What do you think?


O Amante do Crato
Nas palavras de Urbano Tavares Rodrigues, este «É um muito belo conjunto de contos, cada qual mais original do que os outros e onde a todo o passo se encontra a escrita desafiante, criadora, irónica e lírica de Maria Velho da Costa, o seu gosto pelo vocábulo raro, pela construção insólita, pela intenção verbal. O pequeno texto que dá o título ao volume é uma evocação do mágico e do diabólico da primeira infância, em que uma menina arisca é salva da mordedura de uma víbora por outra criança, o primo (o amante do Crato) que se interpõe, vindo a morrer assim por ela. [...]». Esta edição é enriquecida pelas belíssimas pinturas de Ilda David e inclui um posfácio de Manuel Gusmão.
- GenresPortuguese Literature
56 pages, Paperback
First published January 1, 2012
About the author
Maria Velho da Costa
34 books71 followersWith a germanic philology degree, Maria was a high school teacher and member (and later president) of the "Associação Portuguesa de Escritores", the portuguese authors association.
She was deputy secretary of state for culture in 1979 and was second in charge for the cultural theme for Cabo Verde from 1988 to 1991 and now work for the "Instituto Camões" (Camões Institute).
She had regular contribution to movie scripts, particularly in films by João César Monteiro, Margarida Gil and Alberto Seixas Santos.
She was involved in the conception of a controversial book with the title "Novas Cartas Portuguesas" in 1969 with other two authors (Maria Teresa Horta and Maria Isabel Barreno, the three Marias) in wich the plot criticized the traditional position of women in social life and indirectly criticized the fascist government.
Books: Novas Cartas Portuguesas (with Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno), Irene ou o Contrato Social, O Amante do Crato, O Livro do Meio (com Armando Silva Carvalho)
She won the Vergílio Ferreira prize in 1997 and the Camões Prize in 2002.
She was deputy secretary of state for culture in 1979 and was second in charge for the cultural theme for Cabo Verde from 1988 to 1991 and now work for the "Instituto Camões" (Camões Institute).
She had regular contribution to movie scripts, particularly in films by João César Monteiro, Margarida Gil and Alberto Seixas Santos.
She was involved in the conception of a controversial book with the title "Novas Cartas Portuguesas" in 1969 with other two authors (Maria Teresa Horta and Maria Isabel Barreno, the three Marias) in wich the plot criticized the traditional position of women in social life and indirectly criticized the fascist government.
Books: Novas Cartas Portuguesas (with Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno), Irene ou o Contrato Social, O Amante do Crato, O Livro do Meio (com Armando Silva Carvalho)
She won the Vergílio Ferreira prize in 1997 and the Camões Prize in 2002.
Ratings & Reviews
Friends & Following
Create a free account to discover what your friends think of this book!
Community Reviews
Displaying 1 - 10 of 10 reviews
March 9, 2021
3,5*
Não lhe parece estranho que certas memórias de infância estejam assim coalhadas em luz, encapsuladas como aquelas esferas de vidro que ao virar-se cintilam de neve ou de partículas doiradas sobre uma paisagem em miniatura?
- O Amante do Crato
As personagens apresentadas nestas curtas histórias são bizarras, misteriosas e desamparadas. Umas têm algo de sobrenatural, outras parecem tocadas pela loucura e pela fatalidade. São contos que valem muito pela escrita, a qual não é muito acessível pela escolha de vocábulos e pelo fluxo de consciência, mas são tão incorpóreos como as personagens, terminando quando ainda parecem ter mais para oferecer.
Miss Laura melancolizava sempre pela primavera, com muita alteração de humores. Isso era certo e sabido. Raiava pelas rasgadas janelas a manhã de Março. Faziam medo aquelas janelas, de tão altas, largas e nuas sobre o parque. Não chegavam a embaciar, criavam só uma mancha verde-água como um vulto de afogado.
- A Ponte de Serralves
A Prima Odília – 3,5*
O Poder Fatal - 4*
A Ponte de Serralves – 3,5*
O Amante do Crato – 4*
[Obrigada, Ana Luiz, por esta beldade]
#circulalivros
Não lhe parece estranho que certas memórias de infância estejam assim coalhadas em luz, encapsuladas como aquelas esferas de vidro que ao virar-se cintilam de neve ou de partículas doiradas sobre uma paisagem em miniatura?
