»»» A compra:
Livro que comprei numa ida à BdMania em Lisboa para aproveitar os saldos da loja (assim diminuindo a minha dor de consciência pelo gasto monetário, neste caso no n.º 1 de um manga em inglês, sem edição em Portugal, por ora).
»»» A aventura:
Rozi é uma miúda que vive no Labirinto, um lugar inexplicável de ruas de estilo europeu que mantém “enclausurados” os seus habitantes por misteriosamente aparentar não ter saídas, todas as vias parecerem infinitas e porque quem chega (este volume não revela como) já não se recorda da sua vida antes do Labirinto ou de outros lugares.
No Labirinto os habitantes vão perdendo as suas características humanas com o passar dos anos podendo, por fim, vir a desaparecer.
Rozi foi acolhida por três companheiros, Mur, um rapaz que com o passar do tempo já ganhou uns pequenos cornos, Chemin, um rapaz que já tem um rabo e orelhas gato, e Kat, uma pequena e estranha boneca que tudo indica ter sido um rapaz que com o passar dos anos no Labirinto deixou de ter qualquer forma humana.
Sendo nova no Labirinto Rozi dá asas à sua curiosidade e as suas aventuras resultam de querer conhecer os locais, os habitantes e os segredos do Labirinto, felizmente sempre ajudada e ensinada pelos companheiros que a acolheram.
»»» Sentimento final:
Agradável.
Recolher estrelas de panteras da noite, estátuas de pedra cobiçosas, velhotas com cabeças enormes que conhecem algumas tradições do Labirinto, metamorfoses do Labirinto ou o mistério da torre negra e da sua rainha são aspetos que nos atraem, tal como as ruas do Labirinto e os seus habitantes, tudo envolvido em fantasia e mistério.
Todos os capítulos nos levam a uma simpática e envolvente aventura e a ternura e inocência da nossa protagonista, Rozi, faz-nos adorá-la, por essa razão considero que é uma boa leitura e tem muito a seu favor, desde logo a forma lindíssima como tudo é desenhado (exceto os olhos de Rozi, cujo desenho não suportei!).
Não posso dar melhor classificação (3*) porque é um 1.º volume que parece que nos lança no meio da história (a sensação é que perdemos algum volume anterior), porque dos companheiros da Rozi apenas Kat parece ter alguma personalidade, porque me fez passar quase todo o volume a tentar perceber se Mur e especialmente Chemin eram rapazes ou raparigas (irritante, porque é como se não conseguisse conhecer as personagens por mais que seguisse a história) e por último a forma como o desenho dos olhos de Rozi não encaixava no resto do desenho.
O conceito, a excelência dos antagonistas e dos colegas que vão surgindo, bem como os mistérios que foram deixados no ar e a qualidade do desenho em geral levam-me a querer ler mais volumes desta história.
»»» Nota final (capa e arte interior):
[capa] – A capa é bem bonita, mas é ilustrativa de parte (pouca) do que nos reserva, pois não transmite a aura de fantasia e aventura que envolvem todas as pequenas tramas do livro, e dá a entender, pelo contrário, ser uma história de amiguinhos na casa lá do bairro com gatos à mistura – nada disso, o livro dá-nos boas cenas de mistério e fantasia e personagens enigmáticas à altura.
[arte interior] – O desenho em geral é lindo, de traço clássico, mas o desenho dos olhos de Rozi, quase a roçar uma grave infeção ocular alienígena da nossa protagonista, faz com que estes olhos pareçam um corpo estranho no resto das vinhetas em que entram. Sempre que apareciam era como uma descarga elétrica ao vê-los, tal o incómodo que me causavam, porque era um estilo completamente diferente de desenho e para mim diminuiu a qualidade de todas essas vinhetas (é certo que eu devia saber ao que ia neste aspeto, porque esses olhos estão na capa, mas quando comprei menti a mim mesma dizendo que no interior do livro não ia ser tão mau…erro!)