Livro que reúne os textos que o autor foi publicando no jornal Expresso acerca da actualidade sociopolítica do país desde 2018 a 2020.
«Aqueles que recusam o socialismo de miséria (como Mário Soares o apelidava), o igualitarismo andrajoso e burocrático, são agora de ‘direita’. É fácil, portanto, nos tempos que correm, ser de ‘direita’. Basta, por exemplo, denunciar a colonização do PS, e sobretudo das suas novas gerações, pela beatice populista da defesa hipócrita dos deserdados reais e imaginários, segregada pelo BE e outras seitas menos bem-sucedidas. Seis anos de geringonça e de complacência para com adversários do nosso sistema de valores, cortejando-os, adulando-os, desdramatizando diferenças na esperança do voto indispensável quando chega a anual hora da verdade, ameaçam a alma do PS ou, como Soares lhe chamava, ‘a fronteira da liberdade’.»
Uma janela muito interessante para o pensamento de Sérgio Sousa Pinto, que se enquadra numa categoria perigosamente rara na política moderna em Portugal: a dos Homens que pensam pela sua própria cabeça. Sendo uma colecção de pequenas crónicas, há um claro fio condutor e temas recorrentes: a defesa da democracia, da liberdade e dos valores clássicos ocidentais, esquecidos e até repudiados por muitos dos que deveriam os seus defensores. Noutro país, Sérgio Sousa Pinto teria talvez sido um grande estadista. Infelizmente nasceu português.
Sérgio Sousa Pinto escreve como poucos e não pensa como muitos. Nota-se uma clara influência de Vasco Pulido Valente, mas o autor tem o seu estilo bem vincado. Um bom livro para quem procura um pensamento original sobre a espuma dos dias.