Algumas vezes o que você precisa pode estar perto demais... Ainda amargando uma dor de cotovelo pelo término de um relacionamento, Daniel se divide entre o trabalho como publicitário e a amizade com Olívia, uma garota tão azarada quanto ele no amor. Toda semana, eles se encontram para um papo em um bar: Olívia conta os problemas que tem com seus namorados complicados e Daniel debocha divertidamente. No fundo, sabe que sente algo pela amiga desde o dia em que se conheceram, dois anos antes. Tudo corre às mil maravilhas até que o destino resolve pregar uma peça em Daniel: Ulisses, seu melhor amigo e colega de trabalho, para manter o emprego, faz com que Daniel seja demitido e, com isso, perca a chance que sempre sonhou ― um Leão de ouro em Cannes, o maior prêmio da publicidade. Do outro lado, Beatriz, mãe de Olívia, descobre que tem câncer, o que faz com que sua amiga fique mais distante. Traído no trabalho, Daniel se vê sem nada: sem o ombro da amiga, sem emprego e sem perspectiva ― até a chegada de Ananda, que parece surgir como uma luz no fim do túnel, e uma notícia que soa como reviravolta. Mas o que levou Daniel até esse ponto? Que escolhas e ideias ele se sustenta para enxergar sempre entre tudo ou nada? Uma história sobre eventos e escolhas e o que fazer de sua vida dali para frente. Tentar resgatar o passado ou deixa-lo lá, aproveitando apenas o aprendizado.
Daniel conheceu Olívia em um jantar beneficente, totalmente ao acaso. Ele vinha de um período de superação, após o término com Letícia, a ex-namorada, que partiu para a Irlanda e o deixou plantado no saguão do aeroporto. Daniel e Olívia criam uma espécie de conexão quase de imediato. Ele vai para o apartamento dela após o jantar, interagem, bebem muito e Daniel acorda no dia seguinte na cama de Olívia sem se lembrar do que aconteceu, ou se aconteceu.
Dois anos se passaram e os dois viraram melhores amigos. Daniel apaixonado, mas fincado na temida friendzone, porque não se lembra se naquela primeira noite aconteceu algo, e se aconteceu, o motivo de Olívia não comentar nada. E esse é o principal motivo que o desmotiva a tentar se declarar. Já Olívia pula de relacionamento em relacionamento, sempre com caras escrotos, que pouco ligam para ela. Além de tudo, Olívia desabafa todas as suas frustrações amorosas nos encontros semanais com Daniel, que ouve resignado com medo de reclamar e perder a amiga.
As coisas pioram quando um colega de Daniel faz uma bobagem no emprego e dá um jeito de jogar a culpa em cima de Daniel, que é demitido por conta disso. Soma-se a isso a descoberta de Olívia de que sua mãe tem câncer. Daniel e Olívia se desentendem, brigam, e Olívia resolve se afastar para cuidar da mãe. Daniel fica sem chão. Desempregado, sem sua paixão, ele não sabe o que fazer. Até que Ananda (sim, Ananda), uma funcionária da lanchonete onde Daniel e Olívia se encontravam, oferece uma oportunidade de trabalho para Daniel, além de suprir uma carência emocional que dá a chance de Daniel se levantar.
AS DUAS VERSÕES DE NÓS DOIS é um romance despretensioso que toca em um dos pontos mais comuns entre a relação de duas pessoas: a primeira vê a segunda como amiga, e a segunda vê a primeira como uma paixão. O medo de perder uma relação baseada em amizade, impede que a segunda se declare. Então essa relação, que na verdade não é de amizade, mas de interesse, entra na zona tóxica da dependência e do sofrimento.
A narrativa é em primeira pessoa, feita por Daniel, e em quase todos os seus pensamentos, ele deixa claro que apenas suporta as constantes queixas de Olívia dos namorados e da vida, pela esperança de um dia ter coragem para se declarar e ser correspondido. Na minha visão, isso sequer é amor. Amor predispõe cumplicidade, admiração, aceitação. O que Daniel sente por Olívia não é nada disso, uma vez que ele não se interessa pela vida dela, sequer é verdadeiro o suficiente para expressar suas opiniões sobre com quem ela namora ou dos problemas que ela enfrenta. Ele aceita tudo, concorda com tudo, de forma falsa, com medo de perder Olívia.
Já Olívia representa um outro problema. Ela sabe o que aconteceu naquela primeira noite, quando conheceu Daniel, e sabe que ele não se lembra. Mesmo assim, ela se omite. Mais ainda, ela usa a relação para extravasar, sem dar chance ou se importar com os problemas que Daniel enfrenta. Por isso acontece a briga que os separa. Daniel perde o emprego ao mesmo tempo em que Olívia descobre o problema de saúde da mãe. Os dois precisam de apoio e nenhum dos dois está pronto ou quer dar esse apoio. O egoísmo da relação que eles mantêm é o que os afasta.
