"A canção continuava soando na minha cabeça, a minha canção. Falava de destruição, de sangue, de sonhos, de espera e de horror."
Por anos, Cecília viveu em pé de guerra com o avô, um homem rude e desagradável, que sempre fez de tudo para alimentar a discórdia e humilhar os outros. Mas agora que ele está definhando, frágil e abandonado pela família, ela não consegue deixar de lembrar com nostalgia do homem inteligente que a ensinou a amar e temer o oceano e que trazia o melhor e o pior dela sempre que a desafiava para uma discussão. O que Cecília não sabia era que, por trás da fachada impenetrável, o avô escondia um segredo profundo como o mar, e que confiaria justo a ela a chave para desvendá-lo e confrontar um mal antigo e inimaginável.
Karen Alvares é um dos expoentes de literatura de terror e suspense psicológico no Brasil. Iniciou há cinco anos a carreira literária, com livros autopublicados e publicados a convite de editoras, e já conquistou prêmios em alguns de seus contos publicados em antologias e romances, com destaque para o Celebrando Autores Independentes, da Amazon, na Bienal do Livro São Paulo 2016. Autora de Alameda dos Pesadelos (Cata-vento, 2014) e de Inverso e Reverso (Draco, 2015 e 2016), vive em Santos/SP.
Um conto muito bem escrito, bastante instigante, de um fantástico todoroviano que nos deixa na dúvida até o fim. Aconteceu ou não? Ela está doida ou não? Impossível não sentir a aflição da protagonista, mesmo se não conseguimos a entender o tempo todo.
Eita! Li esse conto numa só sentada, absolutamente envolvido com tudo. A escrita da Karen é daquelas que te prendem com facilidade, bem como histórias de suspense eficientes costumam fazer. Apesar de ser uma história curta, o leitor consegue ter uma visão muito clara de quem é a protagonista, além de poder acompanhar a evolução dela no desenrolar da narrativa. O avô da Cecília é o tipo de pessoa capaz de ser amada e odiada na mesma medida, e é excelente a forma como a personalidade dele dialoga com a personalidade da protagonista.
A autora toca em questões como família, afeto, memória e esquecimento, e pude reconhecer nas palavras dela várias questões em que costumo pensar, o que só contribuiu para o meu envolvimento com a história. Todos esses méritos são costurados por um elemento fantástico que torna a história imensamente intrigante e, no fim, entrega os sustos e o friozinho de medo que se espera de um conto lançado em pleno Halloween. Eu literalmente sacudi o Kindle tentando fazer aparecer mais páginas, o que só prova que a escrita da Karen tem o poder de causar reações viscerais nos leitores.
Uma leitura rápida, porém muito imersiva e intrigante. Gostei bastante de como as coisas bizarras foram se intensificando ao longo do conto. É quase como um efeito cascata do horror. A frase inicial sobre as vezes ser preferível não saber se mostra cada vez mais adequada em cada linha até o fim da história.
Ah! Como é bom ler Karen Alvares. Em poucas páginas ela consegue escrever uma história instigante, com personagens complexos, com aquela dose exata de suspense. Cheio de mistérios, "O Fim e o Começo de Todas A Coisas" vai te seduzir como uma sereia e ainda vai te causar certa repulsa com a nojenta - e colossal - barata do mar.
Que conto incrível! Recomendo demais, a ambientação e o modo como mergulhamos naquela escuridão da personagem é incrível. Tô com frio na barriga até agora.
Então, fiquei olhando para a página sem acreditar que acabou. Ao mesmo tempo perdida e tentando entender o final. A escrita é muito envolvente e você não vê o tempo passar. A história em si achei ok. Um final mto repentino e sem sentido.
terminei a leitura e dei risada me perguntando: o que aconteceria se todos os pequenos burgueses percebessem a monstruosidade das vidas que levam, promovem e multiplicam? ao mesmo tempo, num ataque coletivo de perspectiva? ia ser muita louça quebrada e muita cortina pegando fogo.
ler esse conto me deu vontade de reler algo do gorki.
Quando leio as histórias da Karen fico tão imersa nelas que sempre sonho com algo relacionado, é impressionante. Esse conto não foi diferente, foi bem rápido de ler mas super envolvente, bastam poucas páginas pra mexer com nossa cabeça.
Dos textos que já li da Karen, esse foi o que mais gostei! Tem um ritmo bom e personagens com atitudes bem desprezíveis, o que pode ser uma causa para a sua assombração. Pelo menos, eu teorizei dessa forma. Aconselho muito a leitura que é super rapidinha!
"Para uma pessoa que valoriza tanto o intelecto, eu não imaginava que a ignorância poderia ser tão benéfica. Em algumas situações, o conhecimento de todas as coisas além de não ser saudável, é também perigoso. Quanto mais sabemos, mais queremos saber e mais perigo corremos. A ignorância é segura. Confortável. Às vezes é melhor não saber."
Cecília tem uma relação de amor e ódio com o avô e é desconcertante perceber o quanto é parecida com ele. É um conto curto que vai trazendo os elementos de horror aos poucos e deixando dúvidas sobre o que é real. Gosto da escrita da autora, mas esse é o segundo conto que leio dela que termina no clímax, me sinto um pouco dividida, gosto da abordagem e da dúvida, mas parece que fica faltando alguma coisa.