Berlim, 1945. Os soviéticos avançam, imparáveis, pelas ruas repletas de escombros. Em toda a cidade a luta é violenta, e a derrota alemã está iminente. Arturo Andrade está no meio de todo aquele caos. A sua missão: localizar Ewald von Kleist, que acaba por encontrar morto na chancelaria do Reich com um misterioso bilhete nos bolsos.
Começa assim este thriller escrito com paixão e rigor documental que, com um ritmo que não dá tréguas ao leitor, nos aproxima de uma personagem que deverá enfrentar múltiplos demónios, os alheios e os seus próprios, para salvar a única coisa que parece escapar a este contexto atroz: o amor de uma mulher.
Ignacio Del Valle Oviedo, Asturias (1971), vive en Madrid. Ha publicado hasta 2011 seis novelas. La última, Los demonios de Berlín, es la continuación de El tiempo de los emperadores extraños, que fue llevada al cine en enero de 2012 como Silencio en la nieve por Gerardo Herrero, teniendo como protagonistas a Juan Diego Botto y Carmelo Gómez.
Ha recibido más de cuarenta premios de relato de ámbito nacional e internacional. Su obra ha sido traducida al portugués, italiano, francés y polaco. Mantiene una columna de opinión en el diario El Comercio de Gijón, ejerce la reseña literaria en el suplemento Culturas, y colabora con el diario El País y diversas publicaciones. También imparte conferencias, talleres, y mantiene una sección cultural en Onda Cero Radio, Afinando los sentidos.
Esta tercera entrega de la serie protagonizada por el militar Arturo Andrade tiene lugar en los días anteriores a la toma de Berlín por los aliados en 1945. La investigación y la trama gira alrededor de las Wunderwaffen, las armas maravillosas que hasta el último momento se creía que estaban en poder de Hitler y hacían prever un giro radical en la guerra.
Está muy bien documentada y ambientada, reflejando el ambiente enloquecido de una ciudad al borde del desastre, con tanta destrucción y violencia que parece tomada por las fuerzas del mal:
Arturo imaginó que, con los vientos necrológicos que barrían la ciudad, se estaban mezclando otros vientos paganos que la habían llenado de un conglomerado de dioses y demonios de todos los ritos y tiempos, atraídos morbosamente por el apocalipsis ciclotímico de Berlín, provocando una distorsión de la realidad.
Los personajes están muy bien analizados: miembros de las SS, de la mística sociedad secreta Thule, de la Gestapo e incluso de la Falange española desfilan entre el desvarío de unos hechos que no parecen reales:
Arturo se tomó la libertad de espiarle unos segundos: podía adivinar en él su espíritu romántico, ambicioso, inadaptado a la realidad, cuya elevación no acababa de encontrar objeto ni lo encontraría nunca, el mismo espíritu que había llevado a Werther al suicidio, y que los alemanes exorcizaban destruyendo el mundo.
No le pongo más estrellas porque al final la trama me ha resultado un poco espesa, pero es una novela que tiene interés histórico y está bien escrita. 3,5*
"Os meus problemas com o livro começaram logo no início quando o Arturo nos é apresentado. Para mim, ele parece-me ser uma personagem muito irreal tendo em conta o ano e a situação histórica em que o livro se passa, e eu não gostei disso. A forma de escrever do autor acabou por ser bastante boa por ser divertida e cativante em alguns pontos. Outro dos problemas que eu tive com o livro foi o facto de que são referidos vários cargos e locais em alemão sem que haja qualquer explicação, o que torna muito mais difícil a compreensão da ação. Apesar de todos estes problemas, o livro tem frases realmente muito boas. Outra parte que eu também gostei foi que as descrições das cenas de violência e horror são tão bem feitas que o leitor sente que está na cena e acaba por ser realista. Em geral, o livro teve partes que gostei muito e outras que detestei, o que me deixa sem saber bem o que sentir relativamente à história. Uma vez que o livro tem pesquisa histórica por trás, é realmente interessante ver o fanatismo que havia durante a 2ª Guerra Mundial e o final foi realmente muito bonito."
Um romance policial num momento único é uma ideia genial. Todo o desenrolar da história é nos últimos dias de Berlim nazi. A teoria de conspiração que é criada é excessiva e surreal mas permite questionar o papel da população e o discernimento humano perante o absurdo e a maldade extrema. Obriga a pensar e refletir. O enredo é bem conseguido apesar de pouco verosímil e a escrita tem o nível de detalhe que nos transporta até ao cenário. Boa leitura.
