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Felicidade

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Uma história de amor e assombração nas décadas que transformaram Portugal. PRÉMIO LITERÁRIO FERNANDO NAMORA - ESTORIL SOL 2021 FINALISTA DO GRANDE PRÉMIO DE ROMANCE APE - ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ESCRITORES Lisboa, 1973 Nas vésperas da revolução, um rapaz de dezassete anos, filho de um pai conservador e de uma mãe liberal, cai de amores por Felicidade, colega de escola e uma de três gémeas idênticas. As irmãs Kopejka são a grande atracção do bonitas, seguras, determinadas, são fonte de desejos e fantasias inalcançáveis. Respira-se mudança -a Europa a libertar-se das suas ditaduras e Portugal a despedir-se da velha ordem - e vive-se a promessa da liberdade, com todos os seus riscos e encantos. É neste tempo e neste mundo, indeciso entre tradição e modernidade, que o nosso narrador cai num abismo pessoal. A primeira noite de amor com Felicidade acaba de forma trágica, e o jovem vê-se enredado na malha inescapável das trigémeas Kopejka, três Fúrias que não tem poderes para controlar. À semelhança de uma tragédia grega, o herói encontra-se subjugado por forças indomáveis, preso entre dois mundos. Um romance enfeitiçante, repleto de ironia e humor, de remorso e melancolia, em que João Tordo aborda os temas do amor e da morte, e das pulsões humanas que os unem. Sobre a obra de João «João Tordo tem uma capacidade enorme de efabulação que não se encontra facilmente.»
José Saramago «Tal como o Nobel José Saramago, João Tordo põe em questão, com o seu talento, a crença numa identidade própria à qual nós, os humanos, estamos apegados.»
Le Monde , França «Um romance que se abreem escuridão e labareda, para que nos vejamos ao espelho.»
José Tolentino Mendonça (sobre O luto de Elias Gro ) «Uma escrita vibrante, capaz de momentos de grande intensidade expressiva ou de inesperado lirismo.»
José Mário Silva, Expresso (sobre O luto de Elias Gro ) «Há-de guardar lugar próprio e intransmissível entre as melhores obras da literatura portuguesa contemporânea.»
João Gobern, Diário de Notícias (sobre O luto de Elias Gro ) «Tordo não dá respostas. Alimenta cuidadosamente a ambiguidade, o paradoxo, como se fizessem parte de um silêncio cujo mistério não quer desvendar.»
Isabel Lucas, Público (sobre O Paraíso segundo Lars D. ) «João Tordo cria dois palcos contíguos, que equilibra entre o atrevimento cruel que o realismo comanda e o clima introspectivo que dele resulta, conjugados com particular desenvoltura e absoluta eficácia.»
Lídia Jorge (sobre O deslumbre de Cecilia Fluss ) «Um romance extraordinário, que se lê à transparência de um talento mais do que confirmado, porventura único entre nós, na primeira linha das vozes literárias da geração a que pertence.»
João de Melo (sobre O deslumbre de Cecilia Fluss ) «A trilogia dos lugares sem nome, assinada por João Tordo, está entre omelhor que a literatura portuguesa nos ofereceu nos últimos vinte ou trinta anos.»
Pedro Miguel Silva, Deusmelivro «Uma narrativa com um cunho muito próprio e um dos registos mais pessoais e intensos desta geração.»
João Céu e Silva, Diário de Notícias (sobre Ensina-me a voar sobre os telhados ) «Um romancepoderoso, inquietante e profundamente lírico.»
Helena Vasconcelos, Público (sobre Ensina-me a voar sobre os telhados ) Sobre a obra de João «João Tordo tem uma capacidade enorme de efabulação que não se encontra facilmente.»
José Saramago «Tal como o Nobel José Saramago, João Tordo põe em questão, com o seu talento, a crença numa identidade própria à qual nós, os humanos, estamos apegados.»
Le Monde , França «Um romanceque se abre em escuridão e labareda, para que nos vejamos ao espelho.»

354 pages, Kindle Edition

First published October 20, 2020

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About the author

João Tordo

44 books1,781 followers
João Tordo was born in 1975. He has published twenty-one books - novels, crime novels and essays - and received several awards, including the José Saramago Literary Prize 2009, the Fernando Namora Prize 2021 and the GQ Prize. He was a finalist for many other awards, including the European Literary Prize, the Fernando Namora Prize, the Oceanos Prize and the PEN Club Prize. His books have been published in several countries, including France, Italy, Germany, Hungary, Spain, Croatia, Serbia, Czech Republic, Mexico, Argentina, Brazil, Uruguay and Colombia.

