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Poesia Completa

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"Cacaso tem o gênio brasileiro da fala macia, sensual e maliciosa. É da família de Bandeira, cuja linguagem é sem artifícios", define Francisco Alvim. Em toda sua produção, que abarca poemas, ensaios, letras, contos e desenhos, Cacaso deixou sua marca registrada: sensibilidade combinada com olhar crítico, simplicidade com sofisticação literária, sutileza com ironia fina.

Poesia completa reúne os seis livros publicados pelo poeta -- de A palavra cerzida (1967) a Mar de mineiro (1982) -- e uma farta seleção de poemas inéditos recolhidos pela editora Heloisa Jahn dos cadernos do autor, além de sessenta letras de música. O volume traz ainda textos de Roberto Schwarz, Heloisa Buarque de Hollanda, Francisco Alvim, Vilma Arêas e Mariano Marovatto.

456 pages, Paperback

Published October 1, 2020

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About the author

Cacaso

15 books5 followers
Cacaso (Antônio Carlos De Brito) foi um professor universitário, letrista e poeta brasileiro.

Depois de viver no interior de São Paulo, mudou-se aos onze anos para o Rio de Janeiro, onde estudou Filosofia e, nas décadas de 1960 e 1970, lecionou Teoria da Literatura e Literatura Brasileira na PUC-RJ. Foi colaborador regular de revistas e jornais, como Opinião e Movimento, tendo, entre outros assuntos, defendido e teorizado acerca do cenário poético de seus contemporâneos, a geração mimeógrafo, criadores da dita poesia marginal, que ganhou publicidade com a antologia 26 poetas hoje, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda, com quem Cacaso, em janeiro de 1974, escreveu o artigo "Nosso verso de pé quebrado", no qual fazem uma síntese das poéticas de então. Seus artigos estão reunidos em Não quero prosa, publicado em 1997.

Com grande talento para o desenho, já aos 12 anos ganhou página inteira de jornal por causa de suas caricaturas de políticos. Antes dos 20 anos veio a poesia, através de letras de sambas que colocava em músicas de amigos como Elton Medeiros e Maurício Tapajós.

Como poeta estreou em 1967, com o livro A palavra cerzida, que foi recebida com entusiasmo por José Guilherme Merquior, por representar junto de Francisco Alvim a primeira geração "pós-vanguarda". Em 1974, lança Grupo Escolar, pela coleção Frenesi, composta também dos livros Passatempo, de Chico Alvim, Corações veteranos, de Roberto Schwarz, Em busca do sete-estrelo, de Geraldo Carneiro, e Motor, de João Carlos Pádua. Cacaso une-se então a outros poetas, como Eudoro Augusto, Carlos Saldanha e Chacal (Ricardo de Carvalho Duarte), formando a coleção Vida de Artista, pela qual lançou Segunda classe (em parceria com Luiz Olavo Fontes) e Beijo na boca, ambos em 1975. Depois vieram "Na corda bamba" (1978), "Mar de mineiro (1982) e Beijo na boca e outros poemas (1985), que reunia uma antologia poética da obra do autor. Seus livros não só o revelaram uma das mais combativas e criativas vozes daqueles anos de ditadura e desbunde, como ajudaram a dar visibilidade e respeitabilidade ao fenômeno da "poesia marginal", em que militavam, direta ou indiretamente, amigos como Francisco Alvim, Helena Buarque de Hollanda, Ana Cristina César, Charles, Chacal, Geraldinho Carneiro, Zuca Sardhan e outros.

No campo da música, os amigos/parceiros se multiplicavam na mesma proporção: Edu Lobo, Djavan, Tom Jobim, Toquinho, Olívia Byington, Sueli Costa, Cláudio Nucci, Novelli, Nelson Angelo, Joyce, Toninho Horta, Francis Hime, Sivuca, João Donato, Eduardo Gudin e muitos mais.

Em 1987, no dia 27 de dezembro, o Cacaso é que foi embora, prematuramente. Um jornal escreveu: "Poesia rápida como a vida".

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Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for sue rr.
961 reviews88 followers
March 4, 2024
(Releitura em março de 2024)
Tirei uma estrela de Cacaso, pois essa releitura me fez perceber que apenas a poesia me cativou mais, enquanto as letras de música não me tocaram quase nada. Não posso desconsiderar isso na hora de pensar nesse livro. Por outro lado, grifei versos novos. Sinal de que ainda bate.