- O Amante do Crato
As personagens apresentadas nestas curtas histórias são bizarras, misteriosas e desamparadas. Umas têm algo de sobrenatural, outras parecem tocadas pela loucura e pela fatalidade. São contos que valem muito pela escrita, a qual não é muito acessível pela escolha de vocábulos e pelo fluxo de consciência, mas são tão incorpóreos como as personagens, terminando quando ainda parecem ter mais para oferecer.
Miss Laura melancolizava sempre pela primavera, com muita alteração de humores. Isso era certo e sabido. Raiava pelas rasgadas janelas a manhã de Março. Faziam medo aquelas janelas, de tão altas, largas e nuas sobre o parque. Não chegavam a embaciar, criavam só uma mancha verde-água como um vulto de afogado.
- A Ponte de Serralves
A Prima Odília – 3,5*
O Poder Fatal - 4*
A Ponte de Serralves – 3,5*
O Amante do Crato – 4*
[Obrigada, Ana Luiz, por esta beldade]
#circulalivros
December 21, 2020
3,5*
Maria Velho da Costa é uma autora pela qual tenho uma enorme admiração, e que infelizmente perdemos em Maio de 2020. Esta edição contém um desenho de João Cutileiro que infelizmente também faleceu há poucos dias. Duas figuras incontornáveis da cultura portuguesa aqui unidas nesta edição maravilhosa das edições ASA.
Este é um pequeno livro de contos que contém quatro contos: "A Prima Odília", "Poder Fatal", "A Ponte de Serralves" e por fim, o conto que dá título a este livro, "O Amante do Crato".
São contos bastante curtos, mas cuja brevidade não é sinónimo de uma leitura rápida e simples. Neles, a autora usa o seu riquíssimo e incomum vocabulário, fazendo também uso de uma sintaxe invulgar. Estes traços da escrita da autora exigiram de mim enquanto leitora alguma entrega, esforço e diligência, que envolveram pausas e retrocessos, e até mesmo releituras integrais.
Quanto mais me empenhava nesta leitura mais me apercebia que a autora não me desafiava apenas a um nível meramente literário, mas também no que as suas palavras começavam a propagar em mim.
Não falarei em cada conto individualmente, porque foi em conjunto que eles impactaram, não podendo particularizar em nenhum deles o ónus da minha apreciação final.
E o que em mim ficou foi incómodo, foi essencialmente uma sensação de aridez dos afectos. Não no íntimo dos personagens que compõem estas histórias, mas nas suas relações com o outro. Como se estes personagens guardassem a sua essência emocional apenas para si, acautelando-se das agressões emocionais que do outro e do mundo poderiam advir. No entanto, era uma defesa que poderia facilmente ser confundida com agressão, e que inevitavelmente contribuía para a manutenção deste distanciamento e esterilidade relacional. Tudo isto passou-me uma imagem de alguma escuridão, de vivências tétricas onde um pequeno gesto de carinho ou afecto poderia ser sentido de forma excessiva ou hiperbólica, pela sua raridade.
É difícil falar deste livro e não sei se me conseguí fazer entender com esta opinião. Foi uma leitura desafiante, mas gostei do desafio. Não é o meu género de leituras preferidas, mas deu-me prazer fazer esta leitura... Enfim. Adoraria que outras pessoas da comunidade o lessem e uma vez que outra leitora (para minha enorme alegria) já demonstrou interesse, a minha edição em breve vai partir e um dia destes seremos com certeza todos recompensados com outra opinião aqui pelo Goodreads.
## POST COMPLETO SOBRE ESTE LIVRO NO BLOGUE LINKED BOOKS
## OPINIÃO NO PODCAST DO LINKED BOOKS
## OPINIÃO NO CANAL YOUTUBE DO LINKED BOOKS
Maria Velho da Costa é uma autora pela qual tenho uma enorme admiração, e que infelizmente perdemos em Maio de 2020. Esta edição contém um desenho de João Cutileiro que infelizmente também faleceu há poucos dias. Duas figuras incontornáveis da cultura portuguesa aqui unidas nesta edição maravilhosa das edições ASA.
Este é um pequeno livro de contos que contém quatro contos: "A Prima Odília", "Poder Fatal", "A Ponte de Serralves" e por fim, o conto que dá título a este livro, "O Amante do Crato".