João Tordo nasceu em Lisboa em 1975. Publicou vinte e um livros - divididos entre o romance, o policial e o ensaio - e recebeu diversos prémios, incluindo o Prémio Literário José Saramago 2009, o Prémio Fernando Namora 2021 e o Prémio GQ. Foi finalista de muitos outros prémios, incluindo o Prémio Literário Europeu, o Prémio Fernando Namora, o Prémio Oceanos e o Prémio PEN Club. Os seus livros foram publicados em diversos países, incluindo França, Itália, Alemanha, Hungria, Espanha, Croácia, Sérvia, República Checa, México, Argentina, Brasil, Uruguai, Colômbia.

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Community Reviews

5 stars
384 (25%)
4 stars
674 (45%)
3 stars
338 (22%)
2 stars
77 (5%)
1 star
16 (1%)
Displaying 1 - 30 of 197 reviews
Profile Image for Inês | Livros e Papel.
626 reviews185 followers
September 6, 2023
3,5*

Neste novo livro de João Tordo, passado nos anos 70, conhecemos um rapaz de 17 anos de idade. Na escola conhece Felicidade, uma das famosas trigémeas Kopejka, e apaixona-se.

Na primeira noite que saíram juntos uma tragédia acontece. Esse acontecimento acaba por condicionar e modificar a vida do rapaz de uma forma muito profunda.

Uma história de amor, de melancolia e de como o passado pode deixar marcas profundas numa pessoa e não as deixa prosseguir.

Foi uma leitura que gostei bastante de ler mas que não me deslumbrou. Houve momentos que me senti presa à narrativa e momentos em que arrastei um pouco a leitura.

Na parte final da história, o destino das personagens acaba por ser inesperado e isso cativou-me novamente.
Profile Image for Cat.
1,168 reviews144 followers
October 24, 2020
Uau, que livro! João Tordo consegue, mais uma vez, entregar uma excelente história.

É uma tragédia à Portuguesa, em que o nosso protagonista nos narra como três raparigas, trigémeas, e mais tarde mulheres, lhe dão cabo da vida. A história é terrível, mas está cheia de humor negro e situações caricatas, o que a torna uma delícia de se ler.
Profile Image for Maria João (A Biblioteca da João).
1,390 reviews253 followers
November 13, 2020
8 de 10*

“Felicidade” foi, para mim, uma leitura de altos e baixos… Se, por um lado, tem a escrita exemplar de João Tordo, que me conquistou há já algum tempo e continua a conquistar a cada livro lido, por outro lado, o rumo da história, a dado momento, deixou-me um pouco perdida, não tanto pela temática, mas pela forma como foi abordada.

Comentário completo em:
https://abibliotecadajoao.blogspot.co...
Profile Image for Rita.
163 reviews
November 6, 2020
"Felicidade" tem tudo: tragédia, humor e passagens deliciosas. Fiquei ainda mais curiosa relativamente à leitura após ter lido as primeiras duas páginas. A história começa com a personagem principal, que é também o narrador, em frente à campa de três mulheres - as trigémeas - referindo-se a estas da seguinte forma:

"A primeira das trigémeas foi o meu grande amor; a segunda, a minha mulher; a terceira, participante involuntária na minha ruína. Juntas, elas destruíram a minha vida de maneira lenta e insidiosa, como uma matilha de cadelas que rodeia, dia após dia, um passarinho esfomeado, até este jazer morto no chão da sua gaiola. Finalmente, encontram-se saciadas."

Começando pelo contexto, temos uma personagem principal - cujo nome desconhecemos - que sabemos logo na primeira página ter tido uma vida trágica, associando essa ruína às trigémeas Felicidade, Esperança e Angélica. O enredo ocorre maioritariamente nos anos 70, década em que a nossa personagem principal vive a sua adolescência, percorrendo ainda a década de 80, acompanhando a vida adulta dessa personagem.

O mistério envolve toda a trama, quer através de personagens enigmáticas - destaque para as trigémeas e as suas personalidades distintas, mas igualmente enigmáticas - quer pelo suspense em torno da vida arruinada da personagem principal.

A história que o João Tordo relata tem várias características semelhantes a outras das suas obras - e que tanto prezo nos seus livros - em particular, um drama contínuo e um leque de personagens muito bem caracterizadas. Para além disso temos a escrita do autor que, para mim, é do melhor que temos na literatura portuguesa contemporânea.

