Olhando para aqueles que o aplaudiam em frente da Assembleia Nacional, Marcello Caetano não podia deixar de pensar que tudo aquilo era um equívoco.
Planeara reformar o Estado Novo – e os que ali estavam eram precisamente os que pretendiam que nada mudasse, eram os que o vaiariam se pretendesse encontrar uma saída para a guerra, eram os que exigiam que em Portugal e nas colónias tudo continuasse na mesma.
Desgraçadamente, os que desejavam a mudança tinham-se afastado dele, deixando-o só, entregue ao inimigo.
A Primavera acabara há muito e já chegara o Inverno.
Termino esta trilogia muito mais rica e preenchida! Não há nada melhor do que aprendermos com a nossa história, que parece tão longe, mas está bem mais perto do que aquilo que queremos fazer parecer! Aprendamos com os erros do passado, para não ficarmos presos no Inverno
O terceiro livro encerra um conjunto de três livros da história de Portugal no tempo do fascismo. Uma frase de Marcelo Caetano no livro vai ao encontro do que eu procurava: "A sociedade portuguesa, habituada durante muitos anos à proteção paternalista, não estava preparada para um ambiente de discussão e de luta." Ao fim de quase 50 anos de liberdade, infelizmente, evoluímos muito pouco culturalmente. Com uma agravante: enquanto no tempo do fascismo esse paternalismo era-nos imposto, nos dias de hoje, somos nós como povo que o escolhemos: estado gordo, paternalista, que pretende tomar conta de nós, mas que no final impede cada um de nós de evoluir e realizar o seu potencial. No fundo o socialismo em que vivemos, não deixa de ser muito parecido com o fascismo de Salazar. Até no controlo dos media, no engano às pessoas, no não explicar as razões das decisões, na prepotência de algumas decisões. E não fosse a guerra do ultramar, possivelmente hoje ainda viveríamos sob um regime fascista. Marcelo Caetano também não teve a força necessária para a liberalização do país. Definitivamente a não perder, estes três livros, para perceber o estado triste a que chegámos, de ser hoje em dia, um dos países mais pobres da Europa.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Talvez não tão cativante como os anteriores dois volumes, que envolvem a genialidade política de Salazar e até a conspiração em torno da queda da cadeira, mas uma excelente leitura para aprofundar conhecimentos em relação à fase final do Estado Novo, com espaço ainda para abordar, já no final do livro, mas ainda com algum detalhe, o 25 de abril de 74.