São contos bastante curtos, mas cuja brevidade não é sinónimo de uma leitura rápida e simples. Neles, a autora usa o seu riquíssimo e incomum vocabulário, fazendo também uso de uma sintaxe invulgar. Estes traços da escrita da autora exigiram de mim enquanto leitora alguma entrega, esforço e diligência, que envolveram pausas e retrocessos, e até mesmo releituras integrais.
Quanto mais me empenhava nesta leitura mais me apercebia que a autora não me desafiava apenas a um nível meramente literário, mas também no que as suas palavras começavam a propagar em mim.
Não falarei em cada conto individualmente, porque foi em conjunto que eles impactaram, não podendo particularizar em nenhum deles o ónus da minha apreciação final.
E o que em mim ficou foi incómodo, foi essencialmente uma sensação de aridez dos afectos. Não no íntimo dos personagens que compõem estas histórias, mas nas suas relações com o outro. Como se estes personagens guardassem a sua essência emocional apenas para si, acautelando-se das agressões emocionais que do outro e do mundo poderiam advir. No entanto, era uma defesa que poderia facilmente ser confundida com agressão, e que inevitavelmente contribuía para a manutenção deste distanciamento e esterilidade relacional. Tudo isto passou-me uma imagem de alguma escuridão, de vivências tétricas onde um pequeno gesto de carinho ou afecto poderia ser sentido de forma excessiva ou hiperbólica, pela sua raridade.
É difícil falar deste livro e não sei se me conseguí fazer entender com esta opinião. Foi uma leitura desafiante, mas gostei do desafio. Não é o meu género de leituras preferidas, mas deu-me prazer fazer esta leitura... Enfim. Adoraria que outras pessoas da comunidade o lessem e uma vez que outra leitora (para minha enorme alegria) já demonstrou interesse, a minha edição em breve vai partir e um dia destes seremos com certeza todos recompensados com outra opinião aqui pelo Goodreads.
## POST COMPLETO SOBRE ESTE LIVRO NO BLOGUE LINKED BOOKS
## OPINIÃO NO PODCAST DO LINKED BOOKS
## OPINIÃO NO CANAL YOUTUBE DO LINKED BOOKS
October 2, 2016
Este é um daqueles livros que, enquanto estudante de literatura, me deixa intrigada. O Amante do Crato é um livro que reúne quatro contos de Maria Velho da Costa. Se pegam neste livro na premissa de ser uma leitura leve e rápida (uma vez que falamos de contos) aviso já que estão redondamente enganados.
É um livro que causa estranheza mas que não deixa de possuir uma beleza muito própria. Senti algumas semelhanças com a Clarice Lispector, naquilo que é uma prosa fragmentária, musical e sem fio condutor. É um livro marcado de um discurso flutuante que viaja através do poder da memória. Maria Velho da Costa realiza exercícios de conjugação de uma língua e de uma linguagem que ela gosta de descobrir como se fosse a primeira vez.
Dai a minha classificação. É um livro que me causou alguma estranheza e que, graças à sua belíssima densidade consegue ser um livro de difícil leitura. Não retiro a hipótese, contudo, de um dia voltar a pegar nele.
Para mim há dois aspectos neste livro que o tornam interessante, numa perspectiva de aprofundamento e de estudo: a questão do género e a experiência de perda de sentido da linguagem. Muitas vezes o narrador é um ser fragmentado, melancólico, reflexivo que nunca se revela e de quem nunca sabemos o nome. Esta noção de fantasmagoria, de um ser que sente e deambula pelos contos sem nunca nos revelar a cem por cento a sua personalidade (e o seu género).
Um livro cheio de contrastes, de jogos de palavras, de musicalidade e de fragmentação. Para além disso, um livro com belíssimas ilustrações de Ilda David que, contribuem com ainda mais densidade e complexidade. O posfácio de Manuel Gusmão é, neste livro, um barco salva-vidas que nos ajuda a entender a complexidade destes contos e, por isso, a apreciar o artífice que existe por detrás deste livro.
"... Mas o que enfim não se entende
É que aquele que se prende
É quem nos prende a nós."
