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Água de Barrela

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As muitas mulheres negras presentes no romance Água de barrela, de Eliana Alves Cruz encontram no lavar, passar, enxaguar e quarar das roupas das patroas e sinhás brancas um modo de sobrevivência em quase trezentos anos de história, desde o Brasil na época da colônia até o início do século XX. O título do romance remete a esse procedimento utilizado por essas mulheres negras de diferentes gerações e que garantiu o sustento e a existência de seus filhos e netos em situações de exploração, miséria e escravidão. A narrativa inicia-se com a comemoração do aniversário de umas das personagens após viver um século de muitas lutas, perdas, alegrias, tristezas e principalmente resiliência. Damiana, personagem central para a narrativa, cansada das batalhas constante e ininterruptamente travadas pela liberdade, se vê rodeada por sua família e se recorda dos tempos de lavadeira.

328 pages, Kindle Edition

First published January 1, 2016

65 people are currently reading
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About the author

Eliana Alves Cruz

15 books147 followers
Jornalista por formação, Eliana Alves S. Cruz nasceu no Rio de Janeiro, onde atua como chefe do Departamento de Imprensa da Confederação Brasileira de Esportes Aquáticos, sendo também vice-presidente do Comitê de Mídia da Federação Internacional de Natação – FINA. Nesse campo de trabalho, visitou dezenas de países e participou de três Olimpíadas, vinte Campeonatos Mundiais e inúmeros eventos nacionais ligados ao esporte aquático, sendo também responsável pelo site www.blacksportclub.com.br, voltado para o resgate da presença negra no esporte.

Como escritora, vem se destacando na ficção, inicialmente com o romance Água de barrela, fruto de cinco anos de pesquisa sobre a história de sua família desde os tempos da escravidão. Em 2015, o livro foi contemplado em primeiro lugar no Prêmio Oliveira Silveira, concurso promovido pela Fundação Cultural Palmares, que o publicou no ano seguinte. E uma nova edição já se encontra disponível pela Malê Editora. Para a antropóloga Ana Maria da Costa Souza,

A profundidade dos personagens e a verossimilhança das situações por eles vividas são os pontos chave deste romance baseado em 3 séculos de história real de uma família negra no Brasil. Não há como não ser tocado por emoções intensas diante de muitos momentos do texto. A força da narrativa reside, precisamente, na riqueza de detalhes que conferem densidade e vigor à história.

Em 2016, integrou a edição 39 da série Cadernos Negros, com poemas de sua autoria. E, no ano seguinte, contribuiu com dois contos para a 40ª edição dos Cadernos, entre eles a narrativa de ficção científica intitulada “Oitenta e oito”. Neste mesmo ano, participou também da premiada antologia Novos poetas.

Empenhada no resgate da memória social e cultural afro-brasileira, seu mais novo romance – O crime do cais do Valongo – figura como romance histórico e policial, com uma instigante narrativa que se inicia em Moçambique e chega até o Rio de Janeiro.

A influência que a autora teve para escrever sobre o Valongo, foi a descoberta dos objetos encontrados em escavações recentes. Entre o período de 1811 a 1831 muitos escravos chegaram ao Brasil por esse cais, todos os artefatos despertaram a criatividade da autora, possibilitando assim o começo da escrita do seu livro, que é feito de inúmeras memorias dos ancestrais que foram escravizados e mortos no cais, - diz autora em entrevista a Médium Books(https://medium.com/blooks/entrevista-...-).

A mensagem que a autora deixa para os seus leitores em entrevista a Médium Books é “Brasil, se olhe no espelho, enxergue quem você realmente é se ame. A história e o conhecimento do povo negro são tesouros riquíssimos que precisam ser descobertos e aproveitados por toda a nação”. Assim é possível observar o resgate da memória e a preservação da identidade cultural negra almejado pela escritora.

Eliana Alves Cruz é também autora do blog www.flordacor.blogspot.com com textos voltados para a apreciação do trabalho de mulheres negras brasileiras em diversos campos de atuação.

