Fruto de três anos de profundas pesquisas, História do cinema mundial traz um viés inédito para o estudo do tema: o enfoque geográfico e cultural da sétima arte. Na primeira parte do livro, Franthiesco Ballerini explica como se formaram as principais indústrias cinematográficas do mundo, como Hollywood e Bollywood. Em seguida, passeia pelos movimentos cinematográficos mais emblemáticos do planeta – como o Neorrealismo italiano e a Nouvelle Vague francesa. Na terceira parte, o autor faz uma análise do melhor cinema feito em cada continente, especificando aspectos culturais, estéticos e de linguagem. Utilizando o didatismo que lhe é característico, Ballerini se dirige a estudantes de artes e comunicação, profissionais do cinema e do audiovisual, professores e artistas. Na obra, o leitor também encontrará: pequenas sinopses dos filmes mais importantes; curiosidades sobre os bastidores da indústria cinematográfica; listas com os filmes essenciais; lindas fotografias que ajudam a contar a história de cada capítulo; índice onomástico composto por todas as películas citadas e por diretores, atores e produtores.
Este livro é uma afronta a qualquer leitor com o mínimo de entendimento sobre história mundial, teoria do cinema e crítica cinematográfica. Tentarei ser o mais respeitoso possível com o autor, mas é inevitável reconhecer que as limitações da obra derivam, em grande parte, do fato de seu autor ser jornalista. Isso, por si só, não é um problema, mas explica a fragilidade teórica e o superficialismo analítico com que o livro trata temas complexos.
Nada impede um jornalista de se tornar um bom crítico de cinema ou de conduzir um estudo histórico consistente sobre a produção cinematográfica mundial. O ponto é que isso exige uma base teórica sólida e rigor na abordagem de cada região, autor e obra, elementos que aqui simplesmente não existem.
Logo nas primeiras páginas, o autor praticamente se desculpa por tentar condensar a história do cinema mundial em apenas trezentas páginas. O reconhecimento da limitação, porém, não o impede de seguir adiante em sua empreitada, e é justamente aí que reside o maior erro. Se o próprio autor admite a impossibilidade da tarefa, por que não focar nas áreas que domina, em vez de se arriscar a “explicar” o desenvolvimento cinematográfico de tantos países? O resultado são comparações absurdas, analogias forçadas e uma enxurrada de opiniões vazias, desprovidas de qualquer fundamentação.
Some-se a isso um viés histórico difícil de ignorar: quase cem páginas dedicadas ao cinema dos Estados Unidos e uma única menção ao Código Hays, peça central da cultura e da indústria americana. Em contrapartida, capítulos sobre China, Índia e outros países do Sul Global são organizados em torno da censura, frequentemente acompanhados de juízos sumários sobre “falta de criatividade”. A seletividade não é apenas desequilibrada; ela distorce o objeto, reduzindo cinematografias inteiras a estigmas explicativos.
A incoerência se agrava quando problemas estruturais são relativizados no Norte Global e amplificados no Sul, sem critérios claros, método comparativo consistente ou bibliografia que sustente os diagnósticos. Falta rigor, falta medida e falta, sobretudo, responsabilidade com o que se afirma.
Em síntese, trata-se de uma introdução apressada que pode enganar o leitor desavisado, mas falha com quem procura compreensão séria do cinema enquanto arte e fenômeno histórico. Para estudo honesto, é melhor buscar obras que unam método, contextualização e leitura crítica real das filmografias, sem hierarquias fáceis nem atalhos explicativos.