Sobre a lama negra de Auschwitz, que tudo engole, Fredy Hirsch ergueu uma escola. Num lugar onde os livros são proibidos, a jovem Dita esconde debaixo do vestido os frágeis volumes da biblioteca pública mais pequena, recôndita e clandestina que jamais existiu.No meio do horror, Dita dá-nos uma maravilhosa lição de não se rende e nunca perde a vontade de viver nem de ler porque, mesmo naquele terrível campo de extermínio nazi, «abrir um livro é como entrar para um comboio que nos leva de férias».Um emocionante romance baseado em factos reais, que resgata do esquecimento uma das mais comoventes histórias de heroísmo cultural.
Eu gosto muito de ler sobre as duas grandes guerras. Os relatos sempre envolvem o horror dos massacres, eu sei. Mas eu gosto de como também sempre é falado da coragem, da força, determinação e paixão com que as pessoas se agarravam a alguma coisa ou alguém para passar por aquele período de caos. Era preciso encontrar uma forma de sobreviver quando tudo o mais era contrário a isso. E em A Bibliotecária de Auschwitz isso não é diferente. Dita é uma menina de 14 anos que tem paixão pelos livros e pelo desafio ao sistema dos alemães. Não há como não se criar um vínculo imediato com ela porque é uma personagem forte, que não teme tudo ao seu redor, e que sabe que mesmo no lugar mais sombrio do mundo pode-se encontrar esperança. Dita se torna bibliotecária no bloco onde se mantinha uma escola ilegal e em um lugar onde, é claro, livros são proibidos. Era um risco, mas Dita não se importava em corrê-lo. E o relato envolto em morte e desespero fala dessas pessoas que tentavam manter uma pequena esperança. Antonio pesquisou e narrou a história dessa brava garotinha de forma arrebatadora que vale cada página lida.