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Community Reviews

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348 (60%)
4 stars
161 (28%)
3 stars
52 (9%)
2 stars
8 (1%)
1 star
2 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 68 reviews
Profile Image for Julia Landgraf.
157 reviews83 followers
March 1, 2021
A literatura ao redor da temática da escravização, especialmente no Brasil, muito me interessa por ter relação direta com o que estudo na minha dissertação, e costumo me sentir bastante mobilizada a seguir pesquisando ao sair das leituras acadêmicas pra sentir essa temática em outros âmbitos. Comecei o livro sem saber que era a história da família de Eliana, e tomar consciência disso certamente me fez valorizar muito mais o livro: a branquitude ceifou a possibilidade de acesso dos negros brasileiros à sua história e sua ancestralidade há séculos através dos mesmos mecanismos da escravização, e posso apenas imaginar o (doloroso) trabalho da autora em tecer essa história a partir de relatos orais familiares e, certamente, pesquisas em arquivo que sabemos não serem nada simples. Portanto, o empreendimento de retomada dessa ancestralidade, ainda mais com o intuito de compartilhá-la em um livro, é de muito fôlego e louvável.

"Água de barrela", enquanto literatura, porém, não me empolgou. A falta de uma construção mais densa das personagens me manteve o tempo inteiro à margem da história, pois não me sentia conectada com nenhum deles (apenas por breves momentos). "E então a fulana dormiu e nunca mais acordou" é uma descrição para a morte de uma personagem que me parece demasiadamente casual, por exemplo. Algumas cenas narradas me pareciam descrições de livros-texto, e achei a autora bem literal na forma como tentava nos provocar certos sentimentos, o que não me agrada.

Por fim, tenho convicção de que ter lido "Um defeito de cor", da Ana Maria Gonçalves, antes de "Água de barrela", pode ter causado certa comparação nos estilos de escrita ao longo da história (bem como do trabalho que reconstrução histórica que está sendo feito), o que prejudicou minha leitura de Eliana. Assim, recomendaria "inverter a ordem" das leituras, para quem tiver interesse de ler os dois.
Profile Image for Tai Ná.
3 reviews3 followers
January 28, 2020
Eu não sei muito bem se o livro Água de Barrela retrata a história de uma família ou se resume a história de um país. O Brasil, tal como o conhecemos, não existiria não fosse pelas milhões de Ewa Oluwà que, escravizadas, foram sequestradas e trazidas para esta terra.
O livro conta a história de gerações de mulheres de uma família, iniciada ainda na África, com todos os percalços, humilhações, sofrimento, perdas e lutas inerentes à condição à qual eram submetidos. O livro é certeiro em demonstrar como a promulgação de uma mera lei não é capaz de acabar de per se com as mazelas causadas por anos de subjugação, da subtração total dos direitos mais básicos e de tratamento desumano.

É uma leitura dolorosa, dolorosa demais. Terminei o livro aos prantos. Reencontrei uma parte de minha própria história ao ler esse livro. Chorei demais com esse reecontro e por rever uma parte minha que ficou por tanto tempo esquecida, abandonada.
Minha avó materna era mãe de santo, dona de um terreiro. Cresci tomando passes, entre atabaques e santos. Houve momentos em que me arrepiei da cabeça aos pés, como se sentisse em meu próprio corpo a força da fé das personagens do livro, como se, durante a leitura, Xangô segurasse a minha mão a todo o tempo. Assim como as personagens do livro, a minha família também é formada por mulheres que foram obrigadas a ser fortes. Mulheres que diante das injustiças da vida buscaram tomar o próprio destino nas mãos para, assim, reescrevê-lo.
As fantásticas mulheres desse livro não são fortes por natureza, mas pela vileza da vida e da sociedade em que viviam, e não há que se romantizar isso. Feministas. Um feminismo silencioso, que foi o único feminismo que mulheres negras conheceram por muito tempo, um feminismo que não se vê e nem se reconhece como tal.

Acho que, assim como eu, muitos outros leitores vão conseguir ver na história dessa família um reflexo da sua.

Mesmo havendo alguns aspectos formais questionáveis, estes não ofuscam em nada a experiência da leitura. Um livro necessário para que possamos nos reconhecer enquanto nação, para que saibamos de onde viemos, para que resgatemos nossas origens e, assim, sabendo quem somos, possamos almejar um futuro menos bruto.
Profile Image for Monica Cabral.
249 reviews50 followers
May 7, 2022
"Não queremos mais aquilo que embranquece a negra maneira de ser
Não queremos mais o lento e constante apagamento da cor da terra molhada, suada, encantada...
Queremos os remendos dos panos, nas tramas dos anos sofridos, amados...
E acima de tudo,
apaixonadamente vividos."