Opinião completa em: https://clarocomoaagua.blogs.sapo.pt/...
Profile Image for Marta.
259 reviews20 followers
November 16, 2020
Enquanto lia este livro tive demasiadas sensações. Fiquei intrigada, chateada, aborrecida, divertida, chocada. Acho que este é o livro mais diferente do Tordo. O que não é necessariamente mau. Simplesmente é diferente e, por vezes, é preciso parar um pouco para o digerir. Acaba por ter uma linguagem à qual o autor nunca nos habituou, mas que faz todo o sentido quando enquadrado na personagem principal.
Como sempre, os finais do Tordo são surpreendentes e este foi fundamental para compreender toda a estrutura das personagens, as tramas e até os momentos que achei chatos e confusos. Afinal, tudo fez sentido no fim e senti que as pontas não ficaram, de todo, soltas. Acabou como tinha de acabar e isso faz com que nos seja mais fácil encerrar este livro e esta história.
É impressionante como um simples desfecho (ou se calhar não o chamaria assim) de uma personagem, faz desenrolar toda uma panóplia de desgraças e angústias que nos deixa também a nós angustiados. Houve momentos em que pensei desistir, parar de ler simplesmente ou retomar noutra altura, mas algo me fazia continuar a lê-lo e a querer saber mais.
Creio que este livro também surpreende por, na minha opinião, ser radicalmente diferente do que se espera e do que se lê na sinopse. Acho que gostei mais dele por isso.
Profile Image for Sara Jesus.
1,694 reviews124 followers
September 14, 2021
Acompanhar a jornada do narrador é um caminho torturoso. Sua vida é marcada desde do início de acontecimentos tristes. E todo deve-se as três Medeias. Felicidade, o seu grande amor, Esperança, a sua esposa, e Angélia a vitima indirecta do destino.

Contudo, apesar de o livro ser um tragédia do principio ao fim, encontra-se repleto de reflexões filosóficas sobre a vida, a morte, o amor e muitas referências a cultura clássica. Assim como detalha com pormenor a década de 70 e 80. Gostei principalmente das conversas com o fantasma de Felicidade. Apenas não gostei das partes referentes a vida sexual do narrador, achei um pouco exageradas.
Profile Image for Lúcia Fonseca.
303 reviews53 followers
November 15, 2020
Nesta nova obra de João Tordo acompanhamos a vida de um narrador desde 1973 até 1988 e a sua interação e relação com as trigémeas Kopejka, Felicidade, Esperança e Angélica.

A escolha do título do livro foi certeira e depois de concluir a leitura achei que não poderia ser outro. Felicidade é mesmo a figura central e isso também faz com que o nome do narrador acabe por ser irrelevante.

A história está dividida em três atos. No primeiro, além de ficarmos a conhecer as personagens, temos o evento mais marcante. O segundo ato é mais pausado e oferece uma visão mais profunda da vida dos protagonistas (imaginem o segundo volume de uma trilogia). No terceiro ato, os acontecimentos vão sucedendo-se em crescendo e culminam num desfecho imprevisível e digno de um filme.

Apesar de não superar o meu livro preferido do autor (até ver, "A mulher que correu atrás do vento") e com este já li cinco, mas não consigo não adorar este livro também. Tem referências a mitologia e cultura pop dos anos 70 e 80, o que torna a leitura ainda mais rica e interessante.

Não é história para toda a gente, mas quem costuma gostar dos livros de João Tordo também vai gostar deste.
Profile Image for Susana Frazão.
249 reviews2 followers
November 16, 2020
Mais uma obra maravilhosa de João Tordo, que o singra como um dos melhores escritores nacionais :)

Fenomenal :)
Profile Image for Joana.
371 reviews
January 13, 2021
Bem... que dizer deste livro? Gostei das descrições do Portugal antes e pós 25 de abril e como eram as vivências desses jovens e da escrita (nunca desilude). De resto, para mim, não há mais nada que se aproveite da história. O personagem principal é CHATO!
Quando a pessoa parte para uma leitura do João Tordo, sabe que a história tem um tom mais melancólico. No entanto, achei que pelo título e pela capa fosse um enredo mais alegre, com algum tom de esperança. Nada disso!
Entre almas penadas e pessoas que vivem no limbo (aqui refiro-me não ao limbo onde ficam as ditas almas penadas, que não seguem em frente, mas a um limbo simbólico - Aquelas pessoas que estão vivas e respiram, mas não fazem mais nada a não ser viver no passado, não aproveitando o presente) este livro tem uma história chata. Percebo que é esse o propósito, mas por causa disso, tornou a leitura muita morosa.
Realmente, só tenho pena que a Esperança não lhe tivesse com os pés à mais tempo... se calhar evitava o final trágico e talvez assim houvesse algum final menos infeliz para alguém.
Não dou menos que 3 estrelas porque está bem escrito e por ser João Tordo (que por norma, não desilude). Simplesmente, não é o meu tipo de história.
Profile Image for Ana Rute Primo.
277 reviews47 followers
January 10, 2021
❤️ boasleituras.pt ❤️

