"Todos os pacientes moribundos sabem que vão morrer. Não se trata de lhe perguntar: 'Será que lhe contamos?' ou 'Será que ele já sabe?' A única pergunta que se deve fazer é: 'Será que posso escutar o que ele tem a dizer?'" (Elisabeth Kübler-Ross)
É isto que a médica brasileira de cuidados paliativos procura fazer todos os dias. Um livro repleto de histórias verídicas cheias de emoção, amor, cuidado. É um livro sobre a kalotanásia, a morte bela que faz sentido na história de cada pessoa, individualmente. Gostava de ter uma Ana Cláudia no meu final de vida. Recomendo.
"Lembro, então, à familia que o exame pode ser escondido na gaveta, mas a doença e os seus efeitos no corpo, não.
É justo não falar sobre a morte?"
"Acredito que todos nós temos uma consciência inconsciente sobre a nossa morte, uma inteligência acima do neo-córtex que nos informa quando ela está a chegar e nos impele a comportamentos que só serão compreendidos depois. O mundo está cheio de histórias de pessoas que, sem saber que estavam prestes a morrer, se despediram das pessoas queridas, se reconciliaram com quem estavam desavindas, deixaram mensagens precisas sobre assuntos até então mal resolvidos. De alguma forma, elas sabiam."
"Eu, que esperava uma reacção de profunda agitação, fui surpreendida com uma despedida lúcida e reconfortante para o paciente. De alguma maneira, ela sabia que ele estava a morrer. Os seus neurónios, desconectados há tantos anos, comunicaram-se de forma misteriosa no cérebro somente para aquele adeus."
"A. ensinou-me que o amor não fica no córtex cerebral: mora noutra região e desfruta de uma conexão perene, ainda que inexplicável. Afectos não são esquecidos, mesmo num quadro de demência. Esta não é uma conclusão médica nem filosófica: é uma conclusão empírica."
" Mas o que mais me impressionava era quando ela olhava para mim ria e dizia: que coisa engraçada, eu tenho absoluta certeza que te amo MUITO, mas não consigo lembrar de quem tu és."