É com esta nota da autora que começa este livro que conta a história da família de Eliana Alves Cruz.
A árvore genealógica desta família remonta a África, onde Akin e Ewa Oluwa foram raptados e tornados escravos por traficantes que os levam para o Brasil, onde são submetidos a todas as humilhações, violência e árduo trabalho nos engenhos dos grandes senhores da terra.
Água de Barrela é também a história das mulheres desta família, mulheres fortes, batalhadoras : Umbelina, Anolina, Dasdo, Martha, Damiana e Celina ; Damiana que foi uma mulher muito corajosa quando foi contra tudo e contra todos e colocou a filha Celina a estudar, porque ela desejava uma vida melhor para a nova geração da família.
Este foi o segundo livro que li da Eliana Alves Cruz ( embora este seja o seu primeiro romance) e mais uma vez fiquei envolvida na sua escrita maravilhosa, um livro muito bem escrito, com factos históricos que nos permite ver a evolução política do Brasil e com personagens reais que ficam connosco por muito tempo.
Profile Image for Clara.
81 reviews21 followers
July 5, 2021
que grande aula de história! que grande trabalho investigativo! a reconstituição da história da família de Eliana Alvez Cruz fala muito sobre como o Brasil foi se constituindo desde a época colonial. achei incrível a junção de mulheres e homens negros que tanto se apoiaram e resistiram. fico muito contente de que essas histórias sejam contadas, e não apagadas como muitas outras de origens semelhantes, e sinto que agora conheço melhor o Brasil e, especialmente, a Bahia.
Profile Image for Laura Helena.
21 reviews5 followers
February 26, 2021
Ao escrever, agora mesmo fechando 3 da manhã kkkk, essa review preciso alertar que eu sou muito emocionada e a tpm me deixa bem sensível, o que talvez comprometa minha decisão no número de estrelinhas. Isso porque eu teria dado 4, mas ao terminar o livro me veio um sentimento de grande nostalgia e emoção, por isso o 5. Tão lindo o movimento de buscar suas raízes, sempre tive um pouco disso em mim por “culpa” do meu pai, que ama e sabe muito da origem dos Bergel. Muito incrível ler um relato não só dessa família, mas também do Brasil, senti muito o que chamam de “história viva” e, por mais que a leitura pipoque rapidamente entre gerações, foi muito prazeroso “ouvir” essa estória, queria muito que mais brasileiros soubessem e lessem esse livro.
Profile Image for Bhárbara Senne.
59 reviews4 followers
February 23, 2021
3,5
como eu não me informo sobre absolutamente nada de um livro antes da leitura, não fazia ideia de que era a história da família da autora. Então, num primeiro momento, achando que era apenas um livro "normal"... não gostei. Achei a escrita meio amadora, achei que tinha um excesso de fatos históricos que não colaboravam muito pra história, achei os personagens pouco desenvolvidos. Aí lá pela metade descobri ser a história das ancestrais dela, o que mudou bastante minha relação com o livro. Comecei a compreender melhor porque a brevidade de cada acontecimento e de cada personagem e admirar bastante o trabalho de reconstituição histórica empreendido pela Eliana.
Profile Image for Nathalie Gonçalves.
166 reviews40 followers
October 19, 2025
““O rio, por maior que seja, nunca briga com a pedra. Ele segue seu rumo… e chega no mar”.”

todo brasileiro deveria ler esse livro.
todo mundo, melhor dizendo.

“A justiça é nossa estrada”

