Trazendo a morte como pano de fundo, a poética corajosa, madura e sensível de um dos maiores autores em atividade do Brasil.Em Rol, obra mais recente de Armando Freitas Filho, temas aparentemente banais são tratados com minúcia e revistos por ângulos diferentes, na tentativa de conquistar maior densidade e conhecimento na nova elaboração.Os poemas desenrolam fatos, desejos e sensações íntimas de uma vida dedicada aos versos – são cinquenta anos de carreira –, tendo como pano de fundo a morte vista de perto pelo poeta de 76 anos.Rol é uma obra austera, escrita com afinco e coragem, que marca o ápice da maturidade de um grande autor de nosso tempo.
Não é, usualmente, o tipo de poesia que mais me chama atenção, especialmente porque as palavras são sempre muito duras entre si, sem qualquer intimidade uma com a outra, um lugar de desconforto no papel, que não necessariamente reflete um ou outro sentimento, mas porque o estilo é esse e pronto. Deste rol criado pelo Armando, cada poema parece ter sido esculpido com cinzel. Primeiro porque aquilo que ficou me parece o mínimo que poderia ter ficado para um poema existir; também é porque aquilo que sobra fala mais. Aí fiquei pensando se não era essa a proposta: o poema do poeta funciona mais fora do poema e nós, leitores, é que precisamos ir testando o que incluir aqui e acolá. Não sei, talvez jamais saiba.