Bravo!
Foi a minha estreia com João Tordo e estou fascinada.
Estava com receio de me deparar com uma simples história de amor e fiquei extremamente surpreendida e agradada por não ter sido assim.
Que leitura fluida, que narrativa tão interessante e tão bem desenvolvida, que enquadramento, histórico, político e social, fantástico do pré e do pós 25 de Abril de 1974, as analogias com a tragédia grega e a mitologia.
Uma história incrível, nada exequível, com passagens de humor negro tão inteligentes que me arrancaram umas boas gargalhadas durante a leitura, ainda que a vida da personagem principal, o narrador, tenha sido frustrante e trágica.
Nem toda a gente irá gostar, tem muitas referências histórias e esmiúça a mitologia grega, enquanto vamos percorrendo a vida do narrador, entre avanços e recuos, entre muitas divagações.
O único ponto fraco é a constante referência ao sexo, o que não acrescenta brilhantismo à narrativa.
De resto, adorei!
Profile Image for Ana Carvalheira.
253 reviews68 followers
November 14, 2020
Narrativa notável que deambula entre o fantástico e o real, fantástico aqui entendido como suposto pacificador, embora incognoscível, do mundo da morte, de como ela afeta a nossa realidade, de como se atreve a determinar o nosso futuro, de como ousa agir sobre a nossa personalidade, sobre os nossos objetivos, sobre os introitos de vidas que, ainda em fase embrionária, se veem confrontadas com a pujança do trágico sem que, para isso, tenham feito algo de mal, de errado, de criminoso ou de indesculpável.

Dos livros que li de João Tordo, a “Biografia Involuntária dos Amantes” fora aquele que mais me falara aos sentidos; de “O Deslumbre de Cecília Foss” e o “Luto de Elias Gro” poucas memórias me restam. Mas “Felicidade” permanecerá comigo durante muito, muito tempo. Muito por força da excelente história que o autor nos conta e que recua ao ano de 1973, altura em que o inicio que nos faz recuar ao tempo da escola secundária (outrora liceu) onde muitos de nós viveram experiencias inolvidáveis, seja pela positiva, seja pelo lado negro das experiências de adolescentes que punham na componente sexual algo extraordinariamente premente para as suas relações sociais.

“Não sou necrófilo nem nada que se pareça. Há outras razões para a minha presença aqui, junto das campas de Felicidade, Esperança e Angélica. Mas não serão também essas razões a expressão de uma doença? A primeira das trigémeas, foi o meu grande amor, a segunda, a minha mulher; a terceira, participante involuntária da minha ruína. Juntas, elas destruíram a minha vida de maneira lenta e insidiosa, como uma matilha de cadelas que rodeia, dia após dia, um passarinho esfomeado, até este jazer morto no chão da sua gaiola”. Este parágrafo, cuja metáfora me pareceu incompreensível, foi o alento para continuar a leitura. E ainda bem que o fiz, pois estava prestes a conhecer uma história inaudita que só me fez parar no fim.

Contada na primeira pessoa, nunca nos foi permitido conhecer o nome da personagem principal, apenas sabemos que tem dezassete anos que tem como amigos António, Núncio e Lagarto quando conhece as trigémeas Kopejka que são a atração do Liceu Passos Manuel pela sua beleza e inteligência – “Para nós, as outras raparigas eram tão exóticas como as pedras da calçada”. Jovens, com as hormonas a explodir, não se sentirão alheios aos feitiços de três miúdas misteriosas que lhes tirarão o sono e lhes provocarão toda a espécie de erotismo, muito próprio das suas faixas etárias e das fantasias que a testosterona em estado puro, lhes provocam.

