«Escrevendo estas breves páginas à frente dos Sonetos de Antero de Quental tenho a satisfação íntima de cumprir o dever de tornar conhecida do público a figura talvez mais característica do mundo literário português, e decerto aquela sobre quem a lenda mais tem trabalhado. Estou certo, absolutamente certo, de que este livro, embora sem eco no espírito vulgar que faz reputações e dá popularidade, há de encontrar um acolhimento amoroso em todas as almas de eleição, e durar enquanto houver corações aflitos, e enquanto se falar a linguagem portuguesa.» Do Prefácio de Oliveira Martins
Peguei neste livro para queimar umas horas que ia ter livres. Assim como quem não quer a coisa, e sem grandes expectativas. Acabei surpreendido pelo génio de Quental, por sonetos magnificamente construídos que abordam tudo o que importa na vida: o amor, a desilusão e a morte. Também, assumindo que os sonetos estão sequencialmente ordenados em função da data de escrita, foi extremamente interessante e íntimo, seguir o percurso do autor, desde o seu grande amor por uma mulher não-nomeada até à crise existencial que leva ao seu suícidio, passando pelo desgosto amoroso. Genial.