É um livro que causa estranheza mas que não deixa de possuir uma beleza muito própria. Senti algumas semelhanças com a Clarice Lispector, naquilo que é uma prosa fragmentária, musical e sem fio condutor. É um livro marcado de um discurso flutuante que viaja através do poder da memória. Maria Velho da Costa realiza exercícios de conjugação de uma língua e de uma linguagem que ela gosta de descobrir como se fosse a primeira vez.
Dai a minha classificação. É um livro que me causou alguma estranheza e que, graças à sua belíssima densidade consegue ser um livro de difícil leitura. Não retiro a hipótese, contudo, de um dia voltar a pegar nele.
Para mim há dois aspectos neste livro que o tornam interessante, numa perspectiva de aprofundamento e de estudo: a questão do género e a experiência de perda de sentido da linguagem. Muitas vezes o narrador é um ser fragmentado, melancólico, reflexivo que nunca se revela e de quem nunca sabemos o nome. Esta noção de fantasmagoria, de um ser que sente e deambula pelos contos sem nunca nos revelar a cem por cento a sua personalidade (e o seu género).
Um livro cheio de contrastes, de jogos de palavras, de musicalidade e de fragmentação. Para além disso, um livro com belíssimas ilustrações de Ilda David que, contribuem com ainda mais densidade e complexidade. O posfácio de Manuel Gusmão é, neste livro, um barco salva-vidas que nos ajuda a entender a complexidade destes contos e, por isso, a apreciar o artífice que existe por detrás deste livro.
"... Mas o que enfim não se entende
É que aquele que se prende
É quem nos prende a nós."
June 27, 2024
Neste livro encontramos quatro contos de Maria Velho da Costa.
Ainda que todos os contos sejam de uma beleza singela, todos eles estão escritos com vocabulário bastante complexo. A autora usa vocábulos que me levaram a consultar o dicionário diversas vezes. Assim sendo, esta é uma leitura que se faz de forma vagarosa a fim de podermos saborear as histórias.
Ainda que todos os contos sejam de uma beleza singela, todos eles estão escritos com vocabulário bastante complexo. A autora usa vocábulos que me levaram a consultar o dicionário diversas vezes. Assim sendo, esta é uma leitura que se faz de forma vagarosa a fim de podermos saborear as histórias.
February 24, 2025
Um livro tão difícil, pela linguagem complexa e pela ausência de uma linha condutora das narrativas. Pus-me a ler um livro de contos porque me apetecia uma leitura leve. Escusado será dizer que isto foi completamente ao lado.
Gostei particularmente do conto “O Amante do Crato”.
“Não há ideia que me comova mais que a de voltar a casa e não sei onde fica.”
“Não lhe parece estranho que certas memórias de infância estejam assim coalhadas em luz, encapsuladas como aquelas esferas de vidro que ao virar-se cintilam de neve ou de partículas doiradas sobre uma paisagem em miniatura?”
Gostei particularmente do conto “O Amante do Crato”.
“Não há ideia que me comova mais que a de voltar a casa e não sei onde fica.”
“Não lhe parece estranho que certas memórias de infância estejam assim coalhadas em luz, encapsuladas como aquelas esferas de vidro que ao virar-se cintilam de neve ou de partículas doiradas sobre uma paisagem em miniatura?”
August 15, 2025
Dir-me-ão que mesmo um livro menor de Maria Velho da Costa é maior que, etc. E com razão. Mas também tenho razão quando digo que os grandes não devem ser comparados com os pequenos, mas consigo mesmos. E é nesse contexto que não consigo olhar para isto senão como uma junção de tentativas falhadas. Bem falhadas? Seguramente.
March 25, 2026
Comecei com pele de galinha.
São as obras que me fogem à compreensão imediata e, às vezes, à tentativa de compreensão profunda, as que mais me fazem sentido e, surpreendentemente, as que mais me tocam. Está tudo aqui.
São as obras que me fogem à compreensão imediata e, às vezes, à tentativa de compreensão profunda, as que mais me fazem sentido e, surpreendentemente, as que mais me tocam. Está tudo aqui.
September 19, 2021
"A alma é imortal mas não nos é dado saber aonde se demora." (p.58)
+
"Não há ideia que me comova mais que a de voltar a casa e não sei onde fica." (p61)
+
"Não há ideia que me comova mais que a de voltar a casa e não sei onde fica." (p61)
Read
December 19, 2023De facto ninguém escreve como Maria Velho da Costa
Displaying 1 - 10 of 10 reviews











