Por que 2020 é a década dos evangélicos? Nos anos 1970, os evangélicos representavam apenas 5% dos brasileiros; hoje, são um terço da população adulta do país e, segundo estatísticos, superarão os católicos na próxima década.
Mais importante do que a magnitude dos números é o que isto representa: pretos e pardos pobres convertidos ao protestantismo ascendem socialmente, e hoje estão presentes no próprio Estado. Povo de Deus pretende partilhar com os leitores este fato que já é conhecido por sociólogos e antropólogos que estudam religião: entrar para a igreja evangélica melhora as condições de vida dos brasileiros mais pobres.
Escrito em linguagem direta e clara, o livro dá ao leitor acesso aos principais estudos sobre o cristianismo evangélico no Brasil. Sem jargões e a linguagem nebulosa de muitos livros acadêmicos, Povo de Deus apresenta temas básicos que vão desde o que é o protestantismo pentecostal e de como ele se diferencia do protestantismo histórico até o exame das consequências do crescimento da presença evangélica no Estado, tema crucial considerando que o voto evangélico consolidou a vitória de Jair Bolsonaro na eleição presidencial de 2018.
Juliano Spyer argumenta que o preconceito que muitos brasileiros escolarizados expressam contra o cristianismo evangélico reflete o preconceito contra pobres que não se vitimam e buscam sua inclusão social via educação e consumo. Este é um dos fenômenos de massa mais importantes do século, muito pouco conhecido pelas elites pensantes do Brasil, que ignoram a rica e extensa literatura acadêmica produzida nas últimas décadas sobre o assunto.
Juliano Spyer is pursuing his Ph.D. at the Department of Anthropology, UCL. He obtained his MSc from UCL’s Digital Anthropology Programme. He wrote the first book about social media in Brazil: Conectado (Zahar, 2007) and was digital adviser for the presidential candidate Marina Silva in 2010. He is originally trained as an oral history researcher.
Muito interessante para conhecer a forma de pensar de 30% da população brasileira. Esse livro é uma aula fundamental para quem não tem contato ou convívio com a população evangélica. Diversos conceitos que eu tinha sobre esse público foi quebrado. Entender isso é parte da construção de um país onde as pessoas se respeitem e também essencial para a construção conjunta de políticas públicas que atendam toda a população.
Juliano Spyer's book portrays the social phenomenon of the growth in the number of evangelical churches in Brazil.
In a subject so impregnated with social prejudice like this, whether from outside or even inside Brazil’s Protestant world, Spyer does very well in elaborating a serious, respectful and dispassionate portrait of the social phenomenon.
Although Brazil is the country with the highest number of catholics in the world, the number of evangelicals is expected to exceed that of catholics in a few years if the trend continues.
Spyer points out the positive and negative aspects of this social phenomenon, such as the opportunity for social ascension for the poorest strata of the country, the rehabilitation of prisoners, and the increasing influence of evangelicals as a group on politics and the business world.
Spyer highlights fundamental differences between the different evangelical groups within Brazilian Protestantism and their theologies, sometimes comparing them with Catholicism. The author does so, however, without going into details, which could make reading dull for the layman.
The book is extremely well written and enjoyable to read. It could have brought a little more historical information about the arrival, formation and development of Protestantism in Brazil, although at the risk of widening too much the book's focus. It is a good introductory study and general overview of the issue.
PORTUGUÊS
O livro de Juliano Spyer retrata o fenômeno social do crescimento do número de igrejas evangélicas no Brasil.
Em um tema tão impregnado de preconceitos sociais como esse, seja de fora ou mesmo de dentro do mundo protestante, Spyer se sai muito bem em elaborar um retrato sério, respeitoso e desapaixonado do fenômeno social.
Embora o Brasil seja o país com o maior número de católicos do mundo, o número de evangélicos deverá ultrapassar o de católicos no país em poucos anos se a tendência se mantiver.
Spyer aponta os aspectos positivos e negativos desse fenômeno social, como a oportunidade de ascensão social para as camadas mais pobres do país, a recuperação de presos e a influência cada vez maior dos evangélicos como grupo sobre a política e o mundo dos negócios.
Spyer ressalta diferenças fundamentais entre os diversos grupos evangélicos dentro do protestantismo brasileiro e suas teologias, comparando-as às vezes com o catolicismo. O autor o faz, no entanto, sem carregar em detalhes, que poderiam tornar a leitura para o leigo maçante.
