do celular, da internet wi-fi, ou até mesmo das coisas hoje consideradas simples como um bom banho de chuveiro vindo da torneira. Nessa ocasião Elene é considerada uma lady excêntrica, com ideias a frente de seu tempo. Mas ela conquista a todos no castelo principalmente porque notam que ela seria aquela que faria o coração de seu senhor voltar a bater e fazê-lo sorrir.
Não é uma história com cenas para lá de hot, e nem esse é o objetivo do livro. Mas com certeza as cenas de conquista e de amor entre eles não deixa nada a dever a outros livros.
A descrição das cenas, do cenário, das batalhas e dos sentimentos dos personagens é muito bem feita; você se sente transportada aos acontecimentos.
O ritmo da história é o ideal. Cotidiano quando preciso, ou com saltos no tempo quando necessário.
Os personagens secundários também recebem destaque. Preste atenção em Marcel, Erin e Betia.
A autora soube explorar as cenas de maior impacto. Admito que por 3 vezes chorei muito ao longo da leitura...
... e uma vez fiquei extremamente apreensiva com o desenrolar de um acontecimento (o que me fez escrever para a autora a ameaçando de morte....eheheheh..Claro que foi brincadeira. Mas quando a ameacei não convidá-la mais aos eventos literários de nosso grupo, aí, sim ela ficou preocupada).
Numa época em que a mulher não dava sua opinião ou participava das decisões, há um bocado de ação ameaçando o relacionamento deles. Brigas, um tutor reivindicando a sobrinha de volta, casamentos arranjados, visita à côrte.
As cenas mais impactantes: a primeira carta; o encontro dos dois; o pulo de Elene; a ameaça da partida dela; a despedida...
Luiza/Elene é uma heroína forte. A princípio sua personagem parece com qualquer garota sozinha no mundo, precisando de trabalho, amigos e algo em que se apoiar. Mas com o desenvolver da trama, você percebe o amadurecimento da personagem, as nuances de sua transformação.
Já Jordan é o herói encantado que encontra-se solitário e perdido, como se a vida tivesse decidido que não seria generosa com ele. Mas com a chegada de Elene, tudo se transforma. Uma nova chance é dada a ele e ele a agarra com unhas e dentes. Seu amor por Elene é descrito - e escrito - em todas as oportunidades e juntos eles constroem um reino justo, próspero e de amor.
Prepare-se para as duas páginas finais. Depois de ler toda a história, estas duas páginas farão seu coração transbordar de emoção. E NÂO adianta lê-las antes porque o impacto não será o mesmo e, na verdade, você não entenderá o motivo de tamanha emoção.
Um livro com princípio, meio e fim. Sem essa de ser série ou trilogia, e deixar o leitor morrendo de ansiedade de quando sairá a continuação.
Para mim este livro é um VERDADEIRO BESTSELLER nos moldes de Julie Garwood e Judith McNaught.
Um livro que merece ser lançado por um GRANDE EDITORA na forma IMPRESSA porque merece ser lido uma vez após outra. E Jordan Devan Warrington, entrar para o rol dos mocinhos dos sonhos das leitoras.