Filho de um arquiteto conhecido na altura e de uma mãe progressista que não via o dia em que a ditadura caísse por terra - este fator será determinante para a (des) construção da sua personalidade obediente -, o jovem apaixona-se por uma das trigémeas Felicidade. Poderia ter sido uma simples paixoneta de liceu se as circunstâncias não tivessem levado à morte da sua amada numa circunstância única e improvável. E será esse o motivo que determinará toda a continuidade de uma vida assombrada por um fantasma do qual não se consegue livrar.

Revezando a mitologia grega, com toda a sua tragédia, e a tragédia da sua existência, o jovem procura entender o seu fado, querendo fugir dele mas sem qualquer sucesso.

A sua situação torna-se absolutamente insustentável … a morte de Felicidade traz-lhe os piores dos pesadelos, as mais angustiantes agruras, o peso da responsabilidade de ter contribuído para o desaparecimento de uma jovem na flor da vida, cujo fantasma começa a aparecer-lhe tudo isso fará com que o nosso protagonista insista em “esquecê-la, a tenacidade de continuar a viver ignorando a sua impossível sombra”.

Mas isso não será exequível pois Felicidade insiste que o jovem profana o seu cadáver, principalmente, depois de ter contraído casamento com uma outra das trigémeas Esperança.
Não me quero alongar muito mais neste texto que apenas sugere os meus sentimentos e emoções em relação a este incrível trabalho de João Tordo. Como atrás fiz referência, trata-se da história de uma vida que poderia ter sido mas não foi, muito por força do destino, do universo, de deus ou do diabo que, por fios indeléveis, determinam os compassos, por vezes, irremediáveis e injustos que a vida nos coloca.

Muito mais poderia dizer acerca desta extraordinária narrativa mas o texto já vai longo. Para finalizar, deixo um trecho que, só por si, poderá aguçar o interesse pela leitura de “Felicidade”:
“Se havia alguma explicação para o poder das trigémeas sobre nós [e nós somos o narrador, António e Lagarto], ela residia na comparação com a tragédia grega à maneira de Eurípedes: o protagonista não era um herói ou um semideus, mas uma pessoa de carne e osso, insegura, atormentada por conflitos interiores. Assim era Lagarto, assim era eu. As nossas Medeias, as nossas Circes eram as irmãs Felicidade, Angélica e Esperança”.

Uma nota final apenas para referir um leve mas incisivo sentido de humor que, de quando em vez vai surgindo na narrativa aligeirando o peso de uma tragédia invulgar mas determinante.

Se João Tordo já era o meu autor português preferido, este "Felicidade" veio confirmar a minha contínua atenção pelo seu trabalho.
Profile Image for Fátima Filipa (Mimodoslivros).
341 reviews32 followers
January 11, 2021
3,5 🌟
Gostei do livro mas a história é muito deprimente, só tristezas atrás de tristezas. A surpresa foi a escrita do autor que não esperava gostar tanto e fiquei com curiosidade para ler outro livro do autor. Também gostei bastante da capa do livro .
A maior parte da acção do livro decorre em Lisboa nos anos 70 onde um rapaz (que não é revelado o seu nome ao longo do livro ), de 17 anos vive uma paixão avassaladora com Felicidade ,uma das trigêmeas Kopejka que não acaba da melhor forma .
As trigemeas Felicidade ,Esperança e Angelica são personagens densas e que irão trazer muito drama à vida deste rapaz que a toda a hora vê o infortúnio à sua porta.
O autor consegue formar uma história onde nos enreda e mantém-nos curiosos até ao final. Descreve-nos vidas de sofrimento, solidão, loucura, paixão, depressão. Relata músicas, objectos ,modas da altura que nos fez reviver momentos dessas épocas passadas.
Na minha opinião é um livro com uma história pesada e um pouco deprimente, onde o título é antagônico ao conteúdo.O autor poderia ter dado um pouco de alegria a este rapaz que viu a sua vida transformada num autêntico inferno: apaixonou-se por Felicidade, casou com Esperança e sonhou com Angelica. ☺🤔
Profile Image for Dulce.
615 reviews3 followers
July 13, 2023
Que história incrível, trágica e original, a década de 70/80, um amor de adolescência, que termina em tragédia, inexplicável para o personagem, mas real do ponto de vista ciência, a partir daqui a história torna-se um entrelaçar entre a nossa personagem principal, e os seres queridos que lhe foram roubados, pela guerra e pelas doenças inexplicáveis da vida.
Os acontecimentos históricos, enriqueceram a história do João (nome que eu mesma atribuí ao personagem principal), da Felicidade, da Esperança e da Angélica....como acabamos por não saber o nome do personagem principal, mas eu estava a atribuir-lhe o nome João, porque existe ainda toda a importância de um nome.
Já os amigos tem uns nomes originais e de alcunhas, que são tão características nossas.

