Primeiro romance do premiado autor João Anzanello Carrascoza ganha nova edição pela Alfaguara.Um dos maiores contistas da atualidade brasileira faz um romance sobre o cotidiano de seu personagem em dois momentos diferentes da aos sete e aos quarenta anos de idade. Na infância, a narrativa é fluida, poética e simples. O roubo de um pássaro no vizinho, uma partida de futebol, o quintal da casa e a relação com o irmão. Já aos quarenta, a narrativa passa a ter uma forma mais fragmentada, mais apropriada para lidar com os acontecimentos dolorosos da vida adulta. Um divórcio, o distanciamento do filho. Mesclando os dois momentos com extrema delicadeza, Carrascoza brinda o leitor com um belo romance que só reforça seu já conhecido talento literário.
João Anzanello Carrascoza (Cravinhos, interior de São Paulo, 1962) é um escritor e professor universitário brasileiro.
Estreou-se com o livro Hotel Solidão (1994). Publicou vários livros de contos, como Duas tardes (2002), Espinhos e alfinetes (2010), Amores mínimos (2011), O volume do silêncio (2006, prêmio Jabuti) e Aquela água toda (2012, prêmio APCA).
Em seu primeiro romance, Aos 7 e aos 40 (Cosac Naify, 2013), Carrascoza escreveu que “o presente é feito de todas as ausências”. Em Caderno de um ausente (Cosac Naify, 2014), essa ideia se materializa de forma contundente, alçada por um lirismo poucas vezes visto na literatura brasileira.
Mais uma visita nostálgica ao mundo poético de João Anzanello Carrascozza. (quem gosta de José Luís Peixoto também vai gostar deste autor ) Outro livro pequenino e harmonioso narrado em dois tempos pela mesma personagem. Não o achei tão emocionante como Caderno de um Ausente, mas senti nele o mesmo traço melodioso, o mesmo ênfase nas pequenas coisas tantas vezes desvalorizadas mas que são marcantes nas nossas vidas.
e o silêncio
o tanto que se pode dizer e ouvir no espaço de um silêncio
João Anzanello Carrascoza é conhecido como escritor de contos, e este Aos 7 e aos 40 foi o seu primeiro romance (2013). A história é-nos contada através de “flashes” que ocorrem na infância e na idade adulta. Através destes momentos testemunhamos aventuras marcantes, amores, amizades, alegrias, mas também desilusões, dor, aflições e amarguras. A escrita é maravilhosamente poética e a estrutura bastante original. Os capítulos ímpares são passados na infância enquanto que os pares são já na idade adulta, como se fossem os dois lados da mesma moeda. Uma leitura rápida, mas profundamente sensível.
James Baldwin disse: "Você acha que sua dor e seu desgosto não têm precedentes na história do mundo, mas depois você lê. Foram os livros que me ensinaram que as coisas que mais me atormentavam eram as mesmas que me conectavam com todas as pessoas que estavam, ou que alguma vez tinham estado, vivas."
Aqui, João Carrascoza faz isso com maestria. Esse homem tem o Dom de colocar em palavras as emoções/nostalgias/impressões vividas na infância que, pra mim pelo menos, sempre pareceram muito difíceis de traduzir. Que são meio que indizíveis, e que ficam muito mais marcadas no campo das sensações (físicas mesmo) do que das palavras. A leitura dessa obra me fez sentir como se estivesse vivendo um Déjà-vu da minha infância e me trouxe várias lembranças que há muito não me voltavam ao pensamento. E me emocionou particularmente a descrição do homem adulto se deparando com o processo de envelhecimento de pessoas próximas e de si próprio também. Enfim, é de uma sutileza sem fim. Com certeza quero ler mais de Carrascoza, foi uma ótima porta de entrada...