Eu realmente não consegui sentir qualquer empatia ou simpatia pelos dois personagens. Eles são mesquinhos demais com seus sentimentos e egoístas demais para se relacionarem. Mesmo quando Ananda entra na história, em um primeiro momento como um escape emocional para Daniel, e em um segundo momento como uma salvação profissional, acaba perdendo o significado quando some de cena sem maiores explicações, apenas para dar espaço para o retorno de Olívia. Eu achei que Ananda seria a personagem que poderia modificar Daniel, fazer com que ele deixasse de ser vitimista e passasse a ser a alguém com atitudes, mas nada disso acontece.
Nem mesmo quando chegamos ao final de AS DUAS VERSÕES DE NÓS DOIS, a redenção acontece. O discurso que Daniel faz a Olívia, e as coisas que ela responde, são forçadas, apressadas, e soam totalmente falsas, como escritas pelo autor apenas para dar uma quase conclusão para a história. Da forma como os dois personagens foram construídos, nenhum deles merece ter qualquer relacionamento até que adquiram uma maturidade sobre os próprios sentimentos e as próprias atitudes. Entretanto, a sensação que eu senti, é que o autor não conseguiu estabelecer essa maturidade, resultando em personagens rasos, incoerentes.
AS DUAS VERSÕES DE NÓS DOIS tenta conversar sobre aquela dor que se tem quando o amor não é correspondido. Infelizmente não consegue e cria um resultado que não satisfaz, que não educa, mas que demonstra que esse sofrimento, no caso dos dois personagens, é resultado de muito egoísmo e, por incrível que pareça, da falta de amor um pelo outro.
Apesar de não salvar a história, a edição está muito caprichada, com vários desenhos fofos, alguns tristes, frases, pensamentos, cores, enfim, muito bem produzida. http://gramaturaalta.com.br/2021/02/1...
Daniel está se recuperando do término de um relacionamento quando conhece Olívia. Eles se dão super bem logo de início. Passam uma noite juntos, mas Daniel não lembra o que aconteceu e não tem coragem de tocar no assunto. Ele acaba ficando na friendzone.
A situação piora quando Ulisses, melhor amigo de Daniel, inventa uma mentira para que ele seja demitido do emprego de publicitário e perca a chance de concorrer ao Leão de Ouro em Cannes (o maior prêmio da publicidade).
Desolado, Daniel procura o ombro amigo de Olívia, que não dá a mínima para ele e só fica de olho no celular. Enciumado, Daniel acaba discutindo com Olívia e descobre que a mãe dela está com câncer. Por conta dessa briga, eles acabam se distanciando.
As coisas começam a melhorar quando Daniel conhece Ananda e surge uma nova perspectiva de trabalho. Porém, o fantasma de Olívia, de Ulisses, da empresa onde trabalhava e de Cannes o assombram. Daniel se vê diante de grandes escolhas: voltar para a vida que tinha ou continuar com a nova vida de possibilidades que surgiram.
Particularmente, achei essa história repetitiva, cansativa devido a carga enorme de drama. Entendo que faz parte da evolução e crescimento de Daniel, mas tudo girou em torno das mesmas coisas, mesmo quando a escolha parecia ser óbvia. Fiquei com ranço de Daniel, da forma como ele se sabota, de como joga com a "sorte" para tomar decisões e mesmo assim ainda se rende á sua própria vontade. Tive ódio de Olívia e não consegui me envolver com a história. A única personagem "legal" foi a Alana, que era a fada sensata.
Gostei da linguagem simples que o autor utilizou. Amei as ilustrações e os trechos de músicas escolhidas para iniciar cada capítulo.
Mais uma vez, vale lembrar: romances/ dramas não são meus gêneros preferidos, então tenho forte tendência a desgostar muito fácil. Por isso, como sempre, recomendo que você leia a história e tire suas próprias conclusões. Afinal, o que é ruim para mim pode ser bom para você e vice versa.
Um livro caprichoso em sua edição e que acompanha marcador, cartão com a playlist do livro e banner @faroeditorial está de parabéns . As duas versões de nós dois traz a história de Daniel e Olívia que são amigos e se apoiam, mas ele deseja muito mais que amizade, porém não consegue sair desta friendzone. . Uma sucessão de acontecimentos levam a rumos diferentes dos amigos, e novos personagens são incluídos na trama. Ananda é uma que surge para abrilhantar a história, embora tenha ficado apagadinha por conta da "cegueira de amor" de Daniel por Olívia. . É uma leitura agradável e a edição ajuda muito, pois traz trechinhos de músicas em cada início de capítulo, além de desenhos em tons azul ilustrando o livro e uma playlist especial no Spotify para aumentar toda a experiência.