A minha estreia com este autor e não é seguramente a última.
Profile Image for Carla.
185 reviews25 followers
March 28, 2021
Este é o segundo livro que leio de João Tordo. O primeiro livro que li deste autor foi "Ensina-me a voar sobre os telhados".

Dado que, João Tordo já escreveu quinze romances, sendo considerado pela crítica e pelos leitores como um dos melhores escritores da sua geração, assim como José Luís Peixoto e Afonso Cruz, entre outros, todos nascidos na década de setenta do século XX, ainda não consigo ter uma opinião conclusiva acerca da sua obra.

Mas tal como no livro "Ensina-me a voar sobre os telhados", "Felicidade", o nome da personagem por quem o narrador e protagonista desta obra se apaixonou com 17 anos, e que viria a amar toda a sua vida, apesar de a mesma ter falecido durante o primeiro encontro de ambos, quando tinha apenas 18 anos, conta-nos uma história muito triste, embora bela e escrita de forma poética.

O romance narra-nos a vida, na primeira pessoa, de um jovem de 17 anos, proveniente de uma família de classe média alta de Lisboa, filho único, cujo pai é arquiteto e um homem tranquilo, que aceita o regime marcelista, e a mãe, que estudara Psicologia e era abertamente contra a ditadura existente em Portugal, tratava-se de uma mulher moderna para o ano de 1973, data em que se inicia a história, e marcada, tal como o seu filho, pela morte ocorrida uns anos antes, do seu irmão mais novo, vítima de um ataque surpresa durante a guerra colonial na Guiné.

O narrador era um bom aluno, um excelente ginasta e tinha pela frente um futuro muito promissor, pensando ingressar no curso de arquitetura, seguindo as pegadas do seu pai.

Apesar de tímido, tinha três amigos, Núncio, sem grandes projetos de vida, pois era pobre, Lagarto, que queria ser realizador de cinema, e António, filho de um militar de alta patente, cujo pai pretendia que o mesmo seguisse a carreira militar, com personalidades muito distintas entre si, e provenientes de meios sociais diferentes, frequentando os quatro o Liceu Passos Manuel em Lisboa, onde as trigémeas Felicidade, Esperança e Angélica, causavam sensação, pela sua beleza, inteligência e coragem.

Mas após o falecimento de Felicidade, a vida deste altera-se completamente, pois o narrador culpa-se pela morte daquela e, a partir daí, o seu futuro segue um percurso totalmente distinto, bem como o das outras duas irmãs gémeas Esperança e Angélica, o que acaba também por interferir com as vidas de Lagarto e de António.

A morte de uma jovem de 18 anos, ocorrida no início de 1973, vai marcar a vida de todas as personagens do livro nos anos seguintes, durante as décadas de setenta e oitenta do século XX.

Apesar de muito bem escrito, com uma linguagem cuidada, mas escorreita, o que me permitiu lê-lo com facilidade, este fatalismo tão característico da literatura e da mentalidade portuguesas, como se o destino marcasse desde cedo as personagens, as suas decisões e a sua liberdade de escolha, condicionando-as sempre no sentido de as levar ao sofrimento e à desgraça final, não me seduz.
E já me cansam as histórias com personagens autodestrutivas, que por muito interessantes que sejam, acabam por conduzir-se a si próprias e aos outros no sentido do abismo.

Por último, refiro que o enquadramento histórico da sociedade portuguesa antes e depois da Revolução de 25 de Abril de 1974, a transformação do nosso país nos anos 70 e 80 do século passado e os principais acontecimentos políticos e sociais que tiveram lugar nesse período, estão muito bem descritos no livro, e perpassam pela vida das personagens de forma harmoniosa.
Profile Image for Helena.
149 reviews11 followers
December 12, 2020
Felicidade, João Tordo

O início deste livro não me prendeu nada, mas decidi continuar a ler. Não sou muito de desistir das leituras.

Conhecemos aqui uma história que não tem nada de felicidade, mas sim de uma grande tristeza e melancolia. Felicidade neste livro é uma personagem, a personagem onde tudo começa e se vai desenrolando. E outra personagem que contribuiu bastante para esta história é um rapaz que conhecemos com 17 anos, a sua vida muda do dia para a noite. Esta é uma narrativa cheia de fantasmas do passado, do presente e até do futuro.

