Que livro surpreendente! A verdade é que não esperava muito deste livro de Hall Caine, mas acabou por me ter preso durante vários dias. O livro conta a estória de Maria O'Neill, uma rapariga casada pelo pai por interesse com um homem que a repugna. Com um tom de crítica societal presente ao longo de todo o livro, Maria O'Neill conta a sua própria vida e como a pressão da sociedade, nomeadamente da família e da Igreja Católica, leva ao descarrilamento da sua vida.
O livro foi, no seu tempo, altamente controverso, uma vez que o livro é uma defesa aberta dos direitos da mulher, uma crítica ao seu tratamento como bens (seja do seu pai antes do casamento, seja do seu marido após o mesmo). Maria cai numa espiral viciosa devido a decisões que lhe foram impostas pelo seu pai, e Hall Caine captura com uma impressionante vivacidade e realismo a sua descida de graça, apontando ao mesmo tempo os defeitos da sociedade britânica de início de século. É para mim um mistério a razão pela qual este livro não se tornou num clássico instantâneo! É certo que a parte final do livro termina numa nota idealista, feliz e - talvez - irrealista; mas não só de realismo depressivo se fazem bons livros. Para mim, é um ótimo livro, que recomendo a todos - se o conseguirem encontrar!