O livro é extremamente bem escrito e agradável de ler. Poderia trazer um pouco mais de informações históricas sobre a chegada, formação e desenvolvimento do protestantismo no Brasil, embora sob o risco de ampliar demais o foco do livro. É um bom estudo sociológico introdutório e visão geral sobre o tema.
O conteúdo é extremamente relevante, me fez refletir sobre os meus próprios preconceitos em relação ao tema. O livro no entanto tem uma escrita bastante prolixa e uma estrutura confusa.
Ótima leitura para todos aqueles que não cresceram ou não convivem com protestantes. Ajuda a compreender e respeitar o fenômeno, a aceitar a dimensão em espaço de poder que devem ganhar nos próximos anos e diminiuir um pouco do preconceito por vezes existente tanto por parte de quem teve criação católica ou até mesmo secular.
Entre razoável e bom (2,5). O livro e o tema são fundamentais em um momento em que o BR passa a ter maioria evangélica (segundo os dados imprecisos e desatualizados do IBGE são 25%) e essa parcela passa a ser utilizada como bloco de pressão na sociedade e, sobretudo, na atuação governamental. Mas a estrutura não é das melhores e o livro acaba se mostrando um tanto superficial e simplista: na introdução ele levanta muito bem o problema que se propõe a discutir, depois passa o restante do livro fazendo o mesmo - levantando o problema...
O livro foi escrito no final da década de 2010, embora já contenha também conteúdo relacionado à covid, em 2020, com base em uma extensa (e ótima) revisão bibliográfica e na experiência e insights que o autor teve fazendo vivência de campo em um bairro pobre no extremo-norte da periferia de Salvador, onde acabou tendo contato com as pessoas, muitas das quais eram evangélicas. Não foi o objeto do doutorado dele, mas a convivência e algumas relações despertaram o interesse em escrever sobre o tema. O livro faz uma separação e caracteriza bem a diferença entre os protestantes-históricos (luteranos, batistas e adventistas), que têm uma proximidade maior com os católicos, mas com as diferenças de programa que fundamentaram a 'ética protestante' desenvolvida por Max Weber; dos protestantes-evangélicos (pentecostais e neo-pentecostais), sendo que esses últimos tendem a incorporar matizes de religiões afro, terem uma vertente de 'espalhamento da palavra' e estarem mais relacionados à evangelização e terem como paradigma a 'teologia da prosperidade', diferentemente das históricas. Caracteriza e demonstra também, sobretudo os protestantes-evangélicos como pertencentes às camadas mais pobres da sociedade, em particular brasileira (assim como os históricos tinham sido no início do secXX, mas que ascenderam às classes superiores ao longo do tempo) e nesse sentido se organizam de forma racional. Alguns pequenos erros de português ou de referências, provavelmente de versões anteriores do texto.
O autor do livro levanta a tese (inspirada em outros autores) de que, apesar das crenças em entidades sobrenaturais, a organização dos protestantes-evangélicos é racional e faz sentido como forma de organização social para o acesso dos membros a níveis de proteção social dessas classes mais baixas que o Estado não oportuniza. Nesse sentido é racional, pragmático e útil para o evangélico-pobre estar em uma organização de proteção e desenvolvimento comunitário (sobretudo decorrentes das ondas migratórias) e as crenças e posturas evangelizadoras passam a soar quase como um 'pedágio' para acessar esse nível de pertencimento do ideário evangélico (real ou imaginário). O texto é um tanto panfletário (o que não é um problema, isso fica evidente e subentendido quando se começa a leitura) mas superficial em abordar os aspectos efetivamente importantes ao longo do texto, o autor se limitando a comentários de outros textos (como se fosse uma grande revisão bibliográfica - ele mesmo chega a apontar isso em algum ponto do texto), mas com pouquíssima análise das circunstâncias e aspectos, e quando feita em geral superficial e com uso de evidências anedóticas para tentar encaixar uma visão de mundo do autor.
