Se a memória não me falha, comecei a ler José Rodrigues dos Santos em 2014. Hoje, terminei o meu décimo terceiro livro. Recordo-me de finalizar As Flores de Lótus e sentir-me imensamente frustrada por, sem saber, ter embarcado numa trilogia onde os restantes livros ainda não tinham sido publicados! Quem nunca, não é verdade? Com ele sou assim, compro à confiança e, por vezes, nem leio as sinopses para não ter qualquer tipo de spoilers. Tem uma capacidade para entreter e ensinar simultaneamente como nunca vi, o que me faz, dizer com orgulho, que o que é nacional é bom e recomenda-se!
Esta Trilogia do Lótus aborda várias ideologias muito presentes no século XX, tais como o socialismo, o comunismo, o autoritarismo, entre muitas outras. Alberga a história de quatro países, Portugal, China, Japão e Rússia, e por cada país há uma personagem principal, Artur Teixeira, Lian-Hua, Fukui Satake e Nadezha Skuratov respectivamente, que não se conhecem mas, devagarinho, interligam-se e mostram-nos a triste realidade daquela época. Todos têm vidas e estatutos diferentes mas todos sentem o massivo efeito das guerras. A Amante do Governador é a sequela desta trilogia. Que nos faz reviver estas quatro personagens incríveis mas, desta vez, num cenário completamente diferente. Tudo culmina em Macau. Estamos em 1940, Artur torna-se governador da colónia portuguesa e conta com Jorge Lobo para ser o seu braço direito na governação do território. Juntos terão que lidar com a opressão japonesa sobre Macau, o sufoco de refugiados oriundos da China, a crise alimentar que se abate sobre a colónia e mais mil e uma situações que surgem no decorrer da história. Mas há sempre espaço para o amor e Artur, eterno galã, apaixona-se por uma das concubinas do coronel japonês Sawa. As implicações políticas deste relacionamento são enormes, amante da senhora do prazer do inimigo? Têm mesmo que ler para descobrir como tudo isto acaba!
Mas há mais, muito mais! Fukui é agora cônsul do Japão e Nadezha embarca num navio, que parte de Hong Kong rumo a Macau para ir trabalhar para o Hotel Central. Mas isto não é assim tão simples como parece, para se ter tem que se merecer! Como irá Nadezhda, sendo russa, provar que é digna de entrar na colónia portuguesa?
Uma história pormenorizada que nos transporta totalmente para o meio do enredo. Com José Rodrigues dos Santos já assumo que irei me deparar com grandes quantidades de informação por ser inspirado em factos verídicos e, de facto, confirmou-se. Achei as duas primeiras fases do livro um pouco aborrecidas por encontrar texto extenso sobre momentos marcantes reais e por centrar-se muito em torno do mesmo assunto. Poderia ter sido mais resumido ou mais repartido, pois tudo avançava lentamente. Mas a terceira fase, meu deus! Valeu pelas outras duas! Foi tanta surpresa atrás de surpresa que ainda não sei como lidar com tudo isto!