A minha proximidade à poesia sempre foi maior com aquela que é cantada. Nas canções, as letras ganham uma vida que raramente encontrava nas páginas, e por isso acabei por meter na cabeça que não era fã dos livros do estilo.
Mas graças à sugestão da amiga Leonor - no instagram, @conversas.com.livros - que me deu a conhecer este A Axila de Egon Schiele, dei por mim a folhear um pequeno tesouro.
Não há aqui voltas desnecessárias nem linguagem complicada. É um livro direto e muito honesto sobre o corpo e a identidade. O André escreve sobre a sua transição e vulnerabilidade de uma forma tão real que é impossível não sentirmos uma ligação - tal qual acontece com a letra daquela música que parece que nos é dirigida.
Se, como eu, costumam fugir da poesia porque acham que não vos diz nada, este livro pode ser uma surpresa. Vale muito a pena pela verdade que tem em cada página.
AMEI! AMEI! AMEIIIIII!!!!! QUERO MAIS E MAIS!!!! Eu que nem sou a maior apreciadora de poesia, mas este livro foi qualquer coisa de extraordinário! 5 estrelas não chegam!
«Houve uma vez que me disseste que tu estavas comigo como quem está sozinho e eu senti isso como um elogio porque estar sozinha é uma das minhas sensações mais preciosas.»
Quanto mais urgente é a escrita Mais humilde o suporte.
Tudo o que realmente importa foi escrito em bilhetes de autocarro, guardanapos quase translúcidos, versos de sobrescritos, pacotes de pastilha elástica.
E ninguém o compreende porque quanto mais urgente a escrita mais ilegível a letra.
--- Se é a minha vida, é a minha responsabilidade.
Imagina um deus que dorme enquanto um rio de lava destrói aldeias inocentes.
Eu sou deus, o vulcão e a aldeia.
--- Ele perguntou-me: em que medida é que isso te marcou?
Eu perguntei-lhe: Como se mede uma raiz?
--- Eu usava uma armadura Que me traiu duas vezes:
Foi insuficiente para defender o golpe Foi eficaz a esconder a ferida.
--- Conheci-o E quando virei costas pensei Que foi um prazer conhecer-me
--- Eles vão pela vida fora, eu hei-de ir pela vida dentro
É "apenas" um dos melhores livros de Poesia que li. Imprime mudança, altruísmo, pensamento sociológico, vontade, desilusão, garra, perda... São poemas que configuram o nosso mais ínfimo pensamento. São poemas de crescimento.
Para ler de uma assentada. E, depois, sentar num café, à beira-rio, em Portalegre ou em São Miguel, abrir uma página ao calhas e respirar.
André Tecedeiro é dos melhores poetas portugueses da atualidade. A profundidade da escrita é arrebatadora - e diz quase sempre mais do que demonstra. É preciso ler as linhas, as entrelinhas e saborear as pausas em branco.
já sabem como começam sempre as minhas opiniões sobre livros de poesia, não é? é difícil escrever sobre ela. sinto que não posso falar muito para não lhe faltar ao respeito, blá blá blá, essas coisas. também é difícil avaliar quantitivamente um livro de poesia: existe muita discrepância em cada poema que leio. sinto-me numa ambivalência constante de sentimentos: gosto muito, não gosto nada, gosto mais ou menos. é curioso como a poesia nos faz sentir, não é? ora sentimos no íntimo as suas palavras, identificamo-nos, ora apreciamos a sua estética, a sua possível musicalidade, ora somente não a compreendemos, custa-nos digerir, não nos sabe a nada, não nos faz sentir. ler poesia, para mim, é sempre um desafio.
agradeço ao paulo @diario_de_um_leitor_pjv por me ter dado a conhecer – através da sua partilha de poesia queer portuguesa – este artista, autor, poeta, pessoa. que bom foi conhecer andré tecedeiro: esta pessoa que só de ouvir (recomendo muito o episódio do podcast “a beleza das pequenas coisas”) me faz sentir banhada em luz e esperança.
ler a poesia do andré fez-me sentir em paz com o mundo. a diversidade é bonita demais para ser negada, é bonita demais para ser escondida, é bonita demais para ser maltratada. é bonita demais, e por ser bonita demais é um prazer lê-la nas entrelinhas destes versos que inspiram liberdade e amor.
a dor pode existir, claro. a falta de ser quem somos, a angústia do erro que se desconhece. mas a poesia do andré, carregada de sensibilidade, revelou-me a beleza do crescimento e o encontro de si mesmo. deslumbrou-me, e fez deste livro um favorito, algo que nunca acontece com a poesia. só vos posso recomendar!
acrescebro, ainda, o quanto adorei a parte final do livro, em prosa – “falar a pé” –, que é uma conversa entre andré e laura falé. foi ma-ra-vi-lho-so! quando/se o andré escrever prosa, serei a primeira a querer ter o seu livro nas mãos.
Que surpresa extraordinária! Ao segundo poema já estava rendida e tenho vários poemas sublinhados, que dão vontade de emoldurar. A pluralidade de temáticas entrelaça-se à pluralidade de emoções e quase que nos deixa com a sensação de que estamos a ver aqueles versos a acontecer à nossa frente. Sem o querer reduzir, este é um livro sobre cuidar e sobre nutrir, é sobre tudo o que nos veste de dentro para fora.
Depois da poesia da Sophia que li na adolescência nunca tinha lido poemas que me tocassem tanto. É absolutamente imperdível. Marquei tantas tantas páginas.