Filosofias africanas é uma viagem ao pensamento africano pelos ganhadores do Prêmio Jabuti – Livro do ano.
Num sentido amplo, o termo "filosofia" designa a busca do conhecimento iniciado quando os seres humanos começaram a tentar compreender o mundo por meio da razão. O termo pode também definir o conjunto de concepções, práticas ou teóricas, acerca da existência, dos seres, do ser humano e do papel de cada um no Universo. Na prática acadêmica, é usado para designar o "conjunto de concepções metafísicas (gerais e abstratas) sobre o mundo".
A grande crítica que se faz às tentativas de caracterizar o pensamento tradicional africano como filosofia é a de que, na África, os nativos, defrontados com a grande incógnita que é o Universo, seriam incapazes de ir além do temor e da reverência, próprios das mentes ditas "primitivas".
A partir daí, o chamado "racismo científico", um dos pilares do colonialismo no século XIX – desqualificando as fontes do saber africano conhecidas desde a Antiguidade –, negou a possibilidade de os africanos produzirem filosofia. Então, o reconhecimento como filósofos, no sentido estrito do termo, de pensadores nascidos na África e de uma linha filosófica deles originada só ocorreu a partir do século XX.
Filosofias africanas trata tanto dos saberes ancestrais africanos, sua essência preservada nos provérbios, na diversidade multicultural e nos ensinamentos passados durante gerações por meio da oralidade, quanto da contribuição de filósofos africanos e afrodescendentes contemporâneos na atualização desses saberes, muitos dos quais pautados no decolonialismo. Nei Lopes e Luiz Antonio Simas, de maneira didática, mais uma vez escreveram uma obra que evidencia a complexidade, sofisticação e profundidade do pensamento africano e das perspectivas de mundo que sua filosofia provoca.
Nei Braz Lopes (Irajá, Rio de Janeiro, 9 de maio de 1942), ou simplesmente Nei Lopes, é um compositor, cantor, escritor e estudioso das culturas africanas, no continente de origem e na Diáspora africana.[1]
Notabilizou-se como sambista, principalmente pela parceria com Wilson Moreira.
Ligado às escolas de samba Acadêmicos do Salgueiro (como compositor e membro da Velha-Guarda) e Vila Isabel (como dirigente), hoje mantém com elas ligações puramente afetivas.
Compositor profissional desde 1972, vem, desde os anos 90 esforçando-se pelo rompimento das fronteiras discriminatórias que separam o samba da chamada MPB, em parcerias com músicos como o maestro Moacir Santos, Ivan Lins, Zé Renato e Fátima Guedes.
Escritor publicado desde 1981, desde então vem produzindo, além de contos, romances e poesia, uma vasta obra de estudos africanos, de cunho eminentemente pedagógico, centrada em obras de referência como dicionários e uma enciclopédia
Poderia ser mais longo e detalhado... As 100 páginas dele não dão conta da complexidade do tema. Por outro lado, ele pode atrair mais leitores por ser curtinho.
Como uma escrita direta e tocante, os autores apresentam que amar o saber passa pela conexão integral entre o meio, a espiritualidade e a ancestralidade. Repleto de referências, a obra expande a nossa visão de como enxergar a realidade e o que a cerca.
A seguir, listo alguns trechos marcantes: - O tempo, na concepção africana tradicional, é um fenômeno que se realiza em duas dimensões. A primeira é a dimensão que compreende todos os fatos que estão prestes a ocorrer. A segunda é a dimensão que engloba todos os acontecimentos passados, que ligam o início das coisas ao presente desdobramento dos eventos do Universo. De acordo com esta ideia ancestral, o tempo flui mais pela opção existencial do ser humano do que por outros fatores. Assim, é preciso acreditar na existência simultânea do passado, do presente e do futuro; e orientar o tempo dentro da harmonia dessas três variantes. Porque o tempo linear, com horas, dias, meses e anos é também uma ilusão. Portanto, os ser humano vive em três mundos concomitantes e diferentes: o da realidade concreta, o dos valores sociais e o da autoconsciência, que não se pode exprimir. - Cada ser possui e colabora para a manutenção da Força Vital. - O processo de revolução industrial iniciado no século XIX viu o mundo natural como sendo algo domado e, eventualmente, destruído para atender as forças produtivas e da circulação de capitais. Na filosofia africana, em contrapartida, tudo o mais que o Ser Supremo fez, natural ou espiritual, é para uso da sociedade humana visando ao bem coletivo. - A pessoa morta representa uma realidade física e espiritual presente tanto no passado quanto no presente, entre os vivos no processo de moldagem da nossa realidade física e espiritual e de nossa presença no futuro. - A transmissão oral do conhecimento é o veículo do poder e da força das palavras, que permanecem sem efeito em um texto escrito. - A palavra é como fogo: pode criar a paz, assim como pode destruí-la. Uma só palavra inoportuna pode fazer estourar uma guerra, assim como uma simples fagulha pode provocar um incêndio. - Falar pouco, não desperdiçar a palavra, é sinal de boa educação e de nobreza do espírito. - O conhecimento livresco tem um valor formal e importado, enquanto o saber informal é adquirido pela experiência direta ou indireta. Assim, os conhecimentos livrescos são importantes, devem ser cultivados, mas não conferem sabedoria. - A inteligência deve ser vista como instrumento e precisa ser afastar dos usos perigosos, nefastos, maléficos e egoístas. - Qualquer um que por acaso é detentor de um saber, fica "besta" ou não deixa de ser ignorante se não orienta sua inteligência ou seu saber em direção a algo útil; ao mesmo tempo que se mostra inadaptado à vida ou demonstra ingenuidade desconcertante.