Gostei muito da parte histórica e de perceber como se viveu esta guerra sob um ponto de vista diferente do habitual. Achei que o protagonista da história era demasiado bom para ser verdadeiro. Não gostei nada dos termos em alemão no original o que dificultou imenso a leitura. Ter locais e postos sempre escritos com palavras com 25 letras, vinte das quais são consoantes, palavras que nem consigo pronunciar foi exasperante. Foi quase motivo de abandono no início do livro, mas depois tive curiosidade em conhecer o final. E como a curiosidade matou o gato, não gostei nada do fim. Muito poucochinho, a meu ver. No entanto serviu para aprender um pouco sobre um período da nossa história mundial que não podemos deixar esquecer!
Me ha gustado bastante. En la novela hay historia, aventuras, guerra, derrota, siempre hay derrota en las novelas. Creo que el Berlín de finales de la II G M sería muy parecido al descrito. En los personajes se ven todos los tipos, los fanáticos, los cuerdos, locos, los que están a vueltas de todo, supongo que la guerra dará todos los tipos. En conjunto, novela creíble, con la duración exacta y buena para conocer el final de la guerra, a personajes fanáticos y el futuros. Por cierto, deseando leer el próximo libro, ya que con un falangista ha quedado una deuda pendiente.
Fim da história de Arturo Andrade, presente na queda de Berlim e envolvido em mais um mistério. A mesma sensação de desgraça e traição e de mentiras da História. Foi o que menos gostei dos três (A arte de matar dragões e O tempo dos imperadores estranhos), mas vale muito a pena.
E pena é que não haja mais livros do autor editados em português.
Recipiente do "Premio de la Crítica de Asturias 2010", "Os Demónios de Berlim" do Espanhol Ignacio Del Valle é o terceiro livro do autor publicado em Portugal e traz-nos de volta a personagem de Arturo Andrade, fictício voluntário Espanhol da Legião Azul, unidade herdeira da Divisão Azul que combateu nas fileiras das Waffen SS, e já figurando em "O Tempo Dos Imperadores Estranhos" e "A Arte de Matar Dragões", onde os seus dotes de detective ganham fama.
Antes de tudo o mais, "Os Demónios de Berlim" é um hábil romance policial e de espionagem que tem a guerra como pano de fundo, quando nos últimos dias da hecatombe NAZI, o tenente Arturo Andrade se encontra ainda em Berlim à procura de Ewald von Kleist, que acaba por encontrar morto na Chancelaria, apunhalado, e com um peculiar bilhete no bolso.
O encontro do cadáver não é senão o início das atribulações de Arturo, recrutado para uma colaboração entre as SS e a Kripo que tentam encontrar na sitiada capital do Reich os comandos Aliados que parecem ter assassinado von Kleist. No entanto são grandes os segredos que a investigação revela, e Arturo acaba por se deparar com o programa nuclear Alemão e um segredo tão precioso que os homens matam e morrem por ele, mesmo naqueles dias do fim.
"Os Demónios de Berlim" é claramente bem investigado. Os aficionados de história não encontrarão grandes incongruências ou lacunas na narrativa quanto aos rumores e mitos do armamento NAZI de final de guerra, desde os óbvios Messerschmitt 262 a jacto, até à velada menção dos inovadores aparelhos de visão infra-vermelha, como o "Vampir", ou Zielgerät 1229, acoplado à espingarda de assalto StG 44, ou os seus equivalentes em utilização nos tanques Panther. Ignacio não pretende saber tudo, as suas personagens são frequentemente colocadas perante tecnologia que só o leitor poderá conhecer graças ao seu conhecimento a posteriori, e como tal não recebe nome, apenas insinuações. Ao mesmo tempo, as tácticas, a geografia de Berlim, o equipamento utilizado pelos combatentes, tudo é congruente com a realidade e fruto de uma pesquisa louvável.
