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Contos Índios

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Toda as histórias deste livro foram extraídas apenas de registros orais. São, portanto, inéditas do amplo trabalho de Ruth. Os contos resultaram de pesquisa de campo, no Médio Vale do Paraíba do Sul, estado de São Paulo, tendo como centro e pião a cidade de Cachoeira Paulista. E, dali, feitas coletas nas cidades vizinhas também, e no litoral. É, claro, vieram também de informantes de outros estados, com predominância de mineiros, donos de parte do Vale. A autora aproveitou cada reconto quando lhe foram apresentadas duas ou mais variantes, pois isso confirmava a sua aceitação, verdade e importância. Logo, tratou de escolher a variante mais elaborada, e com mais pormenores. Nada foi acrescentado, nada foi tirado, dos motivos básicos, da sequência, da filosofia. O que era moralizante continuou moralizante; todas as histórias permaneceram completamente isso mesmo que está aí. O que chega em suas mãos é um registro único, escrito por Ruth, que esteve cuidadosamente guardado por anos com seus filhos e que agora é oferecido à apreciação de todos.

176 pages, Paperback

Published January 1, 2020

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About the author

Ruth Guimarães

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Nascida em Cachoeira Paulista-SP, em 13 de junho de 1920, Ruth Botelho Guimarães, além de poeta, romancista, contista, cronista, jornalista e teatróloga, notabilizou-se como tradutora e pesquisadora da literatura oral no Brasil.1 Além disso, lecionou Língua Portuguesa por mais de 30 anos em escolas da rede pública de São Paulo.

Ainda menina, revelou-se poeta e, aos dez anos de idade, já publicava seus primeiros versos nos jornais A Região e A Notícia, ambos de circulação local. Aos dezoito anos, mudou-se para a capital paulista a fim de prosseguir seus estudos na USP, onde concluiu os cursos de Filosofia e, mais tarde, de Letras Clássicas. Cursou também Folclore e Estética.

Como jornalista, colaborou na imprensa paulista e carioca, mantendo também por vários anos uma seção permanente de literatura nas páginas da Revista do Globo, de Porto Alegre, em que resenhava livros, mantinha um concurso de contos, e onde publicou seus primeiros textos literários e traduções. Escreveu, também, crônicas e críticas literárias nas páginas de Correio Paulistano, A Gazeta, Diário de São Paulo, Folha de Manhã e Folha de São Paulo.

É como romancista que Guimarães consegue projeção nacional. Em 1946, publica Água funda, obra aplaudida por intelectuais de peso como Nelson Werneck Sodré e Antonio Candido, que assina o prefácio da segunda edição. Para o crítico, "Ruth Guimarães nos prende porque tem a capacidade de representar a vida por meio da ilusão literária, graças à insinuante voz narrativa que inventou." (2003, p. 11).

Com o romance Água funda, Ruth Guimarães oferece uma intensa e deliciosa viagem pelo universo caipira da fazenda Olhos D'água, localizada em uma cidadezinha do interior mineiro, aos pés da Serra da Mantiqueira. O mundo de atmosfera mágica por onde desfilam senhores e sinhás, contadores de casos, ou causos, e no qual a superstição e o sobrenatural muitas vezes orientam a vida cotidiana. (apresentação da autora durante debate no Museu Afro Brasil, em 2007).

Pode-se dizer que Ruth Guimarães foi uma das primeiras escritoras negras a ocupar espaço nacional no cenário da literatura brasileira. Estudiosa da cultura popular, principalmente do folclore, e autora de diversas obras que valorizam essa vertente da nossa cultura, Ruth teve como mestre ninguém menos que Mário de Andrade. Segundo a escritora e pesquisadora, Mário foi o grande responsável por apresentá-la melhor ao folclore brasileiro. Entre suas dezenas de publicações, destacam-se, além de Água Funda, Calidoscópio - A saga de Pedro Malazarte, Lendas e Fábulas do Brasil, Contos de Cidadezinha e o ensaio Os filhos do medo. Traduziu Balzac, Dostoievski, Daudet e Apuleio, além de ser autora de um importante dicionário da Mitologia Grega.

Em 18 de setembro de 2008, a escritora foi empossada na Academia Paulista de Letras, sendo eleita imortal em 5 de junho do mesmo ano, com 30 dos 34 votos válidos. Às vésperas de completar 89 anos, foi convidada pelo prefeito Fabiano Vieira para assumir a pasta da Cultura em Cachoeira Paulista, na sua cidade natal. Após aceitar a proposta, afirmou que estava ansiosa para trabalhar de forma efetiva pela sua cidade. Ruth Guimarães também integrou importantes entidades culturais, como o Centro de Pesquisas Folclóricas Mário de Andrade e a Sociedade Paulista de Escritores.

Com a saúde debilitada, faleceu, aos 93 anos, em 21 de maio de 2014.

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Profile Image for Harvey Hênio.
636 reviews2 followers
August 2, 2021
Ruth Guimarães (1921/2014), romancista, contista, tradutora, especialista em folclore, ocupou a cadeira 22 da Academia Paulista de Letras. Publicou, ao longo de sua carreira literária, 51 livros, entre os quais oito voltados para histórias recolhidas da tradição oral. Parte significativa de sua de sua infância ela passou numa fazenda no interior de MG onde sua interação com os filhos dos trabalhadores rurais, de origem negra e também indígena, lhe abriu todo um universo de causos em que fábulas, príncipes, assombrações, lobisomens, bruxas, cortes demoníacas e criaturas folclóricas de diversas naturezas eram elementos naturais.
Essa mescla de tradições e criaturas fantásticas, a princípio lhe legou fantásticos pesadelos e um medo que ela resolveu exorcizar a partir dos 20 anos quando, já morando em São Paulo, resolveu reunir de forma criteriosa essas histórias com o “auxílio luxuoso” de Mário de Andrade que a orientou sobre técnicas de pesquisa folclórica.
O resultado desse trabalho se transformou em livro apenas em 2020 e a espera valeu a pena. O livro é uma saborosa compilação dos causos e histórias ouvidas pela autora em sua infância. As histórias revelam um rico folclore de natureza indígena que se mesclam a outros folclores como o europeu, o africano e as “Mil e uma noites” por exemplo.
Destaque para os capítulos iniciais que tratam da história, da geografia e das tradições indígenas. Atenção também para a cosmogonia tupi e para as histórias de natureza etiológica que se propõe a explicar porque a onça só caça à noite, porque a cotia é cotó, porque a anta não caça mais, porque os macacos e os urubus não tem casa. Ficou curioso caro leitor? Leia o livro ora bolas!!!!
Ler essas histórias é tomar contato com uma “refrescante realidade”. O folclore é uma região que, ao aceitar influências e “saudáveis contaminações” de diversas origens revela um caráter democrático e plural que deveria ser referência para áreas como a política por exemplo.
Excelente Pedida!
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37 reviews
January 1, 2026
A leitura é leve e cheia de simbologia, mas, para mim, foi uma experiência neutra. As histórias são interessantes e importantes para entender nossa cultura, porém o ritmo é um pouco repetitivo em alguns momentos. Mesmo assim, é uma obra que valoriza as raízes indígenas e desperta respeito pela sabedoria desses povos.
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