De todos os livros que já li deste autor senti que este foi o mais diferente, especificamente ao nível da linguagem e nas relações criadas entre as personagens. Não me cativaram e chegava a interrogar-me se estava mesmo a ler tais situações. Compreendo que cada um lida com as peripécias da vida à sua maneira mas, para mim, algumas coisas não tiveram muito sentido. Não quero estragar a leitura de ninguém e fazer spoilers, por isso, é melhor não me alongar.

O que gostei mais foram as referências histórias e os lugares, nos anos 70, deu mesmo vontade de viajar para esse época e visitar esses mesmos lugares e sentir as mudanças como foram sentidas na altura. Gostava de voltar atrás do tempo e visitar o Restaurante Panorâmico de Monsanto ainda com portas abertas.

Coisa que este livro fez foi aumentar a minha curiosidade à medida que ia avançando nos capítulos, isto porque pensava mesmo que iria existir um momento de reviravolta. O que para mim não aconteceu. Tenho pena, porque o João Tordo é dos meus autores preferidos.

O destino final das personagens não me surpreendeu. Acho que fiquei muito mal habituada com o livro A Mulher que Correu Atrás do Vento e, por mais que não queira, acabo sempre por estabelecer uma comparação.

"(...) porque as palavras são o princípio de todas as decepções."
Profile Image for Yaneth.
74 reviews11 followers
January 10, 2021
Felicidade é uma tragédia grega.
Valeu pela escrita e pela pesquisa de grande valor histórico.
Profile Image for Anabela Lopes.
Author 4 books96 followers
January 29, 2025
Ler João Tordo é saber que "Felicidade" é só mesmo um nome próprio e não um sentimento. Não nesta história, pelo menos. Com a melancolia a que Tordo nos habituou, este protagonista sem nome leva-nos pela sua história (pelos seus fracassos) e mostra-nos como as fascinantes trigémeas se entrelaçam com ele.

Não esperava aquele final, fecha o livro de forma fenomenal.
Profile Image for Marta.
223 reviews77 followers
January 11, 2021
Um livro que teve um começo que prometia uma história super interessante transformou-se num livro chato, dramático e depressivo demais. Foi uma desilusão para mim
Profile Image for Andreia Moita.
332 reviews11 followers
January 10, 2021
Este livro é uma tragédia grega. E tudo o que é trágico sendo demasiado mau acaba por ser irónico. Daí este livro ter muitas situações que roçam a desgraça e o humor. É sobretudo um livro sobre amor, morte, culpa, remorso, gestão de sentimentos, tudo ao estilo mais melancólico de João Tordo que nos brinda com a sua escrita diferenciadora e absolutamente fascinante, tendo daquelas citações que "recortamos"para mais tarde recordar.

Temos vários sentimentos aqui retratados no espaço que existe entre o amor e a morte. O presente, o futuro e a eternidade e o transcendente. Onde ficam os que vão e como ficam os que ficam?

O narrador é a personagem principal que nos relata os acontecimentos. Acompanhamos a vida de um rapaz (cujo nome nunca sabemos, não que isso importe mas eu gostava de saber) que vive atormentado e assombrado após um acontecimento trágico com o amor da sua vida, Felicidade. Isso mesmo. Felicidade é uma personagem. Uma das trigémeas que fazem parte do enredo. Mas como já se sabe as gémeas estão ligadas. E a vida do nosso narrador nunca mais se restabelece. Ele vê-se preso na tal telepatia de irmãs gémeas. Como seguir a vida quando se fica preso nos acontecimentos do passado. Quando se traz para o presente as mesmas recordações para sempre? Como será o futuro nesse caso?

A história anda para trás e para a frente no tempo o que por vezes pode parecer confuso mas é o que lhe vai dando energia. No geral eu gostei desta história e da forma inteligente como retrata os sentimentos, como é conduzida e pricipalmente como começa e como acaba. Nunca estamos preparado para o que vem a seguir nesta história. Não pensamos num desfecho possível e isso é bom, a meu ver.
Profile Image for Ruben Nunes.
68 reviews6 followers
September 5, 2021
Muitas vezes avanço para a leitura de um livro após já ter lido a sua sinopse há algum tempo e, apesar de saber que escolhi aquele livro para ler, pouco mais sei sobre ele e por isso acaba por ser uma viajem pelo desconhecido. Após acabar de ler o livro, então aí volto a reler a sinopse para verificar se a mesma está de acordo com o que li. Assim, posso dizer que a sinopse deste livro  faz, em grande parte, jus ao mesmo e importa dizer isso porque muitas vezes o que lemos na sinopse acaba por não corresponder à realidade, defraudado assim, em diferentes graus, as nossas expectativas em relação ao livro. Aqui, felizmente, é o oposto, pois o livro oferece - nos muito mais do que aqueles tópicos ali referidos.