UPDATE 4 DIAS DEPOIS DE TERMINAR O LIVRO
eu definitivamente preciso falar mais sobre esse livro. Por que todo brasileiro deveria ler? Por que todo mundo deveria ler?
Eliana Alves Cruz conta a história de seus descendentes desde os últimos (e lentos) suspiros da escravidão no Brasil, passando por gerações construídas por mulheres. aliás, para além da questão racial, uma outra questão ganha fôlego: a sobrevivência da mulher negra, abandonada por seu par, tentando construir uma liberdade em meio ao caos da sociedade dirigida por homens brancos. a história chega aos ouvidos de Eliana de forma curiosa - bom, não vou dar spoiler.
pensando bem, é um livro tão grandioso que não há nada que eu use para tentar descrever que seja tão forte e convincente quanto a própria leitura.
Eliana deu o nome.
Profile Image for Marta Clemente.
756 reviews20 followers
August 10, 2024
Neste "Água de barrela" Eliana Alvez Cruz conta-nos a saga da sua família desde que em pleno século XIX foi transportada num dos últimos, e já ilegais, navios negreiros para o trabalho escravo no Brasil até aos dias de hoje.
Muito bem contada e interligada, a história desta família de mulheres e também alguns homens fortes é verdadeiramente apaixonante. É também um autêntico documento acerca da história do Brasil.
Gostei muito!
Profile Image for Victor P.
42 reviews
January 29, 2023
A história de uma família que é na verdade a história do Brasil. Minucioso e amplo mas sem perder o foco na histórias das pessoas no plano individual. Leitura obrigatória.
Profile Image for Bebel Sader.
145 reviews16 followers
November 18, 2023
Uma obra prima. Foram tantos os pontos que me tocaram, a sensibilidade dos personagens, a impecável elaboração do contexto histórico e a habilidade da autora em elaborar uma narrativa que atravessa gerações e a sua própria vida sem se prolongar. O livro não tem nenhuma barriga, tudo que está ali é essencial para a história.
É tocante a forma que a autora escancara o racismo estrutural da sociedade brasileira. Como por muitos anos, mesmo com o fim da escravidão, nada mandou para a população negra. A invisibilidade das mulheres pretas, sua ausência de voz e abstenção total das próprias narrativas é uma cicatriz horrível na história do Brasil.
Chorei em diversos trechos, e vou recomendar esse livro para todo mundo que eu conheço.
Profile Image for Maria .
88 reviews
February 1, 2023
CARAS MT BOM. Que escrita, que narrativa, que enredo... EU TO SEM PALAVRAS! Não é a toa que prof jaque e gu falam tanto sobre esse livro. Simplesmente bom demais.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Cíntia Sousa.
27 reviews
August 26, 2020
Chego ao fim desse livro com a sensação de que um pouco da minha história também faz parte dele. Neta de baiana que nasceu na década de 30 e que trabalhava desde muito nova como lavadeira. Depois de lavar e quarar muita roupa na pedra, minha vó veio para o Rio de Janeiro, morar na favela e trabalhar em "casa de família", casa de almirante. Sem estudo, conseguiu colocar uma dos seis filhos da faculdade estadual do Rio de Janeiro. Já a minha geração toda fez graduação e pós-graduação em instituições públicas. Mérito do trabalho árduo de minha avó.
Esse livro lindo que conta um pouco da história de cada um de nós, pretos brasileiros, emociona e faz a gente entender toda a desigualdade do nosso país e como ainda temos muito o que caminhar na luta contra o racismo.
Profile Image for Antara Morri.
8 reviews2 followers
July 11, 2020
Incrível!
Daqueles livros que tiram o fôlego, lágrimas e risadas. Escreve de forma subjetiva e bonita toda a dor das pessoas pretas vendo a branquitude fazer de tudo para apagar a ancestralidade dos negros escravizados. E depois tentarem apagar a nova história que eles mesmos, brancos, escreveram e submeteram essas pessoas, como se os negros não tivessem direito à história e à memória.
Mostra com muita dor a movimentação da branquitude se reinventando pra reafirmar o lugar do negro na posição de escravo mesmo depois do fim da escravidão. Mas mostra também muita luta e muita força dessa família pra dizer: “não, nós não cabemos nessas caixas. nós merecemos ocupar os mesmos espaços que vocês”.
E ocuparam.
Grandioso!
Profile Image for Diego Eleuterio.
7 reviews1 follower
February 13, 2019
Foi uma leitura arrastada, com pausas necessárias pra recuperar o fôlego, enxugar as lágrimas, e preparar pra viagem densa (mas linda) que esse livro me proporcionou. A Eliana Alves é uma excelente contadora de histórias.
Profile Image for Felipe Vieira.
789 reviews19 followers
January 5, 2025
Muitas histórias têm pontos em comum, mesmo que sejam diferentes. Ao ler Água de barrela, tive a sensação de já ter lido algo parecido antes. Então percebi que ali havia algo de Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves. Não estou querendo fazer uma comparação de escrita ou enredo, mas apenas apontar semelhanças nas vidas negras no Brasil.

