Um livro muito bem documentado sobre as trafulhices “científicas” que ajudaram a criar as Leis de Nuremberga e a “legalizar” o Holocausto, sobre as organizações que as fomentaram e difundiram e sobre os seus monstruosos responsáveis. Mas este é também um livro sobre a brandura dos castigos que os Aliados impuseram a muitos desses monstros e, ainda, sobre o vergonhoso recrutamento de alguns deles pela CIA, pela Marinha dos EUA e por Estaline no início da Guerra Fria. Sobre a edição portuguesa da Bertrand há que dizer que a tradução é bastante satisfatória e lamentar veementemente a inclusão das centenas de notas do autor em conjunto no final do livro, entre as páginas 313 e 336, e não em pé de página. Para ler um livro paginado desta forma (e isto parece estar a tornar-se uma moda) é quase indispensável ter quatro mãos; dois marcadores são mesmo MESMO necessários caso contrário é impossível fazer uma leitura corrida. Quem é responsável por uma produção tão estúpida como esta pode trabalhar com livros, a embrulhá-los, a expedi-los pelo correio, a abonecar montras com eles a arrumá-los nas estantes, porventura até a folheá-los, mas quanto a ler - nem um, pela certa!