O livro está dividido em uma introdução (muito boa) e outros 8 partes, cada qual composta por alguns capítulos que são quase independentes e que poderiam ser muito melhor exploradas, mas acabam sendo todas superficiais, onde ele fica repetitivo (inclusive com trechos que se não são, parecem copy/paste de partes anteriores) e um tanto desconexos. Essa desfragmentação não é ruim em si, mas é superficial demais quando vistas isoladamente e não conversam entre si de forma a ter um desenvolvimento de argumento mais robusto, o que acaba impedindo o autor de conseguir realmente analisar o problema que ele levanta - ele passa em todos os capítulos como que continuando a "desenvolver" o problema da importância de olhar o evangélico porque ele é a fronteira que precisa ser analisada sociologicamente na atualidade brasileira (ao contrário do que a Rebecca Traister faz com relação às mulheres solteiras em relação a US, em outro livro que li recentemente). Intro: 2020: a década dos evangélicos (caps 1 a 6) Parte1: Noções fundamentais - sobre o que estamos falando (caps 7 a 12) Parte2: Cristianismo e preconceito de classe (caps 13 a 17) Parte3: Evangélicos na mídia e a mídia evangélica (caps 18 a 21) Parte 4: Consequências positivas do cristianismo evangélico (caps 23 a 28) Parte 5: A religião mais negra do Brasil (caps 29 a 31) Parte 6: Reciclagem de almas - traficantes e cristianismo (caps 32 a 36) Parte 7: A esquerda e os evangélicos (caps 37 a 40) Concl: A instrumentalização da fé: igrejas no poder (caps 41 a 49)
O autor critica e busca desmistificar os estereótipos dados pela "imprensa hegemônica" buscando evidenciar a racionalidade da opção das camadas populares de aderir às igrejas protestantes evangélicas, mas incorre em outras formas de estereótipos nos poucos momentos em que busca analisar os fenômenos de violência policial e convivência com o tráfico por exemplo. E tenta "encaixar" sua visão de mundo fazendo uso de casos esporádicos e superficiais dos contatos que teve no tempo que morava no subúrbio, mas acaba sistematicamente incorrendo em problemas metodológicos de cherry picking, relações espúrias/enviesadas e evidências anedóticas, buscando fundamentar uma "classe evangélica", negando a afirmativa de Marx de que "a religião é o ópio do povo". Acaba sendo inclusive um pouco engraçada a ginástica mental e conceitual que o autor precisa fazer para construir essa sua imagem mental do segmento evangélico como racional mas que no fundo é explorado, sem perceber esse processo de exploração e fica ambivalente a todo momento tentando equilibrar uma análise e sua 'nova visão' que ele tenta demonstrar como 'não preconceituosa' em relação aos evangélicos (ele inclusive faz um capítulo de 'desculpas' aos leitores evangélicos no cap 5) e tenta criar esse equilíbrio quando tenta abordar algumas críticas à instrumentalização do movimento evangélico (cap 47) e não aos evangélicos em si.
Por trás do livro, a defesa que ele faz do movimento evangélico é muito mais uma defesa de classe (considerando os evangélicos sendo de classe baixa) do que uma defesa da religião. Os argumentos são muito baseados em uma lente marxista (ou neo-marxista) aplicados ao grupo religioso dos evangélicos. Assim, para caracterizar os evangélicos como classe, o autor os separa dos protestantes históricos, mas em vários pontos do texto quando ele tenta descaracterizar alguns pontos de estereótipos ligados aos evangélicos, justamente recorrendo a exemplos relacionados com os protestantes históricos.
Ao fim da leitura acabei não conseguindo evoluir muito na reflexão (necessária e extremamente importante) sobre o impacto do 'povo de deus' no debate sociopolítico atual e futuro da realidade brasileira. Mas a leitura sem dúvida aumentou ainda mais a minha curiosidade sobre o fenômeno que as esquerdas criaram de uma luta de classe (o famoso "nós contra eles") empreendida nas décadas de 80/90 de forma impiedosa, e que viram virar ao longo dos anos 2010s para uma invertida do "nós contra eles", agora com a direita ocupando o lugar das classes pobres, sobretudo no centro-sul do país, nas periferias e pequenas cidades, no "brasil profundo" (onde precisamos de muita luz e análise em relação a esse fenômeno).
Essa é a obra básica para quem quer entender os evangélicos brasileiros. Juliano Spyer fez um trabalho muito bom em sintetizar e apresentar de forma acessível as razões do crescimento evangélico no Brasil bem como as visões desse segmento crescente na população brasileira a quem não é crente.
Sou filho de pastores evangélicos e cresci na igreja. Por isso, alguns aspectos que o autor descreve eu conheço desde pequeno. E justamente por conta desta familiaridade, a igreja evangélica brasileira é o meu assunto preferido. Mesmo assim, eu não posso dizer que conhecia de perto o cristianismo popular de periferia. Foi isso que me motivou a fazer uma iniciação científica (que virou um TCC) sobre as igrejas evangélicas na região do Brás, em São Paulo, em 2019. E gostei de ver que muito do que foi escrito pelo Spyer eu também constatei nas visitas que fiz às igrejas pentecostais e neopentecostais na minha pesquisa.