O livro é a história da família da autora de forma ficcionalizada. Não estava curtindo nas primeiras páginas, por achar a narrativa rápida demais. Mas, ao longo da leitura, minha percepção foi mudando e consegui aproveitar os episódios familiares narrados.

Cruz traz a complexidade dos personagens negros, e isso é uma das coisas que mais me agradam. A gente se apega aos personagens e torce por eles.

Água de barrela se passa no mesmo universo de Um defeito de cor: um Brasil que escraviza negros africanos, mas onde eles precisam reagir e lutar com todas as forças para não sucumbir. É um lugar onde mulheres negras continuam doando suas forças e vidas para ensinar e ajudar os seus a alcançarem voos maiores.

É, sem dúvida, uma história de muita luta, dor e sofrimento, mas não se resume a isso. Aqui também encontramos amor, respeito, admiração, carinho e suporte. E está longe de terminar. Eliana Alves Cruz escreve sobre sua família, mas escreve também sobre tantas outras famílias negras. Ela escreve sobre o Brasil e a complexidade da existência negra. Fica a recomendação.
Profile Image for Gustavo Pitz.
211 reviews1 follower
December 29, 2023
Baita livro!! Já é o terceiro livro que leio dessa autora e recomendo muito!
Em resumo, ela transforma em ficção a história da família dela desde a África, passando pelo fim do período da escravidão na Bahia e pelo pós-abolição. Meu sonho é poder usar em sala de aula essa obra-prima!

Só tenho uma ressalva, que é: em alguns momentos, a narrativa é muito didática e descritiva, fazendo com que o leitor se desprenda um pouco do enredo. Acho que esse aspecto a autora melhorou em seus últimos livros. Penso que esse amontoado de informações que ela dá ficariam melhor distribuídas se a narrativa fosse mais longa.

9.2/10.
Profile Image for Mariah Pedrosa.
67 reviews1 follower
January 21, 2024
Potência de livro. Uma verdadeira história muito bem contada. Intersecção entre vida real e ficção de 100 anos de história. A autora conta a história de sua família, desde o tráficos de escravos para o Brasil até os dias atuais.
Delicado e profundo, um conto fluido que tem como protagonismo a realidade social e relações afro-brasileiras.
Muitos e muitos trechos tristes, que doem saber a realidade tão evidente questão racial do nosso país.
Vale a pena a leitura!
Profile Image for Marina Tommasi.
166 reviews5 followers
July 1, 2021
Me lembrou muito o Roots, de Alex Haley, descrevendo gerações de famílias negras desde a escravidão. Gostei muito também da contextualização histórica no Brasil e da relação com as famílias brancas, que deixa clara a questão do racismo estrutural de hoje. Única crítica é o ritmo acelerado do livro, gostaria de ter mais tempo com cada geração. As vezes eu demorava para me situar, por questões de pulo de tempo e pela enorme quantidade de personagens.
Profile Image for Manoela Mitchell.
75 reviews5 followers
February 1, 2025
Meu segundo livro da autora e de novo muito bom. Que baita história pra refletir sobre os privilégios de se nascer branca
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Amanda Sales.
5 reviews
April 15, 2023
livro lindoo! Amei ter revisado boa parte da história do país. Eliana fez um tremendo trabalho investigativo para contar a origem de sua família. E nos faz relembrar como o processo de escravidão teve consequências até os tempos recentes, sobretudo para seus descendentes.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Dulcinea Silva.
200 reviews
September 22, 2025
Terminei Água de Barrela, de Eliana Alves Cruz, com a sensação de que estava diante de um livro pequeno em tamanho, mas imenso em alcance. A narrativa atravessa dois séculos da história brasileira e acompanha gerações de uma família negra que carrega consigo tanto o peso da escravidão quanto a força de permanecer. Há algo fascinante na maneira como a autora conduz esse enredo: as vidas se repetem em círculos, como se estivessem presas a um destino que insiste em retornar, mas ao mesmo tempo cada personagem encontra brechas para afirmar sua própria voz. É uma história sobre dor e memória, mas também sobre resistência e continuidade, sobre como uma família inteira sobrevive às violências que tentaram destruí-la.