_________

Simplesmente adorei conhecer a obra do Cacaso. É para reler constantemente.
Profile Image for Barbara Maidel.
109 reviews45 followers
May 31, 2023
CACASO SE FACILITOU PRA SER “MARGINAL” – E PIOROU

Se a avaliação artística profissional se deixa “contaminar” pelo gosto íntimo, não técnico, de quem avalia, ainda mais idiossincráticas, imagino, são as avaliações de leigos. Sendo leiga, então, aí é que me dou mais direito de destoar da celebração à poética recente do Cacaso, porque pra mim o seu melhor é lá do início, com as obras A palavra cerzida (1967) e Grupo escolar (1974).

A palavra cerzida começa com duas citações:

Mamãe vestida de rendas/ tocava piano no caos. (Murilo Mendes)

Na noite sem lua perdi o chapéu. (Drummond)


Acho engraçada a escolha dessas citações pra abrir o primeiro livro de poesias do Cacaso, porque ele, o livro, parece mesmo um misto de Mendes e Drummond – nas boas imagens às vezes absurdas – com alguma coisa do próprio poeta estreante. Mas não é essa obra um pouco impenetrável que vejo mais difundida, e os textos da fortuna crítica que acompanham este Poesia completa explicam o que aconteceu com ela e por que Cacaso se distanciou dela. Escolho, adiante, três momentos dessa fortuna pra justificar a mudança do poeta.

PRIMEIRO MOMENTO

No texto de Heloisa Buarque de Hollanda há a indicação de um leve menosprezo da autora pelo fato de A palavra cerzida não arrasar certa estética vigente:

Em 1967, Antônio Carlos de Brito lança ‘A palavra cerzida’, um livro ainda muito tímido e dentro dos padrões literários do momento.


(Comento que é melhor tímido e dentro dos padrões com qualidade do que ousado e fora dos padrões com fajutice. Não tenho muita simpatia por essa opinião da Heloisa, até porque sua crítica me faz lembrar que ela recentemente organizou a coletânea As 29 poetas hoje, um ARRASO no sentido pejorativo: a promotora de poetas “ousados” teve a coragem de colocar ali poetas marginais que parecem ter sido encontradas por acidente no ginásio de alguma escola que pontua mal no PISA.)

SEGUNDO MOMENTO

No texto de Francisco Alvim, um episódio do início dos anos 70, quando Cacaso ainda não tinha voltado a publicar poesia:

[…] ouvi de Cacaso que a poesia não estava dando pé. Ninguém lia, ninguém gostava e, reconhecia, o que se estava escrevendo não era, de fato, de se gostar ou ler.


TERCEIRO MOMENTO

E na seção Sobre o autor, escrita por Mariano Marovatto, este diz que “A recepção nula do livro [A palavra cerzida] acabou por se tornar um episódio definidor para o poeta”, e cita o próprio Cacaso:

O livro nunca foi lido, nunca foi comprado por ninguém. […] E eu fiquei depois disso uns sete anos [sic] sem conseguir escrever [poemas], porque foi uma coisa tão inexistente na minha vida, a publicação do livro, que eu tinha a sensação de ser editado e não ser.


*

O poeta foi mudando de rumo – provavelmente muito influenciado pelo fracasso de vendas do primeiro livro. Também estava conhecendo outras formas de poetizar: mais marginais, mais provocadoras, mais irônicas. E começou a andar com novas companhias. Assim sua obra posterior é totalmente diferente do que publicou nos anos 60 e no começo dos 70.

Pra efeito de comparação, um poema de 1965, intitulado Os elementos, que está em A palavra cerzida:

A tarde é uma mulher
de queixo incandescente.
Os olhos dos cavaleiros
são gêmeos do absoluto.

O demônio vem na brisa
mas não julgo: só contemplo.
Grandes poderes eólios
acima do bem e do mal.

Quem raptou Constância?
Quem vorazmente comunga
em seu pescoço andrógino?

Meu equilíbrio rompe no cio.
A tarde que vejo é severa
como um crânio golpeado.


Meio absurdo, e, na minha opinião, muito lindo e forte. Segue abaixo outro exemplo dessa época, que é uma das estrofes do conjunto Poemas brancos, de 1966:

Retomo da natureza
esta branca nostalgia.
Viajo pela matéria
de braços com satanás:
Ó anjo anunciador, levai-me ao passado
onde desmancharei a vida futura,
onde serei sinistro como
o coito
dos girassóis.


