As grandes transformações das sociedades são acompanhadas por transformações paralelas nos sistemas de comunicação social. No Ocidente, a primeira revolução midiática foi desencadeada pela invenção da imprensa por Gutenberg, em meados do século XV. Suas principais características, segundo Frédéric Barbier, foram o desenvolvimento da organização técnica do campo literário moderno, a evolução da fiscalização e da censura, bem como a invenção do processo mesmo de midiatização. Ao analisar a revolução de Gutenberg e estabelecer comparações entre ela e fenômenos contemporâneos, o autor propõe algumas chaves sobre a revolução das mídias dos anos 2000. Este livro permite, assim, que se compreendam melhor questões relacionadas à história da cultura no mundo ocidental.
De um modo geral eu gostei muito do livro -- ainda que tenha achado a escrita do autor meio dificil de compreender em algumas passagens. As ideias desenvolvidas aqui são muito interessantes e importantes pra pensar tanto a nossa relação atual com as mídias como a nossa relação com a história. A descrição do papel dos "capitalistas" na produção dos primeiros impressos é uma coisa que me chamou muito a atenção.
Uma obra voltada para um público mais especializado, pois é carregada de terminologias da área tornando a leitura um pouco árida. No entanto, um leitor mais leigo conseguirá perceber quão impressionante foi todo o processo antes, durante e depois de Gutenberg. Como isso acabou impactando na própria língua devido uma necessidade de possuir padronizões na escrita para a criação dos tipos móveis.