Uma das primeiras curiosidades em relação em livro é o seu próprio título, que embora seja algo que faz parte dos anseios da grande maioria de nós, é por conseguinte das personagens do livro, é, também, o nome de uma personagem fulcral.


O incidente trágico, mencionado na sinopse e que afecta a vida do personagem principal,  acaba por ser algo que tem o seu quê de ridículo, quase cómico, mas que ainda assim é possível acontecer, sendo portanto algo trágico e cómico para quem está na nossa posição de leitor. Sendo algo que pode acontecer, basta tentarmo-nos imaginar na pele do personagem para nos sentirmos também numa encruzilhada, numa espécie e beco sem saída.

Uma das coisas que me agrada neste livro é o facto de retratar aspectos da vida que nos toca a todos. Situações às quais muitos de nós podemos estar sujeitos. Para compensar isso temos a construção, bem estruturada, das personagens que é complementada pela forma como o livro está estruturado, não nos revelando as coisas de forma linear em termos temporais e, por isso, damos ficando sempre curiosos com toda a história. Ao longo do livro o autor vai revelando certas situações, ou desfechos, fazendo - nos esperar que chegue a hora certa de sabermos afinal o que se passou ou o que ele queria dizer com aquilo que havia mencionado previamente . Ele vai  de certa forma, pondo "negaças" ao leitor.

Tópicos como a família, o luto, o fracasso vs sucesso, a solidão, o amor, os sonhos que ficam por concretizar ou não, o 25 de Abril, a liberdade, a amizade, etc.... Estão todos aqui presentes neste livro que não precisa de inúmeras personagens para os abordar de forma realista e cativante.

As personagens, aparentemente dotadas de uma dualidade que oscila entre o simples e complexo, têm a mais valia de parecerem pessoas com quem eventualmente já nos cruzamos no passado (nos tempos de escola por exemplo) ou até no presente e é por isso que ao longo do livros são feitas várias referências à mitologia grega, onde até mesmo os grandes deuses têm as suas falhas, fragilidades, e são testemunhas ou autores de actos que podem ser atrozes, trágicos ou até mesmo ridículos.

O livro deve tornar - se ainda mais interessante para quem conhece os locais de Lisboa referidos no livro, já que poderá assim identificar-se ainda mais.

Para finalizar refiro que recomendo o livro com facilidade!
Profile Image for Jorge.
55 reviews6 followers
January 7, 2021
Foi o livro do João que mais tempo demorei a devorar. Senti que deveria fazê-lo com mais calma, e aproveitar toda a riqueza que ele coloca no texto e na história. É absolutamente triste e melancólica, e conseguiu com que eu sentisse pena do protagonista muito cedo na narrativa, uma coisa que não aconteceu nos seus livros anteriores.

É uma história com os seus altos e baixos, com personagens sempre na constante celeuma sem um caminho para a sua resolução - algo incomum na escrita do João - mas refrescante ao mesmo tempo. O final tomou-me de assalto, e foi o momento mais alto de toda a narrativa. Houve outros, claro, mas esse destaca-se particularmente. Estou ansioso pelo próximo.
Profile Image for Carlos Azevedo.
Author 9 books19 followers
December 16, 2020
A ficção não precisa de limites, tal como o cinema.

Se alguém viu " A Ghost Story" de David Lowery (2017) - não confundir com a pessegada de 1990 com Demi Moore- percebe bem esta "Felicidade", que é de facto um livro feliz sobre a infelicidade.

Tordo alcança o top do escritores portugueses, com Dulce Cardoso e Joel Neto a acompanhar muito bem.

Agora partamos para a trilogia dos lugares sem nome (2015-2017)
Profile Image for Maria Inês.
23 reviews4 followers
December 8, 2021
Não adorei, um livro demasiado longo, com demasiados pormenores, mas um fim engraçado
Profile Image for Ana Goulart.
209 reviews33 followers
April 22, 2023
Mais um excelente livro deste autor!
O amor, a morte, a família, os sonhos, a culpa e a redenção são alguns dos temas desta história magnificamente engendrada, que nos tira o fôlego.
Displaying 1 - 30 of 197 reviews

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