«Foi ao escrever este livro que compreendi serem o nacionalismo e o patriotismo coisas diferentes: o primeiro é inseparável do desejo de poder, enquanto o segundo é meramente defensivo. O facto de a minha pátria ser Portugal não me leva a pensar que seja a melhor do mundo: reconheço tão-só que foi aqui que nasci, foi aqui que cresci, foi aqui que tive ‑lhos e netos. E agora, que me foge a curta vida, gosto mais dela porque finalmente me deu a oportunidade de pensar, falar e escrever livremente.»
MARIA FILOMENA MÓNICA nasceu em Lisboa, a 30 de Janeiro de 1943. Licenciou-se em Filosofia na Universidade de Lisboa, em 1969, e doutorou-se em Sociologia na Universidade de Oxford, em 1978. Colabora regularmente na imprensa. Entre outros livros publicados, é autora de «Eça de Queirós» (Quetzal, 2001), «Bilhete de Identidade» (Alêtheia, 2005) e «Cesário Verde» (Alêtheia, 2007). É investigadora-coordenadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Tendo-me sido oferecido neste Natal, dificilmente seria este um livro que comprasse, apesar do tema me interessar. Acabou por se revelar não só muito diferente do que o que o título me sugeria, como também muito mais interessante.
'O Meu País: Notas Sobre o Nacionalismo' é uma grande aula da História de Portugal entre as Invasões Francesas, no inicio do séc. XIX, e a actualidade. Um período que foi quase totalmente esquecido no meu percurso escolar, revelando-me esta leitura a instabilidade que, exceptuando o Estado Novo e a actual "fase Europeia", acompanhou Portugal quase em contínuo. Julgava eu ter sido o período da 1ª República (1910-1926) o apogeu da confusão. E talvez tenha sido, mas exceptuando curtos períodos, o séc. XIX também o foi, levando-me a concluir, no final da leitura: Como é que, com tamanha desorganização, nos aguentámos até hoje enquanto país?
Alguns populismos enraizados encontram nestas palavras hipóteses de interpretação: "Isto só lá vai com um ditador", "Orgulhosamente sós" ou "Há nos confins da Ibéria um povo que não se governa nem se deixa governar". Muito mais fica por investigar, mas conhecer o percurso que nos trouxe até aqui, por que reagimos do modo como o fazemos e constatar que não somos hoje assim tão diferentes dos portugueses de há 150 anos, é um primeiro passo para actuar sobre o presente (e o futuro).
Um retrato frontal (como MFM nos habitua) do nacionalismo e patriotismo português após o ultimato britânico. «Foi ao escrever este livro que compreendi serem o nacionalismo e o patriotismo coisas diferentes: o primeiro é inseparável do desejo de poder, enquanto o segundo é meramente defensivo. O facto de a minha pátria ser Portugal não me leva a pensar que seja a melhor do mundo: reconheço tão-só que foi aqui que nasci, foi aqui que cresci, foi aqui que tive filhos e netos. E agora, que me foge a curta vida, gosto mais dela porque finalmente me deu a oportunidade de pensar, falar e escrever livremente.»
Uma incursão no conceito de nacionalismo, partindo de uma análise, interessante como sempre, da nossa História, sobretudo desde o ultimatum inglês até à adesão à CEE. Muito lúcido e interessante. Vale a pena, como sempre valem a pena as visões de Maria Filomena Mónica.
Já li vários livros da Filomena Mónica e este é um pouco diferente dos outros. Este livro é mais um ensaio histórico-literário do que propriamente um livro de história/sociologia convencional. A primeira coisa que devemos saber sobre a autora é que a mesma é uma anglofila contumaz, o que contrasta com boa parte da historiografia portuguesa - o que a meu ver é refrescante. O pragmatismo e a lucidez da escola inglesa fornece uma leitura prazerosa ao leitor. O livro expressa a vasta experiência da autora nas áreas de investigação a que se dedicou, sendo até possível revisitar algumas asserções das suas publicações anteriores. Há também um lado pessoal neste livro que pode distrair o leitor, mas a autora não para de educar-nos com a sua erudição. Recomendo vivamente.
Excelente livro, como sempre por MFM escrito de forma direta, pragmática, correta e ainda assim com sentido de humor. Confesso que pelo título julguei tratar-se de um relato mais pessoal sobre Portugal e não de um trajeto histórico mais objetivo, mais ainda assim gostei muito de todos os capítulos e com todos aprendi. Desenvolvi uma noção melhor é provavelmente mais correta do período conturbado que foi a 1a República e como provavelmente levou ao desenvolvimento do Estado Novo, entre outras sementes cujos frutos colhemos hoje em dia.