Em primeiro lugar, o autor mostra como as igrejas evangélicas (principalmente pentecostais e neopentecostais) prosperam nas periferias do Brasil e realmente ajudam a melhorar as condições de vida dos pobres. O contraponto disso é que os evangélicos sofrem preconceito de classe por parte das elites brasileiras. Isso acontece por conta dos estereótipos e distanciamento entre classes médias/altas e as baixas no país.
Mas isso tem um agravante: os evangélicos pobres brasileiros não aceitam serem vistos como vítimas e buscam melhoras materiais. Consta na página 87 do livro:
“Para a antropóloga americana Susan Harding, os cristãos evangélicos são um tipo de “outro”. São frequentemente rejeitados pelos antropólogos por não aceitarem a posição passiva de vulneráveis. Diferente de outros grupos da sociedade que aceitam ou se resignam a serem vistos como mais frágeis, os evangélicos geralmente não falam de si como vítimas do sistema, e essa rebeldia é um dos motivos para intelectuais que se colocam como porta-vozes de indígenas, quilombolas e mesmo de pobres urbanos, terem uma antipatia por eles, que dispensam essa intermediação para assumir a responsabilidade por se colocar na sociedade e interagir com ela.”
Eu encontrei esse tipo de comportamento quando entrevistei uma senhora na Igreja Mundial do Poder de Deus (do Valdemiro Santiago). Depois dela falar que apoiava o Bolsonaro por ser um cristão que, mesmo sendo crucho, queria fazer o certo pelo país, perguntei se ela já tinha votado no Lula. Ela disse que não. Na visão dela, as pessoas não deviam esperar ajuda do governo, mas fazer o seu trabalho direito. Se cada um fizer o seu, o país melhoraria.
Outra coisa interessante no livro é a descrição de pesquisas sobre a relação entre igreja e tráfico. Únicos casos que conheci de modo superficial em anos de igreja foi de ex-traficantes que deixaram o crime por decorrência da conversão. Nesse caso, ser evangélico se coloca como alternativa a ser traficante. Mas a realidade de traficantes que são evangélicos praticantes ou casos em que as duas facetas atravessam a mesma pessoa é algo curioso e interessante.
Além disso, a análise de possibilidade de maior igualdade de gênero entre evangélicos é interessante. Estou familiarizado com a postura de mulheres que buscam “ganhar o marido” com comportamento cristão e concordo que o reconhecimento de dons ministeriais para mulheres ou a exigência de maridos convertidos deixem vícios e sejam fiéis às esposas podem deixar a relação entre homens e mulheres menos desigual. É uma “solução” diferente das pensadas pelas classes médias, mas conheço alguns relatos parecidos com os descritos no livro.
Uma coisa que eu acho importante, mas não que apareceu tanto no livro é a influência do evangelicalismo norte-americano no Brasil. Isso acontece porque mesmo as denominações neopentecostais populares importaram concepções e conceitos bem americanizados do protestantismo dos EUA. Entre eles estão a visão individualista da fé (o que complica o diálogo dos evangélicos com a esquerda que busca por soluções estruturais, por exemplo) e interpretação mais simples e literalista da Bíblia. Isso, junto de um pouco mais de contexto da história da teologia america ajuda a entender porque nossas igrejas são majoritamente desfavoráveis a pautas modernas como feminismo e direitos das pessoas LGBT+ (indo contra o casamento religioso de homossexuais, por exemplo). Nesse sentido, America’s God (Mark Noll) e Divided By Faith (Michael O. Emerson, Christian Smith) ajudam a entender um pouco das origens norte-americanas de algumas interpretações que chegam no Brasil, inclusive entre pentecostais e neopentecostais.
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Sobre a participação política. Eu não sou progressista e não me preocupo com o diálogo da esquerda com evangélico. É tarefa dos ativistas entender aqueles a quem querem se aproximar e o livro destaca bem como essa visão individualista do crente complica tanto o diálogo da esquerda que, na maioria das vezes, parecem só conseguir falar com evangélicos que concordam com a visão progressista de mundo. Como evangélico, minha preocupação é que irmãos de esquerda não sejam perseguidos ou menosprezados em sua fé por conta de sua posição política. Porque acredito que evangelho é maior que o espectro ideológico.