O livro é um colírio para compreendemos como a sabedoria e o conhecimento fazem parte da nossa existência.
Por mais que o livro fale que é uma introdução, da vontade de aprofundar mais na temática. Mas, confesso que foram vários paradigmas que foram quebrados. Que riqueza
Os autores trazem as concepções mais universais das culturas de alguns povos africanos: a força vital e o culto à ancestralidade. Para mim foi um presente. Fiquei muito admirada com os Dogon e seus avançados conhecimentos de astronomia. Senti falta de uma contextualização atual, parece que alguns grupos étnicos permanecem intactos diante do contato com os colonizadores europeus. Ainda assim, o refino da pesquisa sobre as ontologias de diferentes povos nos apresenta diferentes modos de vida. Recomendo aos interessados!
O livro é bem um guia introdutório, um apanhado bem geral e generalista ao meu ver. Dá uma ideia e fica como um convite pra quem quiser conhecer mais. Ser curto é um mérito, mas nesse caso achei que faltou aprofundar. A parte das civilizações ("Unidade na diversidade") é bem desproporcional. A cultura Iorubá é analisada em 13 páginas, enquanto Bambara, Fang, Mandinka, Makonde e Igbo ocupam somente 1. De toda forma, vale a leitura.
“ O amor à sabedoria refere-se à busca de um pensamento mais profundo sobre o que se pensa, uma busca amorosa de sentido, baseada na compreensão do mundo, do outro, do ser”.
E foi exatamente a síntese dessa frase que encontrei nesse livro. Como uma religiosa de uma religião de matriz africana, estudar a filosofia do continente mãe sempre me enche o coração de alegria.
Vi reviews aqui falando que esse livro era pequeno demais, ora, isso é uma introdução, não tem a pretensão de ser uma enciclopédia. Por isso devemos usar esse livro como base para nos aprofundarmos nas culturas africanas e suas cosmologias.
Um livro para quem quer despertar o axé africano e sua sabedoria.
Com 144 páginas de pura mixórdia profusa, "Filosofia Africana" tenta vender a ideia de introdução acadêmica/filosófica sobre estudos africanos, mas falha de maneira bizarra e quiçá pândega ao ser somente um panfleto curtíssimo de algo sem profundidade ou muito menos conteúdo. Os autores, ambos com doutorado, Nei Lopes e Luiz Antonio Simas, fazem uma demagogia abstrata e supérfla do que seria uma suspeita ideia de pensamento africano, sem ter o pudor nem mesmo de uma seriedade sobre o projeto e conteúdo abordado. Confuso e sem norte, o livro vira uma mixórdia. Possivelmente, o pior livro do ano que eu já li.
Filosofias Africanas - Nei Lopes e Luiz Antonio Simas Lido 03/12/2023 📖 Nota: 5.0 ⭐ ⭐⭐⭐⭐⭐ Conexão com a História ⭐⭐⭐⭐⭐ Page-Turner ⭐⭐⭐⭐⭐ Temas importantes ou Representatividade ⭐⭐⭐⭐⭐ Universo ou Ambiente ⭐⭐⭐⭐⭐ Frases ou Citações
Um apanhado significativo da cultura e filosofia africana e o que me chamou atenção foram os provérbios nos anexos do livro.
Muito bom como introdução. Não dá para criticar por não aprofundar tanto conhecimento. Ainda bem que os autores exploram o tema em outras obras. O conteúdo dá ideia da grandiosidade e profundidade das filosofias africanas tão ignoradas ou subestimadas.
É sempre produtivo e esclarecedor ler as obras dos grandes autores, Nei Lopes e Luiz Antonio Simas. Recomendo este livro a todos interessados em aspectos da cultura africana.