Livro lido 1°/Set//44°/2017 Título: Aos 7 e aos 40 Autor: João Anzanello Carrascoza (Brasil) Editora: Cosac Naify Publicado: 2013 Páginas: 160 Minha classificação: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ _____________________________________________ Carrascoza, o que você fez comigo? 😥
Acabei de terminar a leitura desse livro maravilhoso (foram menos de doze horas para lê-lo) e estou simplesmente arrasado com essa escrita devastadora do escritor paulista João Anzanello Carrascoza.
"Aos 7 e aos 40" conta duas histórias paralelas, na verdade a mesma história, de um mesmo personagem, em dois fluxos diferentes, aos 7 anos de idade e depois na idade adulta, aos 40 anos. Para dar maior impacto nesse enredo o projeto gráfico sublime da Cosac Naify -- por que nos deixou? -- intercalando esses fluxos um na parte superior da página e o outro, na inferior aliado às páginas verdes (nunca tinha visto nada igual) faz desse livro uma verdadeira obra de arte em todos os sentidos!
Embora singelo, às vezes até juvenil, é um livro de uma profundeza inacreditável, de uma beleza poética que ainda não encontrei em nada que li este ano. O livro me tocou tanto, invadiu um terreno caro para mim -- o das lembranças dos meus tempos meninos na distante Floriano, minha cidade natal, onde não ponho os pés desde 1994, tamanha a simbiose da história do livro com a minha própria.
O livro, além de me emocionar deveras, devido ao alto grau de identificação, me fez e está fazendo pensar muito. Iso porque, a história, muito mais que memorialística, materializa o resultado das sementes que um dia começamos a plantar lá atrás e o resultado delas inevitavelmente colhidas no agora. Não tem a pretensão de ensinar algo, uma espécie de "manual de como viver", com truques e conselhos do que fazer ou não. Se há algum grande ensinamento este se dá na busca e manutenção das preciosas lembranças que, afinal, são nossa construção e que um dia, obra já concluída, recomeçará unindo as duas pontas do tempo num laço de saudade e reflexão.
A prosa sobretudo poética de Carrascoza atinge o seu ponto máximo nesse romance. Aos 7 e aos 40 é uma estrada que todos percorremos, ora num sentido, ora noutro, por vezes nos encontrando em meio de caminhos, em epifania. Numa sintaxe sinestésica, o texto multiplica nós de saudade na garganta e nos remete à criança que todos fomos. Que livro!
"Ela, na minha memória, com o seu sorriso. Então, livre da sua ausência, eu fiquei pensando que, às vezes, é preciso mesmo olhar para trás se queremos ir em frente."
Um livro que se lê num trago, com uma prosa muito bonita, muito poética. Não conhecia o autor, fiquei com vontade de ler mais.
Leio uma história de amor entre pai(s) e filho(s), em diferentes momentos da vida da personagem central: aos 7 e aos 40 anos. A lembrança de todos aqueles momentos felizes (inocentes?), de descoberta, confrontada com a dura realidade numa outra fase da vida, de ausências, solidão e saudade.
“As pessoas carregam só aquilo que deixam de ser, o presente é feito de todas as ausências”. pp176
“Por que o ônibus tá demorando?, e a mãe, julgando incompreensível para ele a resposta que daria, Por que a vida é assim, disse, O ônibus já está chegando, filho”
A sutileza desse livro é tão linda! A nostalgia, tão forte, é descrita de uma forma tão pura e bonita, no passado e no presente. Meu primeiro livro do autor, mas já quero ler outros
Li em uma madrugada. Uma doce poesia sobre crescer e seus pontos de vista, do garoto explorador e do homem com suas dores. Me fez refletir sobre como aproveitar os ensinamentos da vida!
Livro publicado em 2013. Escrita de prosa-poética (no conteúdo e na forma) e que abriu caminho para autoras como a Aline Bei, que parece seguir bem o estilo. O livro tem passagens muito bonitas, sobretudo na parte da infância. Na fase adulta, alguns lugares-comum.
Tem uma vibe muito nostálgica! Nos convida a reviver a própria infância e memórias. O autor tem uma escrita muito sensível e poética. Tive a felicidade de comprar esse livro em um sebo, cujo o proprietário anterior fez algumas breves marcações muito lindas por sinal! Concordei com todas elas hahahaha parabéns ao autor pela escrita bela e sensível.
