Nos ensaios que compõem este livro, Chartier – dialogando com autores como Braudel, Febvre, Ricouer e Freud – analisa esses processos, abordando as continuidades e rupturas em relação ao tratamento que é dado aos livros nas editoras dos dias atuais. O cuidadoso exame de palavras, sentenças, pontuação e traduções emoldura o quadro da produção do livro através do tempo. Estão em foco os autores que vêm se dedicando ao exame minucioso dessas camadas de sedimentos textuais, em busca dos rastros que o processo editorial deixou depositados sobre os textos no decorrer da História. Tomando as obras de Cervantes e Shakespeare como exemplo dos efeitos e variações “impressos” pelo processo editorial, Chartier investiga também a constituição do cânone literário e a noção de autoria nos séculos passados.
Roger Chartier is a French historian and historiographer who is part of the Annales school. He works on the history of books, publishing and reading. He teaches at the École des Hautes Études en Sciences Sociales in Paris, the Collège de France, and the University of Pennsylvania.
Roger Chartier développe une approche historique du texte. D'abord en montrant que le manuscrit tel que l'on l'entend aujourd'hui ("pur" venant directement de la main de l'auteur) prend sa forme au XVIIIeme siècle. Ensuite, en montrant les différentes formes qu'a put prendre "l'esprit de l'imprimeur" notamment avec le paratexte, et la réception de l'oeuvre de Cervantes.
A mão do autor e a mente do editor” de Roger Chartier foi publicado pela @unespeditora com tradução de George Schlesinger.
Aqui o autor vai voltar no tempo, para logo após a invenção da prensa móvel de Gutenberg para esmiuçar as etapas do texto desde a concepção do autor, até sua versão finalizada impressa.
Entre os séc. XV e XVII o texto entregue pelo autor era modificado pelo amanuense profissional que fazia o “cópia limpa” a ser enviada para o censor que também poderia alterar o texto. Se liberado, o texto seguia para as oficinas, onde o editor de cópia fazia modificações no texto e inserção de pontuação - pouquíssimos autores pontuavam os próprios escritos 🤡 - , o texto seguia para a gráfica onde os compositores alteravam o texto de acordo com a diagramação desejada, muitas vezes suprimindo ou acrescentando frases.
Em alguns casos - principalmente na Espanha -, os censores conferiam o “manuscrito limpo” com a cópia impressa e muitas vezes arquivavam o manuscrito limpo. Mas na maioria das vezes, os manuscritos eram descartados assim que terminava a impressão. Por isso é tão difícil encontrar manuscritos assinados que datam de antes de 1750. Poucas vezes o próprio autor fazia a revisão do texto finalizado.
Foi uma leitura interessante, aprendi alguns fatos novos, mas achei um pouco repetitivo. Esperava mais conteúdo sobre a relação de autor e editor.
“Numa época em que os autores geralmente recebiam apenas exemplares de seus trabalhos, os tradutores de Paris foram os primeiros a serem pagos em dinheiro.” p.181
Ah! Fãs de Shakespeare e “Dom Quixote” de Cervantes, vão encontrar muitos fatos interessantes sobre a escrita e publicação dessas obras.