Este livro foi um dos responsáveis por tornar o termo “branquitude” conhecido no Brasil. Se concordamos que a “linguagem é a consciência real, prática”, o que a Lia Vainer Schucman faz ao destacar este termo em seu livro Entre o Encardido, o Branco e o Branquíssimo, de 2014, foi uma pequena revolução. A partir de suas pesquisas em São Paulo, a autora desvela a maneira como se constrói o privilégio branco no Brasil contemporâneo. Depois de anos, finalmente este livro tão influente ganha uma nova edição, com um novo prefácio, de Antonio Sérgio Alfredo Guimarães, professor do departamento de Sociologia da USP.
Sobre a autora: Lia Vainer Schucman é doutora em Psicologia Social pela USP e professora da Universidade Federal de Santa Catarina. É autora também de Famílias inter-raciais: tensões entre cor e amor (Edufba, 2018)
Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (2003), mestrado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (2006) e doutorado em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo (2012). Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de Santa Catarina. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em movimentos sociais, atuando principalmente nos seguintes temas: racismo, psicologia social, branquitude, relações raciais e movimentos sociais.
um livro urgente, principalmente pra branquitude se enxergar. recomendo pra todo mundo, especialmente se estiver buscando formas de colaborar com esforços anti racistas.
ainda estou processando essa leitura... terminei a primeira passada há um tempo e fico voltando em pontos para discutir com pessoas que mencionam temas soltos por ai. acho que ainda volto mais vezes nesse livro e o volume vai morar aqui na mesa.
tenho usado esse livro como umas das referências bibliográficas da minha pesquisa e toda vez que releio algum capítulo ele me traz um insight novo, ou um olhar diferente sobre uma ideia que já estava posta pra mim. a autora pesquisa a branquitude de forma lúcida e muito rica, com referências a outros grandes pesquisadores dessa área, o livro é um prato cheio pra quem quer saber mais sobre como funciona e se caracteriza o racismo no Brasil, e quais são as estratégias usadas pela branquitude para se manter em um lugar de poder!
Ótima leitura pra começar a entender a discussão sobre branquitude. Embora tenha trechos difíceis de ler por conta de seguras falas dos entrevistados, a leitura flui muito bem e rapidamente.
Trabalho importantíssimo o da Lia sobre branquitude e a perpetuação do racismo no Brasil. Me parece que a autora fez o que já deveria ter sido feito há muito tempo. A parte teórica traz uma ótima sistematização sobre o processo de construção do racismo, e as entrevistas escancaram crenças que sabemos que existem, mas geralmente não temos registro tão direto. Também contradizem alguns dados comuns (como, por exemplo, de que nenhum branco considera ter praticado atos racistas) e postula algumas hipóteses para isso (talvez pela paridade racial na entrevista; por não estigmatizar o indivíduo enquanto "racista", mas focar na ação cometida, que é algo mais fluido do que um rótulo permanente). Segue um campo menos explorado dos estudos étnico-raciais, pessoas brancas falando sobre racismo e as estruturas de poder que sustentam a hierarquia racial e as estruturas de poder. No geral, me parece ser um trabalho mais de sistematização e elucidação do que de proposição.
incrível!!!! aprendi muito (sobre raça, branquitude e - o que nem esperava - sobre a história da constituição racial de são paulo) e achei a escrita fluída e interessante. fiquei feliz que até usei no meu tcc!
Nada de especialmente inédito ou novo sob o sol, mas um trabalho muito interessante. Dá vontade de ler uma revisão com os dados atualizados da cidade em 2021, pós/durante pandemia. Super indicado :)
Um show de horrores sobre como o racismo ocorre (muitas vezes de forma velada) no Brasil e, principalmente, em SP:
-Frases racistas chocantes ditas por pessoas que se consideram não racistas. -Classificação da 'brancura' não pela cor da pele, mas pelos traços físico (cabelo, boca, nariz, traços finos). - Benefícios sociais e financeiros automaticamente concedidos para pessoas consideradas brancas (branquitude). - Julgamento de status social e financeiro baseado na classificação da 'brancura'. - E, por último, o branquíssimo, a elite branca que tem muito dinheiro e acredita que trabalhar é para os outros (brancos e não brancos) e que seus ancestrais só trabalharam para 'expandir os horizontes do Brasil'.
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