A pandemia tornou as crises mais agudas. As emoções parecem estar à flor da pele. Se estávamos buscando formas de mantê-las sob controle, ou sob anestesia, agora parecem ter obtido um passe livre para circular sem tanta repressão. Como não escutar esse caos que parece explodir em forma de revelação? Este livro explora o impacto do vírus em diversas esferas da vida: amor, ódio, família, amigos, trabalho, morte. Com a verve e a inteligência que fizeram dela uma das psicanalistas brasileiras de maior projeção nos últimos anos, Maria Homem oferece alento nesse momento de incerteza e examina formas de angústia que falam direto ao lado sombrio de cada um de nós.
Maria Homem é psicanalista, pesquisadora do Núcleo Diversitas FFLCH/USP e professora da FAAP. Com pós-graduação em Psicanálise e Estética pela Universidade de Paris VIII, Collège International de Philosophie e Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, é autora de COISA DE MENINA? e NO LIMIAR DO SILÊNCIO E DA LETRA, entre outros.
O capítulo inicial e o capítulo final são excepcionais, incríveis instruções para lidar com o Eu e com o Luto nesses tempos estranhos. (Nos demais capítulos o livro acaba por ter um recorte muito específico de classe que, apesar de não ser um defeito, impede que ele ressoe de forma mais potente dentro de pessoas que não se identificam com aquele estilo de vida para o qual o livro se dirige).
Pra quem faz análise e tá acostumado a ouvir o que Maria Homem tem para falar (e, principalmente, digerir todos os chacoalhões pertinentes que ela nos dá), o conteúdo do livro não parece ser tanta novidade assim. Porém, dado o período que estamos vivendo (covid19), faz bem a leitura e reflexão sobre todos os fantasmas escondidos nos porões do nosso inconsciente que a pandemia - e tudo o que dela se deriva - trouxe à tona.
“Aos vivos resta seguir. Com todos os outros e com os mortos que carregamos. E aqueles aos quais convidaremos à vida também.”
Maria Homem escreve muitíssimo bem. Foi uma delícia ler. E, óbvio, enquanto lê-se imagina-se como se fosse ela falando em alguns de seus vídeos. Esse livro é quase um ensaio, mas nada muito aprofundado. É mais provocador. Dá para ler em uma tarde e dar uma mexida. Recomendo.
duas estrelas e meia** primeira psicanalise-auto-ajuda especificamente sobre a pandemia q leio. boas reflexões sobre luto, rituais e encontros, bom pra se identificar com categoria e consolo. Leitura rapidinha. E o que nao gosto dos videos maria homem, uma retorica meio irônica e cheia de exemplos metáfora - naquela pose de psicanalista poltrona pomposa - aqui fica diluído na prosa q li na minha voz triste portanto nao pomposa.
Aproveitando o ensejo da pandemia, a autora, que é psicanalista, tece considerações interessantes sobre o comportamento e situações que estamos vivendo. Dá para nos identificarmos em vários momentos. Me parece mais uma série de artigos reunidos em forma de livro, e não um texto que se aprofunda no tema. Não vejo como um clássico, que vá resistir ao tempo, mas é um depoimento interessante.
“Como suportar o indefinido e o não saber? Justamente: não podemos sustentar o desconhecido sem nos conhecer e fazer o luto de fantasias de domínio e controle.”
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“Qualquer que seja o formato, como ultrapassar a tristeza e o trágico de qualquer luto? É preciso elaboração e o tempo […] Para, enfim, poder realizar a operação central do luto: pegar um pouco daquilo que se foi e fazê-lo nosso. A identificação com um traço do objeto perdido, essa é uma via possível. Pegar um gosto, um gesto, um sorriso, uma mania, um objeto que era do outro e que de agora em diante faremos nosso.”
Que livros, minhas amigas e meus amigos. Um olhar cirúrgico e minusioso sobre a nossa condição humana individual, privada e coletiva. Uma luz sobre o lugar da falta e da incompletude, e uma reflexão sobre o eu e a alteridade. Leitura obrigatória para a vida pós pandemia.
A psicanalista explorou de modo preciso o impacto emocional da pandemia, tanto na visão de nós mesmos quanto nas relações com os outros, até então despercebidos.