Tão raso como um espelho d'água, é o que eu chamo de história pela história, não precisa pensar, o que é está escrito ali. Talvez eu não seja o público do autor. Não entendo o motivo de tanta comoção.
Sigo à procura do Carrascoza de que me falam. Não estava no "Aquela Água Toda", quase esteve neste. Talvez o encontre mais adiante, no "Caderno de um Ausente". Em todo caso é uma prosa que me interessa seguir.
Qualquer pessoa que já nao vive na mesma cidade em que passou a infância, pode se identificar com o sentimento desse livro. No fim das contas, as pessoas que deixamos para trás sao muito mais importantes que os lugares.
O agridoce da nostalgia. Com muita vírgula, para parecer poético, e dá certo, é cadenciado. Não vai fundo no vazio que é escrever sem o amparo colado da memória a cada linha. Mas é gostoso.
O Carrascoza é um daqueles autores, assim como Valter Hugo Mae, por exemplo que parecem ter como objetivo de escrita causar sensações e provocar sentimentos no leitor dando menor atenção ao enredo e tal, isso faz com que o Carrascoza definitivamente se torne um dos meus autores brasileiros favoritos... Nesse livro a gradação de nostalgia, a sensação de solidão do personagem tanto quando criança tanto quando adulto (mesmo tendo quem lhes faça cia) e no final aquele desapegar do passado (só que com aquele toque no final tipo: "opa pera aê tu ñ vai conseguir desapegar tanto assim" ) faz com que esse livro seja ímpar... Isso sem contar o projeto gráfico, a diagramação, a própria estrutura narrativa que são diferenciados.. Enfim livro super recomendado.
De forma poética, Carrascoza intercala as gerações do protagonista. Demonstra as alegrias e dores de memórias infantis que refletem no eu adulto. Um texto que ecoa no leitor, que vai também remoer suas gavetas de memórias pessoais.
A perda da inocência, as dores que reverberam do passado e o choque geracional. Nossos rituais da vida privada.
O que é dito no silêncio, o que lemos nas pessoas além do que foi dito.
Uma narrativa que fica em suspensão pois o foco na sensação e reflexão.
Interessante que a infância aos 7 anos é narrada em primeira pessoa, enquanto a dos 40 em terceira. Senti mais proximidade e intimidade com o primeiro, o adulto é narrado como um distanciamento. Apesar de serem a mesma pessoa.
as vezes me pego dando notas baixas numa sequencia que me causa estranhamento - será que o problema sou eu?! - é quando eu me deparo com ótimos livros que eu percebo que o problema não sou eu. sou exigente e por vezes impaciente ( se não me prende eu abandono mesmo! ). A única coisa que eu tenho para oferecer é minha sinceridade... esse livro em particular é muito bom. Mestre Carrazscoza escreve poesia, metrica livre, bem dosado, na medida com uma musicalidade nas palavras que eu não tenho... e talvez nunca terei. é claro, singelo, e demostra dominio dessa... dessa sonoridade. recomendo.
Carrascoza penetra a alma humana com lirismo ímpar. Impossível lê-lo, seja neste livro ou em qualquer outro de seus títulos, sem sentir-se em algum momento tocado pela singeleza de suas palavras e pela doce melancolia de sua narrativa. Se a verdadeira arte é aquela que emociona, Carrascoza deve, merecidamente, ocupar lugar de destaque no panteão dos grandes artistas da literatura contemporânea.
À noite, o sentimento frio que dá na barriga depois de colocarmos a cabeça no travesseiro e pensarmos nos momentos mais marcantes da infância deveria ser mencionado mais vezes. Por quê? Porque dói. E, não que exista uma régua para mediações de dores, mas essa dor não é uma dor que precisa ser superada. Essa dor é uma dor prazerosa, uma dor que precisa ser sentida.