Esta antologia reúne pela primeira vez no Brasil uma amostra do melhor de Simic. Com seleção e tradução do poeta Ricardo Rizzo (que também assina o posfácio), o volume mostra a variedade de tópicos abordados pelo autor: da inescrutabilidade da vida cotidiana a observações de caráter metafísico; de contos populares a casamento, guerra e vida urbana. Poeta de hoje tocado pela eternidade, Simic produz versos emocionantes e inesperados, precisos como poucos.
Dušan Charles Simic was born in Belgrade, former Yugoslavia, on May 9, 1938. Simic’s childhood was complicated by the events of World War II. He moved to Paris with his mother when he was 15; a year later, they joined his father in New York and then moved to Oak Park, a suburb of Chicago, where he graduated from the same high school as Ernest Hemingway. Simic attended the University of Chicago, working nights in an office at the Chicago Sun Times, but was drafted into the U.S. Army in 1961 and served until 1963.
Simic is the author of more than 30 poetry collections, including The World Doesn’t End: Prose Poems (1989), which received the Pulitzer Prize; Jackstraws (1999); Selected Poems: 1963-2003 (2004), which received the International Griffin Poetry Prize; and Scribbled in the Dark (2017). He is also an essayist, translator, editor, and professor emeritus of creative writing and literature at the University of New Hampshire, where he taught for over 30 years.
Simic has received fellowships from the Guggenheim Foundation, the MacArthur Foundation, the Academy of American Poets, and the National Endowment for the Arts. His other honors and awards include the Frost Medal, the Wallace Stevens Award from the Academy of American Poets, and the PEN Translation Prize. He served as the 15th Poet Laureate Consultant in Poetry to the Library of Congress, and was elected as Chancellor of the Academy of American Poets in 2001. Simic has also been elected into the American Academy of Arts and Letters.
Já conhecia Simic de alguns livros seus lidos no idioma original, embora bons não tenho muita afinidade com o poeta, mas essa pequena edição da Todavia é bem boa, é bilíngue e tem um posfácio bem suculento do tradutor, apesar de achar também que o número de páginas poderia ser maior para comportar mais poemas, já que me pareceram poucos se comparados à extensão total do livro.
É o meu primeiro contato com a poesia de Charles Simic (nascido Dušan Simić em Belgrado, na Sérvia) e posso dizer que apesar de tão poucas poesias que constam dessa coletânea, foi um encontro feliz com linhas aparentemente simples e mínimas, mas de uma força e também de uma pungência que não me deixaram indiferente às imagens que o poeta projeta. É estranho dizer que dessa pungência se extraí o belo, mas é o caso em questão. Fez-me pensar um cadinho na poesia de Drummond de Andrade.
É muito significativo como Simic usa suas imagens para falar de forma breve e profunda da História, como em Departamento de Monumentos Públicos:
Se Justiça e Liberdade Podem subir aos pedestais Por que não a História?
Pode ser a mulher gorda De macacão desbotado Na porta de um trailer Na estrada de terra a caminho de algum lugar chamado Pittsfield ou Babilônia.
Ela desenha o círculo mágico Para as galinhas não fugirem E vai mancando até a cozinha Atrás da faca e do balde.
Mas hoje ela volta trazendo apenas Um saco de milho amarelo. Ouvem-se os cacarejos, Os cães agitam suas correntes.
Como nota final, o que sempre me deixa triste quanto à poesia estrangeira publicada no Brasil é que em geral as editoras optam por publicar apenas coletâneas que não possibilitam o leitor interessado aprofundar ou conhecer de fato a produção do/da poeta em questão, como no caso em questão.
Tudo é previsível. Tudo já foi previsto. O que está escrito não pode ser evitado. Até mesmo esta batata cozida. Este garfo. Este naco de pão preto. Este pensamento inclusive... Minha avó varrendo a calçada sabe disso. Diz que não há Deus, só um olho aqui e ali que vê com clareza. Os vizinhos estão ocupados demais vendo televisão para queimá-la como bruxa.
Sinto que preciso reler esse livro, mas não de um jeito ansioso de quem sente um imediatismo quanto a releitura. preciso reler duas ou três vezes pra entender tudo e talvez nem assim entenda pois não vivi essa guerra; vivi outras, e talvez isso baste pra entender. não sei. mas de todo modo, que livro incrível! amei muito! com certeza, vai me acompanhar no fundo da mente sussurrando versos/memorias por muito tempo ainda.