Agora vamos comparar esses versos, tão subestimados, com o que Cacaso estava fazendo em maior quantidade no final dos anos 70: poesia marginal. Em Na corda bamba, de 1978, há este poeminha chamado Façanha:

Tomou muita cachaça
Ficou lúcido
Quis se matar


Na mesma obra há vários desses poemas curtos que parecem exercícios de gracinha pra se adaptar ao Twitter – rápido e raso –, rede social que possivelmente teria agradado o então marginalizado Cacaso. Por exemplo, Célula mater, dedicado a Roberto Schwarz:

Unidos
Perderemos


Ou este, chamado Ecologia:

Num tá fácil, malandro,
A natureza tá ficando desarvorada


Ou este, chamado Um homem sem profissão:

Já que estava à toa resolvi fazer um poema
Agora faço pra ficar à toa


Tem um charminho? Às vezes até tem (não nos casos acima). Mas considero uma queda no abismo comparado com o que Cacaso publicou nos seus dois primeiros livros.

Na obra seguinte, Mar de mineiro, de 1982, há tanto poesia mais trabalhada quanto algumas peças preguiçosas. Um exemplo de que gosto muito é Táxi:

O poeta passa de táxi em qualquer canto e lá vê
o amante da empregada doméstica sussurrar
em seu pescoço qualquer podridão deste universo.
Como será o amor das pessoas rudes?

O poeta não se conforma de não conhecer
todas as formas da delicadeza.


E um exemplo fuleiro nessa salada é Temporada:

Se o porco é espinho
caço e asso
se o corpo é sozinho
traço e passo


Uns casos curtos são melhores que outros, claro. Acho espirituoso este Salário máximo:

De noite sou amante da empregada.
De dia sou patrão da amante.


Ou este Venus Brazil:

A cidade acampou na beira do circo.
O circo está de passagem.


No geral, entretanto, lamento a mudança do Cacaso, que parece ter partido daquela pressuposição errada de “se não estou vendendo desse jeito, devo fazer coisas novas”. Como se popularidade fosse garantia de que se está fazendo algo que tem valor.

Enfim, tudo isso explica por que estou dando 3 estrelas pra Poesia completa. Ela mistura o que considero elevado, o que considero popularesco – mas bem observado, sagaz –, e o que considero chinfrim, relaxado, apenas besta.

Também há uma seção com as composições do Cacaso pro universo da música, muitas delas a quatro mãos (com Edu Lobo, Sueli Costa, Joyce, Tom Jobim, Toquinho, Toninho Horta, etc.), que às vezes funcionam como poemas “silenciosos” e às vezes só ficam boas quando musicadas, mesmo, o que é possível verificar lendo os versos com a música tocando junto. Outra coisa que permeia a obra são imagens, tanto das capas dos livros do autor quanto de seus desenhos, geralmente de pessoas.

Um bom livro, no geral, com muitos altos e muitos baixos. Relerei apenas o que garimpei.

Sobre a edição: a Companhia das Letras tem tradição em fazer livros que são bonitos e funcionais. Este Poesia completa é agradável aos olhos – a capa e o projeto gráfico são de Elisa von Randow –, com tipografia harmoniosa em estilo, tamanho e cor (azul-escuro), elementos textuais bem distribuídos nas páginas, papel pólen soft. Os textos adicionais da fortuna crítica contribuem pra entender a vida e a obra do Cacaso, o que deveria ser costume quando se faz uma obra que reúne tudo de um autor (ou tudo de um gênero do autor, como aqui: toda a poesia).
Profile Image for dieguito ‧₊˚✩ ₊˚⊹♡‧₊˚.
194 reviews22 followers
December 13, 2022
🎒 amor por favor sem sermão não cria caso se prefiro cacaso a drummond

🎒 meus favoritos os livrinhos “beijo na bôca” e “na corda bamba”, reunidos dentro desse livrão com todas as outras publicações, algumas canções e desenhos do poeta mineiro. que delícia!
Profile Image for Clara Browne.
Author 18 books64 followers
February 16, 2024
fiquei bem frustrada, na vdd, o livro é bem meia boca, diria que escolar. um ou outro poema mais divertido, uma ou outra ideia interessante mas pouco desenvolvida.
Displaying 1 - 4 of 4 reviews

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