Confesso que no início me senti um pouco perdida. São muitos nomes, muitas gerações, muitos fios que parecem se entrelaçar todos de uma vez, e tive a impressão de estar diante de um mosaico difícil de organizar. Mas logo percebi que essa sensação também fazia parte da experiência: a história de uma família escravizada e descendente de escravizados não é linear, não é simples, não cabe em um esquema arrumado. Ainda assim, Eliana Alves Cruz nos dá ferramentas preciosas para acompanhar o enredo. A árvore genealógica, colocada logo nas primeiras páginas, serve como uma espécie de mapa que ajuda a nos situar, e as fotos inseridas no livro fazem algo ainda mais forte: elas materializam a memória, lembram que não se trata apenas de personagens ficcionais, mas de uma história enraizada em vidas que existiram, em pessoas de carne e osso. Essa presença visual nos puxa para dentro da narrativa de uma maneira quase física, tornando impossível esquecer que tudo aquilo ecoa experiências reais.


O que mais me chamou a atenção, entretanto, é a forma como a autora condensa duzentos anos em uma narrativa relativamente curta. Não há excesso, não há enfeite: cada capítulo parece medir suas palavras com cuidado, para que caibam nelas séculos de violência e de sobrevivência. Essa escolha estilística, de certa forma, imita o próprio movimento da memória: o tempo se dobra, as gerações se sobrepõem, e a repetição de dores e destinos faz com que passado e presente se confundam. Não por acaso, sentimos que as personagens estão sempre voltando ao mesmo lugar, sempre enfrentando as mesmas opressões, ainda que sob outras máscaras.


E é nesse ponto que o livro se torna mais do que uma saga familiar. Água de Barrela não é apenas o retrato íntimo de uma linhagem; é também a história do Brasil contada por dentro, desde o ponto de vista de quem raramente pôde falar. O século XIX surge ali com toda a sua brutalidade: os engenhos, a escravidão, as relações violentas e assimétricas entre senhores brancos e famílias negras escravizadas. Mas Eliana não para aí. Ela nos mostra que a abolição, por mais celebrada que seja nos discursos oficiais, não significou de fato liberdade. No século XX, os descendentes desses personagens ainda carregam as marcas da escravidão: a exclusão social, o racismo estrutural, a pobreza que se perpetua. A cada nova geração, reconhecemos as réplicas de um sistema que nunca deixou de existir  apenas mudou de forma.


Essa percepção foi, para mim, uma das mais fortes do livro. A escravidão não acabou em 1888. O que terminou foi apenas a sua forma legal, mas suas estruturas foram recicladas, reproduzidas em outras esferas. O trabalho precarizado, a negação de direitos, a violência policial, a marginalização das famílias negras no espaço urbano: tudo isso é continuação. Eliana mostra esse processo sem precisar discursar: é a vida das personagens que revela essa circularidade, essa sensação de aprisionamento histórico que só muito lentamente começa a ser rompido.


Outro ponto que me impressionou é como Eliana Alves Cruz expõe o entrelaçamento das vidas negras e brancas no Brasil, uma convivência forçada que moldou famílias inteiras. A intimidade era atravessada pela violência: senhores e escravizados compartilhavam espaços, afetos e até laços de sangue, mas esses vínculos nunca se davam em igualdade. Havia ambivalência em cada gesto: proximidade e distância, cuidado e exploração, reconhecimento e apagamento. A autora mostra que a história do país nasceu desse convívio marcado pela assimetria, onde a vida de uns só existia às custas da submissão dos outros, e que os descendentes carregam até hoje as marcas dessa herança contraditória.


Enquanto lia, não pude deixar de pensar em outro livro que está comigo neste momento: Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves. Ainda que cada obra tenha sua estrutura própria — e Um defeito de cor seja muito mais volumoso, com fôlego épico —, há entre elas um diálogo íntimo. Ambas se dedicam a contar a história negra do Brasil a partir de dentro, dando protagonismo às mulheres, mostrando como a experiência da escravidão e suas consequências atravessam gerações. Se em Ana Maria Gonçalves temos o mergulho profundo em uma vida individual que se abre para a coletividade, em Eliana Alves Cruz temos a coletividade que se adensa em muitas vidas, como se cada personagem fosse um fragmento indispensável de um mosaico. Ler as duas obras juntas foi para mim uma experiência de complemento: onde uma expande, a outra condensa; onde uma mergulha em detalhes, a outra mostra a repetição cíclica. E juntas, parecem me dizer que a história do Brasil não pode ser contada sem ouvir essas vozes.


