Mesmo antes da pandemia, Pondé entendia a ansiedade como um dos maiores problemas da atualidade. O coronavírus só aumentou isso ainda mais. A partir da filosofia, ele analisa a nossa ansiedade e aponta caminhos para lidar com ela, fala sobre vários aspectos da ansiedade: entre jovens, entre os mais velhos, dos pais, no mercado de trabalho, no mundo capitalista e até o papel dos "coachings" que provocam ainda mais ansiedade nas pessoas.
Pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap, discute temas como comportamento contemporâneo, religião, niilismo, ciência. Autor de vários títulos, entre eles, "Contra um mundo melhor" (Ed. LeYa). Escreve às segundas na versão impressa de "Ilustrada".
Pondé uses his wit and scholarship skills to not ask if we are anxious but to show us how we cannot be anything but anxious in our time. He points out the reasons within the pace of living, the relationship quality, economics, education, relationship to age being it new or old, values, politics, social networks, coaching and mantras, sex & desire, contingency and future. And they say philosophy can't be interesting.
Um livro agregador de se ler para os ansiosos. Muitas vezes nos culpamos demais, nos achando anormais pela ansiedade ser presente em nossa vida e Pondé nos mostra o quanto a sociedade que estamos inseridos por si só possui diversos agentes causadores de ansiedade - alguns mais fáceis de desviar, outros impossíveis. Um livro fácil de ler - a linguagem de Pondé é simples e direta - e rápido.
Niilismo é a forma mais radical de melancolia filosófica em relação ao mundo, na medida em que afirma ser este, e nós dentro dele, fruto do nada e estarmos vocacionados ao vazio. Esse vazio não é mera abstração, mas vazio de expectativas construtivas, fundamentação de valores, adesão a sistemas políticos não destrutivos, enfim, a negação pura e simples de qualquer esperança no mundo.
Uma das maneiras mais seguras de você ser uma vítima da era da ansiedade é querer ser sempre um vencedor e querer sempre saber tudo de tudo.
A ansiedade se relaciona diretamente com a busca de felicidade, de sucesso e de progresso. Como não há como recusar esses três comportamentos hegemônicos, uma das soluções para a ansiedade talvez seja a desistência estoica da vida, o que exige muito amadurecimento, recurso escasso no século XXI
Suspeito que esse vínculo entre ansiedade e possibilidade de prosperidade jamais será quebrado em nosso mundo contemporâneo pautado pela produtividade e eficácia. Ao contrário, creio que quanto mais estratégias de base cognitiva comportamental superficiais, como o coaching, forem montadas e vendidas, mais ansiedade. Nesse sentido, essas estratégias são elas mesmas ferramentas que alimentam o mercado da ansiedade: o objetivo final do coaching é deixar você ansioso fingindo que não.
Uma das estruturas dinâmicas da era da ansiedade é a relação econômica entre os mais ansiosos e os menos ou quase não ansiosos. A competência cognitiva e ética leva à ansiedade. Aliás, em nossa era, praticamente, toda forma de competência (ou busca por competência) leva à ansiedade.
O movimento hippie nasce da recusa do serviço militar obrigatório para a guerra do Vietnã.
Toda vez que um filho é um “projeto”, ele será um ansioso em alto nível. Ninguém pode suportar o peso de ser um projeto dos pais sem pagar um alto preço em termos psicológicos. Os normais fracassos da vida real se tornam pesadelos especiais para esse adolescente.
Jovens de classes sociais menos favorecidas tendem a mostrar mais resiliência, capacidade de decisão, coragem de investir na vida, e, por isso mesmo, devem ser alvo de escolha das empresas.
A incapacidade de sofrer é forte causadora de ansiedade entre esses jovens.
Amadurecer implica certa dose de tristeza acolhida no coração de qualquer um
a emancipação feminina joga a mulher na mesma armadilha em que vive o homem: ser eternamente operacional e fingido até morrer.
