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O livro amarelo do terminal

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A jovem escritora Vanessa Barbara faz sua estreia editorial com um surpreendente livro-reportagem sobre a rodoviária do Tietê, em São Paulo. Primeira obra jornalística no catálogo da Cosac Naify, O livro amarelo do terminal empreende uma viagem singular ao que seria uma "versão condensada do mundo", como diz João Moreira Salles na orelha da edição. Valendo-se de recursos narrativos variados, que vão da reportagem clássica ao humor nonsense, o olhar arguto da escritora pinça, em meio ao tumulto, os tipos que passam por lá todos os dias - vendedores, crianças, velhinhas, surfistas -, e registra "uma história oral" do lugar a partir dos fragmentos de conversas colhidas ao acaso. Essa polifonia aparece também no projeto gráfico do livro. Suas páginas amarelas, de gramatura mais fina, brincam com a transparência e a sobreposição parcial das letras. Já os capítulos de cunho mais histórico são impressos em papel semelhante ao carbono, como os dos bilhetes de ônibus. O escritor Antonio Prata atesta: "Vanessa Barbara é a melhor escritora que eu conheço." Agora, é a vez do leitor se surpreender com seu talento.

233 pages, Kindle Edition

First published January 1, 2008

5 people are currently reading
269 people want to read

About the author

Vanessa Barbara

25 books80 followers
Vanessa Barbara is a Brazilian journalist and author. She writes for the magazine Piauí and the newspaper Folha de S. Paulo. Her articles are also featured in the International New York Times.

Barbara won the 2009 Jabuti Prize in Journalism for her work O Livro Amarelo do Terminal, about the Tietê Bus Terminal. She was shortlisted for the São Paulo Prize for Literature in 2008 for her debut book O Verão do Chibo. She was also listed by Granta among the Best of Young Brazilian Novelists in 2012.

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Community Reviews

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Displaying 1 - 18 of 18 reviews
Profile Image for Cristian Gallegos.
43 reviews1 follower
November 24, 2020
Vanessa Bárbara é uma grata surpresa. Em "Paris é uma Festa", Hemingway descreve uma conversa que teve com Ms Stein a respeito de suas ultimas leituras e ela o critica: "Por que você lê um homem morto?”. Falavam de Huxley, à época ainda vivo. No entanto, aquela situação relatada pelo imortal me fez perceber que, de fato, podemos estar dedicando tempo demais aos mortos. Assim, decidi explorar novas e promissoras opções. O ótimo review de um amigo aliado à lista do Prêmio Jabuti me motivaram a conhecer a obra de Bárbara. Iniciei com "O livro Amarelo do Terminal” no qual vemos um estilo simples, fluido e muito agradável - possivelmente jornalismo literário. Ela domina com facilidade a apresentação do ambiente e consegue realçar situações e momentos sutis que dão ao livro um sabor de leveza e contemplação, mesmo em meio ao caos que pode ser a maior rodoviária da América Latina. A obra pode ser considerada um apanhado de contos no universo do Terminal Tietê, alguns deles muito bons e outros tantos, hilários ou curiosos. Porém, torna-se repetitivo no último terço do livro, mudando os personagens e situações, mas sempre trazendo uma mesma receita já conhecida pelo leitor. No entanto, de forma alguma tira o mérito do livro que traz um retrato sincero do povo brasileiro, da desigualdade e da falta de humanidade dos políticos. Vale a leitura.
Profile Image for Camila Loricchio.
Author 16 books7 followers
August 30, 2020
Resenha de 12 de julho de 2017.

E nesse limbo de leitura em que entrei devido à correria dos últimos dias, consegui sentar pra ler um livro que estava na lista há tempos: O livro amarelo do terminal. Me recomendaram quando estava no meio do mestrado, “é uma super aula de como descrever o campo, Camila!”. Mas os tempos passaram e não consegui ler haha

“A rodoviária do Tietê é uma cidade de chicletes abandonados, de pessoas com pressa e de coisas perdidas.”

O livro amarelo do terminal, Vanessa Bárbara, p. 14.


Essas jogadas com a transparência do papel, meu bom chessus. <3

O livro vai fazer esse processo de mapear e descobrir a rodoviária em todos seus aspectos, do ponto de vista das pessoas que trabalham nela. Pessoal da limpeza, da segurança, carregadores, os passageiros, motoristas, galera das lojas, pessoal que não vemos quando passamos por lá… E é impressionante a sutileza e as escolhas dos termos que a autora faz pra comparar as situações e histórias que ouve.

“- 49 – diz um senhor, de repente, aproximando-se de Cíntia.
Ela nem pensa. Olha para ele e apenas retruca, como se fosse a coisa mais natural do mundo:
– Primeiro corredor à esquerda, no final.
– Ah, obrigado.
É sempre bom saber como reagir quando alguém chega de súbito e diz: “49”. Anote aí a resposta: primeiro corredor à esquerda. Pode acontecer a qualquer momento. E em qualquer lugar.”
O livro amarelo do terminal, Vanessa Bárbara, p. 35

Aliás, quando a gente realmente para pra ouvir as histórias das pessoas descobre que não conhece ninguém nem nada sobre a vida. A variedade de opiniões, de histórias de vida, de sinapses estranhas que o cérebro parece fazer tiram o aspecto de massa e de grupo. Cada um tem uma vida, uma família, um histórico e opiniões.