A polarização por conta da atividade política evangélica destacada pela pesquisadora Amy Erica Smith me lembrou bastante o comentário de Jill Lepore faz sobre entrada de evangélicos na política: quando eles se colocaram no espaço publico, houve mais polarização (tanto antes da Guerra Civil quanto a partir dos 1980).
Concordo com Spyer nesta afirmação: “Outro lado desse desafio deve considerar as consequências perversas para a sociedade da infiltração do cristianismo evangélico no governo. O slogan “Deus acima de todos” denota uma pretensão que acha que o outro está doente, segundo seu entendimento, e pretende forçar uma cura de cima para baixo, via intervenção em políticas públicas. A mesma liberdade de pensamento e de culto que o evangélico deseja para si, ele ou ela deve defender para quem não é evangélico.” (p 209).
Mas acredito, como fiel evangélico, que essa postura pode e deve ser melhor desenvolvida nas nossas igrejas. Quando a presença evangélica na esfera pública priorizar a coexistência em um mundo secularizado na busca de um bem-comum talvez o diálogo entre evangélicos e não-evangélicos melhore. Para confirmar meu ponto de influência dos EUA, deixo aqui uma referência para esse tipo de visão: Uma Fé Pública, de Miroslav Volf.
Lendo agora com a pausa do crescimento dos evangélicos no país (registrada no censo 2022) foi bem interessante porque achei uma visão muito romântica desse público brasileiro, sobretudo após uma tentativa de golpe frustrada do último presidente, com um apoio de centenas deles em frente a quartéis querendo golpe de estado e uma omissão de muitas igrejas diante da vitória do Lula em 2022. O autor só cita no final a visão muito estreita do "nós contra eles" que muitos têm dos não convertidos que eu acho predominante.Não sei, mas a visão de manipuláveis e alienados ainda permaneceu para mim.
"O fenômeno de massa mais importante das últimas décadas que é tratado como se não estivesse ali." Livro muito necessário para se discutir o Brasil atual e seu futuro. O autor informa sobre os evangélicos brasileiros (1/3 da populaçao adulta e crescendo) através das conclusoes de pesquisas sociológicas e antropolóicas feitas com esse público. Tem uma boa amplitude de temas e uma tese central: entrar para a igreja evangélica melhora as condiçoes de vida dos brasileiros mais pobres.
Importante leitura para se entender o aumento crescente de evangélicos pentecostais e neopentecostais no Brasil. Se os progressistas quiserem conquistar votos desse público, deveriam ler esse livro. É muito óbvio o porquê das igrejas evangélicas crescerem tanto num país pobre, o alcance que elas têm nas periferias do Brasil. Leitura obrigatória.
Fundamental para quem quer entender o Brasil de hoje. Leitura essencial também para quem se vincula ao campo progressista e quer uma visão mais cheia de nuances sobre os evangélicos, vencendo os preconceitos comuns direcionados a eles.
Não tenho muito contato com evangélicos, então minha imagem deles era muito enviesada pelo que aparece na mídia. Este livro reúne estudos sociólogos e antropólogos desse grupo de pessoas tão importante no Brasil. Muito interessante!
Uma análise bem rica sobre o movimento evangélico no Brasil: seu início histórico e por que se tornou tão forte nos últimos anos. A diferença do Protestantismo histórico para o Pentecostalismo e Neopentecostalismo.
O autor deixa claro desde o início sua intenção de revelar lados pouco explorados pela mídia, seja tradicional ou progressista, acerca desse fenômeno e assim tentar dissipar os preconceitos das camadas médias e altas da sociedade em relação aos evangélicos. Ao mesmo tempo que não se furta de analisar o perigo da presença evangélica na política, pelas pautas fundamentalistas e reacionárias que defendem.
Eu acredito que esse tema é central ao Brasil de hoje e do futuro próximo, e busquei nesse livro uma forma de combater meus próprios preconceitos contra essas religiões populares. O que não quer dizer que hoje minha visão desse fenômeno tenha mudado muito. Ainda o considero um sintoma do abandono do Estado para com os mais pobres, que com legitimidade buscaram meios de se afirmar e dar a volta por cima - com os recursos que possuem.
Mas a leitura vale como uma referência teórica e um meio de se compreender afinal as grandes diferenças que existem entre a imensa variedade de igrejas que são rotuladas "evangélicas".