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Crítica ao feminismo liberal: valor-clivagem e marxismo feminista

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487 pages, Paperback

Published October 5, 2020

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Profile Image for Bernardo Moreira.
103 reviews18 followers
August 14, 2022
Já estava namorando esse livro há um tempo, fico feliz de ter decidido lê-lo finalmente. Leite é muito boa na maior parte do tempo. O projeto do livro é uma sistematização do conceito de valor-clivagem fundado por Roswitha Scholz (esposa de Robert Kurz, ex-integrante do grupo Krisis e integrante do grupo dissidente Exit!), uma leitura marxista feminista da Crítica do Valor.
Leite começa num debate mais jurídico, aprofundando os debates da teoria da derivação do Estado. Numa bela exposição conjunta de Althusser e Pachukanis, a teoria da derivação se apresenta de forma bem sólida.
A exposição sobre o conceito de valor e as relações entre a forma-valor, o trabalho abstrato e o valor-clivagem é o melhor momento do livro. Extrema precisão conceitual e clareza na exposição; o momento dos debates da Wertkritik também é bem interessante.
Da metade pra frente, porém, os detalhes que antes incomodavam começam a pesar. Listarei meus incômodos com o livro:
- uma Péssima herança de um certo marxismo de chamar tudo que a gente não gosta e não entende de idealismo ou de não-dialético. Leite não entende muito nem de Kant nem de Hegel, apesar de ficar jogando seus nomes por aí.
- outra péssima herança de um certo marxismo de chamar tudo que a gente não gosta e não entende de pós-moderno/pós-estruturalista/desconstrucionista. Esse foi um dos meus maiores incômodos, porque há uma conflagração entre 1. as leituras vulgarizadas que movimentos identitários/representacionistas/individualistas/liberais fazem de Butler e hooks; e 2. o pós-estruturalismo como a gente encontra em Foucault, Deleuze e Derrida, que não tem absolutamente nada a ver com um culto à identidade, pelo contrário. É só uma evidência da falta de leitura mesmo, o que é uma pena pra uma autora que manda tão bem quando fala do que sabe.
- uma certa errância teórica em alguns momentos. Conflagra Althusser e Adorno onde não dá bem pra reconciliá-los, por exemplo. Mas o maior incômodo é quando mostra como a cisão da forma-valor implica na clivagem entre trabalho abstrato produtivo/forma-valor e atividades reprodutivas clivadas imputadas ao feminino/valor-clivagem e por isso insiste que "trabalho" só é realmente aquilo sob a forma-valor, porém pouco depois tenta aproximar Federeci de Scholz de uma maneira meio forçada, chegando em alguns momentos a falar em "trabalho doméstico" e "trabalho reprodutivo feminino".
De qualquer forma, as críticas ao feminismo liberal, radical, interseccional, à outros feminismos marxistas e à teoria queer são muito boas, mesmo que Leite peque nesse espantalho do pós-modernismo. A historicização das ondas do movimento feminista em relação aos estágios da acumulação capitalista é muito boa também. Acho que o maior mérito do livro é a precisão conceitual acerca do debate da forma-valor, pena que não consegue ser perfeito por causa desses deslizes, o que me deu uma desanimada no final.
Enfim, leiam, com esses avisos. O livro vale à pena, Scholz tem uma teoria bastante sólida e o valor-clivagem é fundamental para compreender a forma-valor e o capital total.
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