O mais fascinante é como esse encontro literário afeta também a forma de ler. Um defeito de cor exige uma entrega demorada, um mergulho em uma narrativa de muitas páginas; Água de Barrela, por sua vez, pede atenção ao detalhe, pede que a gente volte, consulte a árvore genealógica, olhe de novo a fotografia. Um livro ensina paciência, o outro ensina memória. E percebo que essa dupla leitura me ajuda a pensar que talvez seja mesmo assim que a história se dá: ora lenta e monumental, ora fragmentada e dispersa, mas sempre insistente, sempre retornando, sempre querendo ser contada.


Ao fim, Água de Barrela me deixou com a impressão de que a literatura pode ser, de fato, um lugar de reparação. Não no sentido de apagar o que aconteceu porque isso seria impossível, mas no de registrar, lembrar e devolver às vozes silenciadas a possibilidade de existir na narrativa. Cada personagem do livro, mesmo aqueles que aparecem brevemente, parece ganhar um direito à memória. Isso é de uma potência imensa, sobretudo em um país que insiste em esquecer sua história escravista ou em reduzi-la a notas de rodapé.


Eliana Alves Cruz não nos permite esse esquecimento. Ao contrário, ela nos convida a olhar de frente para os fantasmas que ainda nos cercam e a reconhecer que o Brasil que somos hoje só pode ser compreendido se encararmos essa herança. Ao mesmo tempo, há no livro uma ternura, um cuidado com as personagens, que nos impede de reduzir a narrativa a um catálogo de sofrimentos. É também uma celebraç��o da vida, da continuidade, da possibilidade de existir apesar de tudo.


Fecho o livro com a certeza de que ele ficará comigo por muito tempo, porque não fala apenas de um passado distante, mas também do presente em que vivemos. Ao acompanhar a saga dessa família, reconheci não só a história de um país, mas também as marcas que ainda atravessam nossas cidades, nossas relações, nossas desigualdades. E talvez seja essa a maior força de Água de Barrela: mostrar que a memória é uma forma de resistência, que lembrar é também um modo de lutar, e que cada história resgatada é um passo a mais contra o esquecimento.


Água de Barrela de Eliana Alves Cruz. Rio de Janeiro: Malê, 2018. 322p. Leitura de Setembro 2025.
Profile Image for Ivandro Menezes.
Author 5 books27 followers
April 22, 2021
A delicadeza dessa narrativa contrasta tristemente com a dureza das vidas que revela. Guardado baú da memória de tia Nunu, Eliana Alves Cruz desenrola o novelo da própria história familiar.

A narrativa centrada em sua ancestralidade feminina (Ewà Oluwa, Anolina, Martha, Damiana, Nunu) constrói o fio que resiste aos açoites dos feitores, as violações sexuais, as humilhações, as portas fechadas, aos corres da polícia, revelando não apenas força, mas esta tornada em resistência e esta feita luta e luta justificada pela sobrevivência. Não que não aparecem os homens de Gowon, morto em África, passando por Akin/Firmino, Roberto, Adônis, João Paulo até Eloá, mas, em muitos aspectos revelam-se coadjuvantes.

Mas não pense que tudo se resume a isso, a história dessa mulheres e de sua gente confunde-se com a própria história do Brasil e com a de seus opressores. A ascensão de um confunde-se com o declínio do outro.

As personagens encarnadas em olhares, na altivez que resiste ao cativeiro, no afã pela liberdade, na luta para legar ao filhos um melhor destino, fiando-se apenas na força do trabalho, no sacrifício e na esperança. Somos mergulhados em seus terrores, em sua dores e carregados continuamente pela emoção. Cada mulher, cada criança, cada um deles também são nossa família.

Tudo é tão bem reconstituído que somos transportados ao tempo, aos canaviais baianos e as ruas de Salvador. O texto de Eliana é detalhista, não poupa em realismo e isento julgamentos, embora carregado em denúncia. Denuncia essa outra história, a silenciada, lançada para longe e continuamente negada.

A linguagem é clara e direta, manejada com certa habilidade, embora aqui e acolá pese em certo didatismo estranho à ficção, mas que compreendo (e do qual também me vi grato em alguns momentos). Revela uma escritora segura de suas escolhas e pronta para amadurecer (como vi em seu romance mais recente).

