como o próprio safatle coloca na conclusão do livro, em momentos, o texto dá a ver o esforço de escrever um livro introdutório sobre lacan, política e emancipação. evidentemente, dado o tamanho do desafio, não há de ser nada simples.
em que pesem as diversas imbricações, contradições dialéticas e complexidades próprias do assunto, o livro é uma excelente maneira de se aproximar dessas discussões. safatle também é muito generoso nas notas de rodapé, para quem desejar aprofundar em aspectos específicos da discussão de diversos dos leitores críticos de lacan.
de minha parte, é impossível que seja um livro de uma única leitura – mas, antes, um livro de consulta. há vários momentos brilhantes ao longo da leitura, em que safatle elucida todas as torções necessárias para pensar uma emancipação a partir de lacan. em particular, as discussões do último capítulo acerca da emancipação contra os estudantes de 68, foram exemplares.
ao final, minhas inquietações para aproximar rancière e lacan só aumentaram. me parece surpreendente que, até hoje, nenhum dos comentadores de rancière que li tenha mencionado esse estreito vínculo.