“Rosângela conversa com as pessoas sem rosto da rodoviária. Olha nos olhos de cada uma e ouve, com atenção, o que têm a dizer. Lembra-se de muitas delas, sabe quais são seus nomes e suas histórias. Dá um exemplo de relações públicas até para os altos funcionários da Socicam.”
O livro amarelo do terminal, Vanessa Bárbara, p. 46


E começa a odisseia por todos os telefones em que empurraram a pesquisadora…

O livro vai sendo separado por capítulos que dividem a história de cada um e os pedaços da rodoviária, tem um capítulo inteiro, por exemplo, que é a autora tentando falar com quem tem acesso aos contratos de licitação (o melhor é que ela já abre com a lei que diz que os documentos públicos devem ser… bem, públicos), e é passada de número em número, de ramal em ramal, até finalmente falarem “mas, moça, é público, mas é privado”. HAHAHA (rindo, porém, que drama, senhores e senhoras).

“Quando, no telefone principal, a chamada vem do balcão de informações, é provável que se trate de um PA – “Eu não sei a tradução, mas quer dizer que tem gente querendo anunciar um nome”. Ou então um AAU: “Que a tradução eu também não sei, mas é quando tem que chamar um FT para ajudar usuário”. Sim, a comunicação é feita em siglas obscuras, de sentido vago, mas que todos sabem “mais ou menos” o que querem dizer.”
O livro amarelo do terminal, Vanessa Bárbara, p. 85

Fiquei simplesmente apaixonada pela dose de sarcasmo e ironia extremamente sutis que ela usa. Seja quando a relações públicas do metrô lhe diz que não pode entrevistar as pessoas (porque vai que elas falam alguma coisa errada) e ela apenas escreve que já está lá há mais de 6 meses entrevistando e bem… não lhe importa. HAHA É simplesmente maravilhoso. E ainda por cima transcreve as conversas que teve com ela:

“- Escuta, mas proibir os funcionários de falar não é errado? E a liberdade de expressão?
Ela dá risada. Ah, essas crianças. Nunca entendem.
– Não, não é isso. A gente apenas instrui o funcionário, só porque ele pode dizer algo errado, aí prejudica a empresa. Não sei em termos de jornalismo – não entendo nada de jornalismo, eu faço Relações Públicas -, mas eu estou aqui na Socicam preocupada só com uma coisa…
– … a segurança dos usuários, eu sei, mas…
– Não, não! Quer dizer, a segurança também, mas estou preocupada com a imagem. Então tenho que prestar atenção no que as pessoas falam para a imprensa, no que vai dar no jornal. Não pode pegar mal.”
O livro amarelo do terminal, Vanessa Bárbara, p. 127


Aí a delicadeza do sarcasmo, se fosse entrevistar exatamente apenas e como permitem, eram mais fácil ter usado esse gerador automático de reportagens.

Você se apega a todos os funcionários do metrô, às histórias de vida dos passageiros, mesmo que rápidas, te fazem querer começar a procurar freiras com pranchas de surfe pra bater um papo, ou ir perguntar pela Rosângela, pelo Hugo da Le Postiche, pelo carregador número 101, mas que provavelmente não estarão lá hoje. Estarão vivendo suas vidas em outros locais e com mais histórias para contar.

Essa leitura foi realmente uma lição lindona de como fazer uma pesquisa de campo, deu a mesma sensação de quando fiz a do mestrado, e fui conhecendo as camadas de cada um, as complexidades, as histórias estranhas de alguém que seria só mais uma pessoa se você não tivesse parado e conversado com ela. Uma desmassificação das pessoas e dos lugares.

Os elementos que ela nota, a possibilidade de desconstrução dentro do projeto gráfico do livro (eu poderia ficar horas só elogiando isso, aliás. Tipografia, papel, as propagandas, os relatos das origens, aiai…), tudo adicionou em um livro com tanta personalidade que nem sei. Dá vontade de reescrever tudo, de imergir no campo que estudei com esse exemplo lindeza demais na mente.

Vou só terminar com um dos diálogos mais xuxus antes que escreva uma bíblia sobre esse livro que merecidamente ganhou um Jabuti:

“E foram andando, um velhinho de cada lado. Ele, contente à beça; a mulher, meio emburrada. Mas a birra não durou muito: logo estavam se desdobrando de rir quando, a certa altura, Rosângela perguntou se o casal tinha filhos.
– Não, moça – disse Cláudio. – Sabe o que é? É que a gente já casou com a validade vencida…”
O livro amarelo do terminal, Vanessa Bárbara, p. 105

http://www.castelodecartas.com.br/201...
Profile Image for Paula Cruz.
Author 17 books245 followers
March 16, 2016
Que escrita maravilhosa: informatia, engraçada, fácil de ler. Até demora um tempo para perceber que é uma reportagem, porque é um livro com algo de informal. É muito bacana perceber que a Vanessa transforma a rodoviária, normalmente vista como um não-lugar, numa fonte ilimitada de personagens interessantíssimos, todos vindos do dia a dia do Brasil.

