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Um corpo à deriva

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Um corpo à deriva é um romance distópico. A partir de um pacto doloroso entre dois jovens, Eu e Tesfa, a trama se desdobra em fragmentos. No decorrer de uma tarde, entre a entrega amorosa e os desencontros, os jovens recordam fatos de suas experiências atravessadas por fatos da história do Brasil. Confinados no pequeno apartamento, eles recebem a “visitas” do Velho angular (uma voz ancestral), do amigo Chagas (artista plástico) e de Fin (outra enigmática voz do passado). Através de uma teia de antinarrativas, os personagens desvelam a solidão e o horror como guias da vida contemporânea. Os versos de Derek Walcott (“Há uma luz nova vindo depois da tempestade/ no mar ainda em desordem ...”), encimados como epígrafe, antecipam o que é, para os personagens, conhecimento da história e desamparo ante as incertezas do futuro. Mas Um corpo à deriva é também um romance utópico. No discurso de Tesfa desponta um caminho de redenção para o Eu, o Chagas e o Fin. Ao denunciar a violência, a personagem recupera outra palavra, ainda não enunciada, por isso capaz de reinaugurar o mundo. A obra analisa temas como o autoaniquilamento, a solidão, a amizade, a história oficial e a própria linguagem como suporte de enunciação. Um corpo à deriva, embalado pelo pathos musical de várias vozes negras, dança à beira do abismo, arriscando-se como só é possível a quem vive.

156 pages, Paperback

Published December 1, 2020

22 people want to read

About the author

Edimilson de Almeida Pereira

44 books12 followers
Edimilson de Almeida Pereira nasceu em Juiz de Fora, MG, em 1963. É poeta, ensaísta e professor de Literatura Portuguesa e Literaturas Africanas de Língua Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora. Possui uma obra extensa e múltipla, com publicações nas áreas de poesia, literatura infanto-juvenil e ensaio, na qual se destacam: Zeosório blues (2002), Lugares ares (2003), Casa da palavra (2003) e As coisas arcas (2003), Relva (2015), maginot, o (2015) e Guelras (2016) - poesia; Os reizinhos de Congo (2004) e O primeiro menino (2013) - infanto-juvenil; Malungos na escola: questões sobre culturas afrodescendentes e educação (2007) e Entre Orfe(x)u e Exunouveau: análise de uma estética de base afrodiaspórica na literatura brasileira (2017) - ensaio.

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Profile Image for Julia Coelho.
32 reviews
June 1, 2022
da série: livros que nos salvam de nós mesmos

Como tudo o que nos impuseram, a guerra deles os protege. A nossa quer dessangrá-los [...] Em seu território, vamos com um livro e nos sentamos sob as árvores. À distância de um braço, algum abraço se desdobra. E nos regeneramos, ainda que cindidos pela consciência que temos da história.

Ou morres saltando da janela ou saltas para dentro da vida. Eu te agradeço. Espero que a minha humanidade estilhaçada me devolva ao cerne dos acontecimentos.

Tu e eu e os sobreviventes: os que se recusaram a ser iludidos porque se descobriram linguagem.
Profile Image for gabi.
60 reviews
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December 26, 2023
esse foi uma luta pra terminar pq não entendia nada….. mas tem passagens lindíssimas!!!! li pra uma cadeira de pesquisa da escrita e foi muito especial ler em conjunto anotando no diário de borda e depois conversar com o autor. edimilson acessível até me seguiu no insta!!

“quanto a nós, fiquemos com o paradoxo da linguagem. por ser um vazio, uma página à espera, ela é solidária. não é de sua natureza apropriar-se de nada, quando muito se dispõe na praça: o que quereis de mim? — ela nos interroga. o que queremos, afinal, da linguagem? tudo, tudo que nos permita ser no mundo sem que nossas costas se curvem.”
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