Há muito a ser dito e pouco espaço para dizer, mas que feliz encontro com esse romance. Recomendadíssimo.
Profile Image for Ana Luiza Furtado.
55 reviews17 followers
February 26, 2019
Não vou mentir, tem horas em que o livro é confuso, em diversos momentos pensei "isso podia ser mais bem escrito" (não que a escrita da Eliana seja ruim, longe disso). Mas nada disso diminui a importância e o impacto desse livro. Embora tenha conseguido segurar as lágrimas na maior parte do tempo, nas páginas finais, ao ver tudo pelo que tinham lutado e conquistado, chorei sem parar.

A primeira parte do livro é mais focada em personagens homens, especialmente Firmino, mas nas duas partes seguintes a narrativa é dominada por mulheres negras fortes, incríveis, perseverantes e batalhadoras, lutando a sua modo para superar as marcas deixadas pela escravidão.

Recomendo muito a leitura.
Profile Image for Thiago André.
32 reviews6 followers
Read
March 7, 2025
Não é uma história sobre escravidão, é a história de uma família caminhando - por gerações - de volta para a liberdade. Para mim, o livro alcança um outro patamar emocional quando se descobre que essa é uma história de caráter memorialístico, nascido da investigação que a autora fez sobre a própria linhagem familiar. Isso realmente é um jeito bonito de tomar o controle de sua própria memória e ancestralidade.
48 reviews
July 25, 2021
Gostei mas é muito confuso, nomes demais, muitas vezes iguais, bem difícil de entender quem é quem….
Profile Image for Sara.
595 reviews
August 31, 2025
4,75 ⭐️

Água de Barrela atravessa séculos e gerações para contar a história de uma família negra brasileira, desde a captura em África até aos dias mais recentes.

O que impressiona é a forma como Eliana Alves Cruz costura memórias e vozes, dando vida a personagens que carregam tanto sofrimento, mas também uma força e dignidade inesgotáveis.

O título é perfeito: tal como a água de barrela branqueava roupas, há séculos que se tentou embranquecer e apagar a identidade negra e este livro resgata e honra essas memórias.

Há um contraste que atravessa toda a narrativa: a violência e a crueldade dos engenhos ao lado das canções, da religiosidade e da esperança transmitida entre mães, pais e filhos.

Mais do que um romance de família, é uma homenagem profunda à ancestralidade da própria autora, inspirada nos percursos dos seus antepassados e, ao mesmo tempo, um testemunho coletivo.

Recomendo vivamente, não só pela escrita envolvente, mas pela importância de reconhecer de onde vimos e de compreender melhor as marcas que ainda hoje carregamos.

“Não queremos mais aquilo que embranquece a negra maneira de ser.
Não queremos mais o lento e constante apagamento da cor de terra
molhada, suada, encantada…
Queremos os remendos dos panos, nas tramas dos anos
sofridos, amados…
E acima de tudo,
apaixonadamente vividos.” 🤍

“No fundo, ela achava que o que se queria mesmo era que tudo fosse mergulhado nessa água que branqueia: as roupas, as vidas, as pessoas… Todos mergulhados na água de barrela.”

“Noite e dia no ‘vapt-vupt’ da água e sabão. Sem lamentos, sem perda de tempo com a tristeza. Apenas barrela, água, sabão, ferro de engomar, trouxas, varal cheio de tecido ao vento e os cobres que ajudaram a sobreviver e a manter aquela família que agora estava ali vestida de branco.”

“Preto e branco…
Tinha vivido intensamente esse mundo bicolor.”

“Não era essa a liberdade que eles queriam. Sem trabalho, sem terra, com a polícia no pé, com medo do presente e do futuro.”

“Pensava muito sobre esta última parte: ‘Ele veio, está na terra’. Por mais que olhasse, não conseguia ver justiça em nada.
Tinham sido capachos desde sempre daquela família que fez tantos sucumbirem com castigos, com uma quantidade insana de trabalho e toda a sorte de humilhações.
Onde estava o rei da justiça que estava na Terra, mas não se mostrava aos olhos dela?”

“É impossível não pensar no conceito que diz que a matéria se acaba, mas o que é do espírito se eterniza.
A história continuou e está prosseguindo através de todos nós, pessoas comuns, mas que têm em suas mãos os pedaços miúdos da vida.”
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