O projeto gráfico do livro é um elogio à parte, tudo muito bem feito e lindo. Cosac sendo Cosac c:
Profile Image for Monica Nogueira.
188 reviews
March 3, 2024
Livro no estilo jornalístico sobre o Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo. Histórias muito interessantes sobre a construção e o dia a dia do lugar. Um dos pontos altos do livro é o trabalho gráfico diferente, impresso em paginas amarelas fininhas. Por isso acredito que a edição no Kindle perde bastante.
Profile Image for Renan Alonso.
2 reviews
November 29, 2018
Que talento, o da Vanessa. Aliar narrativa literária a um olhar jornalístico sem ficar devendo em absolutamente nada. O terminal do Tietê pulsa cheio de vida nas páginas desse livro (aliás, cumpre observar, que raio de livro cheiroso).
Profile Image for Ricardo.
6 reviews1 follower
April 25, 2016
É um livro obrigatório pra todo paulistano. A Vanessa escreve de um jeito delicioso de ler e as histórias são atenciosas e sensíveis.
Profile Image for karina.
26 reviews
May 5, 2018
Ótimo trabalho jornalístico, muito interessante e fisicamente é lindo demais - as páginas amarelinhas e como se tivessem sido carimbadas.
Livro obrigatório pra quem mora em São Paulo!
Profile Image for Júlia Forbes.
157 reviews3 followers
April 6, 2020
Ler esse livro foi um presente para mim, especialmente durante essa quarentena. Fragmentos de várias histórias que se cruzam e se perdem uma das outras. O epílogo, da autora voltando ao terminal cinco anos depois, me fez chorar. Um choro bom, de luto, de quando você acaba um livro bom que você nunca mais vai ler pela primeira vez.

Destaques: as histórias mencionadas de passagem no prólogo e que são desenvolvidas ao longo dos capítulos; o projeto gráfico (que às vezes era meio cansativo para os olhos, mas que valeu a pena); a pesquisa impecável da autora, que compartilhou bastante do trabalho de apuração dela no texto; as personagens, tão passageiras e tão permanentes.
Profile Image for Caroline Sol (Drinks & Livros).
187 reviews9 followers
February 10, 2019
Um livro sobre casos, dramas, figuras esquisitas e tudo o mais que a raça humana já inventou de produzir e que alguma vez na vida já passou por uma rodoviária. Texto leve, de rápida leitura. Uma nota especial para essa edição maravilhosa, com páginas amarelas finas como as falecidas listas telefônicas, com excertos de jornais, revistas, carimbos espalhados pelas paginas. RIP Cosac Naify.
Profile Image for Sergio.
254 reviews2 followers
April 19, 2019
Entre engraçadinho e tom sério, o livro cumpre bem o seu papel de desvelar e revelar um pouco da vida de uma rodoviária que imagino deve se repetir por todas as cidades guardadas as devidas proporções e personagens.
Pra variar é triste constatar que no Brasil mudam-se os personagens e o descalabro com a coisa pública, jogatinas e desvios permanecem.
Uma boa leitura, leve, divertida e informativa.
Profile Image for Estelle Flores.
12 reviews2 followers
September 19, 2024
Quem diria que um livro sobre o terminal do tietê poderia ser tão foda! Li bem nova e escancarou minha cabeça pra o que a literatura pode ser.
Profile Image for Claudio.
177 reviews9 followers
December 30, 2019
"Chegará o dia em que veremos uma freira carregando uma prancha de surge, ou uma prancha de surge carregando uma freira, e então nada mais nos surpreenderá."
Já peguei muito ônibus no Terminal Tietê, por isso me interessei bastante por este livro de uma jornalista da Revista Piauí sobre essa rodoviária.
Achei super divertido como ela consegue trazer uma perspectiva única sobre os vários tipos de trabalhos desenvolvidos pelos funcionários, como o local é um ponto de passagem de histórias pessoais do Brasil inteiro e conta como a política afetou a criação da rodoviária.
Profile Image for Monise.
77 reviews
July 21, 2014
Vanessa é amor. O livro é muito bom e, como boa paulista que já desceu na rodoviaria tiete dezenas de vezes e "conheceu" estes desconhecidos, não poderia ter tido maior empatia. Conhecer os personagens, e tambem os percalcos da pesquisa, leva o leitor a olhar o tite pelos olhos da narradora. li muito rapido, querendo mais no epilogo!
Profile Image for Nestor.
463 reviews
September 23, 2023
É um belo ensaio jornalístico sobre o terminal rodoviário do Tietê. Aproveite suas descrições e os personagens, assim como a descrições da burocracia e a corrupção endêmica no Brasil em na construção da terminal.
12 reviews3 followers
July 30, 2014
A empatia de uma jornalista tímida e paulistana. Leitura que flui também graças ao belo projeto gráfico!
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