A prova do caráter patogênico do discurso da fluidez identitária é o número de depressão, suicídio e desajuste social que essas pessoas passam. Tudo sobre as bênçãos da paranoia da interseccionalidade.
Uma das vantagens da maturidade é poder repousar no próprio ser que você carrega em si mesmo.
O gozo da paranoia é uma manifestação “erótica” da ansiedade.
Falamos demais, nos informamos demais, entramos em contato com conteúdos e pessoas demais, criando uma saturação geral de relações a distância, gerando um ambiente de ruído que nunca conhecemos em nossos cem mil anos de existência.
A ansiedade tem a qualidade de corroer a vida psíquica por dentro, como uma praga de gafanhotos nas entranhas da alma.
o fato indiscutível é que não existe pesquisa em ciência que gere longevidade e alguma forma quimicamente sustentada de bem-estar sem o trabalho sério da indústria.
A vida é um enredo cheio de experiências ambivalentes: amor, ódio, sucesso, frustração, fidelidade, traição, riqueza, pobreza e morte. E em todas elas a suficiência e a autonomia são bastante mitigadas.
Death positive é um movimento norte-americano que visa transformar a morte num ato político ou num ato que funde tradições. Implica que você desde jovem pense em seu enterro.
o ressentimento é um afeto triste que pode durar a vida toda e se desdobrar em várias outras formas de afetos tristes, como raiva, rancor, busca desenfreada por autoafirmação, incapacidade de empatia e amor, enfim, uma cascata de afetos tristes.
Aceitar uma razoável dose de descontrole sobre a vida é essencial para manter alguma elegância na era da ansiedade. Aceitar que você vai perder em algum momento também. Quem quer ganhar todas será sempre um deselegante.
O livro segue o padrão dos artigos que o Pondé escreve na Folha. São opinativos, mas a tese principal dele é mais ou menos constante: somos inadaptados ao mundo contemporâneo e à sociedade de consumo. Estamos, individualmente ou em sociedade, inapelavelmente perdidos. Existem forças fora do nosso controle que vão acabar por nos esmagar. E nós mesmos não nos ajudamos muito. A conclusão dele é “A antifragilidade é sobreviver graças à humildade, reverência e resiliência diante dos fracassos, da imensidão do universo, do mundo e da sociedade. Todos perdemos no final. A elegância é não derreter diante desse fato”. Enfim, pessimismo com uma moderada dose de niilismo.
O livro foi escrito no contexto da pandemia e discute como a ansiedade se faz presente de maneira quase estrutural em nossas vidas. Em um tom muitas vezes irônico, o autor levanta questões que nos convidam a refletir sobre a incorporação da ansiedade no cotidiano, as cobranças diárias, a obsessão pelo progresso e a ideia socialmente construída de sucesso. Algumas colocações soam excessivamente ácidas, mas, ainda assim, é possível concordar com o autor em certa medida. Trata-se de um ensaio curto, de leitura rápida, que oferece uma pitada de filosofia para pensar com mais cuidado muitas das nossas “lutas” diárias, que, não raro, acabam nos transformando em pessoas ansiosas.
Uma leitura curta mas interessante. Uma reflexão elegante e clara, sem perder a identidade forte do Pondé. É quase como se o conseguíssemos ouvir. Este livro apresenta uma análise bem informada da sociedade dos dias de hoje e é muito relevante aos tempos que vivemos.
O livro não promete "a cura" para ansiedade, mas informa o que pode causar. Muitas vezes não nos atentamos sobre várias hipóteses de causas de ansiedade. O conteúdo é muito bom, principalmente no momento em que vivemos.
Pondé foi perspicaz na apresentação de fatores na sociedade contemporânea que nos promovem constante mal-estar; a leitura provoca uma profunda análise sobre o contexto que estamos inseridos como sociedade.
Transfobia? Em um filósofo?! Estranho né! E o coqui samurai... Tipo estava tudo massa, aí o cara resolve destilar azedume. Prefiro acreditar que a situação estava difícil e o cara resolveu aceitar um financiamento de um bolsonarista. Não recomendo o autor.