Esta é uma excelente HQ para quem conhece e para quem não conhece a Red Sonja! Além da arte, do ritmo e da roteirização, gosto muito de como eles apresentam a origem clássica da personagem, mas deixam em aberto essa história, dando uma ar mais mitológico, antigo e oral para as histórias da Red Sonja. Lembrando que a Gail Simone, consagrada roteirista da vermelha, reformulou a origem e a personalidade da She-Devil em 2014. Particularmente, eu gosto de ambas as versões e abraço a abertura para a variedade de origens dada pela Balada da Deusa Ruiva, dando um ar de histórias orais ou arqueológicas de uma época distante que deixa em aberto a verossimilhança e a coerência de seus mitos. No final, Santi Casas até ilustra imagens icônicas de várias versões da personagem, desde a época da Marvel até a da Dynamite, inclusive a de Gail Simone. O conto de Howard no final é a cereja do bolo!
O único ponto negativo da obra é o texto introdutório do artista Estebán Maroto. Ele o escreve como uma carta para Red Sonja. Uma carta carregada de machismo e preconceito; transfobia, para ser mais específico. Vale lembra que foi ele quem deu o famoso "biquíni de metal" para a personagem. Tal vestimenta "se justifica" dentro da narrativa da obra em questão, mas depois de ler essa introdução do Maroto fica difícil não ver o figurino de uma forma mais crítica. Ele é um excelente artista, os desenhos dele em A Balada da Deusa Ruiva são excelentes e muito bonitos, mas a "carta" dele é, no mínimo, de mal gosto e desconfortante.