A escrita de Ignacio Del Valle em "Os Demónios de Berlim" tem como jóia da coroa as expressões e atitudes tipicamente Espanholas que conferem aos seus personagens um cunho especial e com isso preenche um mundo duro e impiedoso com humor inesperado. O estilo bastante gráfico e ao mesmo tempo metafórico de Ignacio é possuidor de grande vigor e elegância, com especial atenção à descrição dos acontecimentos por vezes mais pelo tipo de sentimento que suscitam, que pelo detalhado da sua pormenorização. Dir-se-ia assim uma descrição algo mais pessoal, ainda que o realismo esteja presente e os apontamentos anedóticos sejam frequentes.
Ao mesmo tempo, e apesar do seu passado, Arturo Andrade demarca-se bem do fanatismo sufocante do núcleo duro das SS. É um pragmático com algo de idealista, sem no entanto ser um cordeiro, em claro contraste e oposição ideológica a personagens como o Sturmbannführer Bauer, produto finalizado e polido da endoutrinação NAZI.
Mas como hábil contador de histórias que é, Ignacio Del Valle prende o leitor com um emaranhado de tramas que se entrecruzam e se sucedem à mesma velocidade e com o mesmo grau de caos dos últimos dias do III Reich, o que só contribui para a imprevisibilidade do enredo. Sucedem-se as frustrações e os desvios, sendo rara a ocasião em que uma artimanha nos parece demasiado óbvia ou o seu resultado demasiado artificial, olhando-se para trás sem aquela constatação tão frequente num policial de que só propositadamente provas ficaram por ignorar ou erros inverossímeis se viram cometidos em nome das necessidades narrativas.
De resto, com facto e ficção a complementarem-se de forma credível, o autor não se deixa deslumbrar pelas possibilidades mais loucas da mitologia NAZI e fornece-nos um final de uma sobriedade bastante irónica, tendo em conta o preço elevado pago pela manutenção dos segredos desvendados. Como a hecatombe que lhe serve de pano de fundo, o final é em si mesmo um logro colorido com a paranóia e delírios ideológicos daqueles tempos confusos, não é sequer um final verdadeiramente "feliz", por mais que o leitor seja compelido a desejá-lo como prémio pelos esforços hercúleos de Arturo para preservar algo que lhe é mais caro que impérios e os seus messias: a mulher que ama.
Tudo somado, "Os Demónios de Berlim" é um excelente romance de espionagem/policial, tragável às goladas e viciante até um desfecho digno do enredo que deixará o leitor com um grande grau de satisfação. Para quem - como eu - toma aqui contacto com este autor, é o tipo de livro que aguça o apetite para as suas obras restantes.
A desumanidade, a crueldade da guerra, num livro que não nos deixa indiferentes. Apesar de tudo, uma nota de redenção no final:
«Ali, entre aquela música, compreendeu que havia exagerado os seus problemas, que se podia aplacar o destino, mudar a direcção dos comboios. restavam-lhe os gestos, Frau Volkova protegendo o filho, a coragem de Saladino, a devoção de Manolete, uma carícia de Silke... Começou a mover a mãe entre aquele palpitante oceano de música. Sentia a terra que volvtava a germinar, a maquinaria da vida demonstrando a sua força, o ar suava, tranquilizante, íntimo. Pouco a pouco, ia recuperando no seu interior toda a beleza perdida, sentia como o infinito se ia deixando domar, ao mesmo tempo que Berlim ia sendo progressivamente tomada por seres luminosos, criaturas platónicas que iam expulsando os demónios e que, curiosas, infantis, puras, deslizavam entre a pestilência e a carnificina, recolhendo almas que flutuavam sem rumo, elásticas, como se fossem pesadas bolas de sabão. E então Arturo sentiu-se perdoado, libertado, comovido, enlaçado. E Bach foi já o único mistério.»
Tercera entrega de las andanzas de Arturo Andrade. Al final, lo importante no es la trama en sí (un tanto cogida por los pelos) sino la psicología y las reflexiones del personaje, un tipo curioso, un superviviente nato, pero en el fondo digno y decente, un antihéroe muy castizo, sobre el telón de fondo del hundimiento del imperio que iba a durar mil años. El autor promete más y yo lo espero con ganas.
O terceiro livro da "trilogia" de Arturo Andrade, mas o meu segundo do Ignacio e mais um livro que me prendeu do inicio ao fim, pela qualidade tanto da escrita, como do enredo criado pelo escritor, sem contudo deixar de nos enquadrar no horror do que se passava em Berlim.
Se ainda não leram, vale a pena experimentar ler este escritor.