Reedição da mais importante antologia de poesia brasileira da década de 1970, que completa 45 anos.
O ano é 1976. Em meio à censura e à repressão da ditadura, numa época batizada por Zuenir Ventura de "vazio cultural", a professora e escritora Heloisa Buarque de Hollanda publicou uma antologia que causou furor. 26 poetas hoje trazia a atmosfera coloquial e irreverente que conflagraria a década de 1970, também chamada de geração mimeógrafo ou geração marginal. Eram poetas que estavam à margem do circuito das grandes editoras e que produziam seus livros de maneira artesanal, em casa, em pequenas tiragens vendidas em centros culturais, bares e nas portas dos cinemas.
Ao reunir poetas que engrossavam o caldo da contracultura, o livro foi uma resposta direta aos anos de chumbo e se tornou um clássico da poesia brasileira, referência incontornável para escritores e leitores de poesia. Participam: Francisco Alvim, Zuca Saldanha, Antonio Carlos de Brito (Cacaso), Roberto Piva, Torquato Neto, José Carlos Capinan, Roberto Schwarz, Zulmira Ribeiro Tavares, Afonso Henriques Neto, Vera Pedrosa, Antonio Carlos Secchin, Flávio Aguiar, Ana Cristina Cesar, Geraldo Eduardo Carneiro, João Carlos Pádua, Luiz Olavo Fontes, Eudoro Augusto, Waly Sailormoon, Ricardo G. Ramos, Leomar Fróes, Isabel Câmara, Chacal, Charles, Bernardo Vilhena, Leila Miccolis e Adauto de Souza Santos.
Heloísa Teixeira, formerly known as Heloísa Buarque de Hollanda was a Brazilian writer, essayist, editor, and literary critic, whose research activity focused on the relationship between culture and development, particularly with regard to poetry, feminism, gender and ethnic relations, marginalized cultures, and digital culture.
O espetáculo começa: faço sair da cartola televisão a cores, automóveis, e imóveis no Leme a pagar em 180 prestações. Depois te serro ao meio no caixão, para salvar-te a seguir: surges inteiro e pareces tão ileso que nem dá para notar a castração. Por último me cubro – abracadabra! – e volto aos tempos de menina, tirando da vagina objetos contundentes que fizeram a minha vida e o meu hímem complacentes.
Um geração de poetas excepcional. Já sou fã da poesia "marginal" há um tanto. Valeu a leitura para reencontrar o que já conhecia e descobrir bons novos poetas dessa geração. Alguns não me empolgaram tanto ou não me conectei completamente com eles (claro que isso é completamente conectado ao meu gosto pessoal na literatura), mas a organização é ótima.
O “hoje” é a década de 1970. Interessante aprender história de uma forma diferente, através da poesia. Com os textos de apoio, realmente é possível perceber o impacto da ditadura na Arte. Angustiante também imaginar o dilema dos artistas entre responder e sobreviver. Ainda não tenho muita experiência na leitura de Antologias poéticas, então é difícil justificar a minha nota. Basicamente, acho que gostei mesmo de poucos poemas, especialmente os escritos pelas mulheres. Apesar de não concordar com críticas que não consideram menor esse tipo de poesia, ainda não é o que me agrada, me afetam mais os que imagino se pareçam com as formas “consagradas”: alguma métrica, alguma rima, pontuação mais ou menos organizada. De qualquer forma, experiência de leitura muito válida!
Nessa coletânea de poesias você consegue de fato perceber como da pra brincar com palavras. Alguns dos poetas te prendem bem mais, outros sao mais abstratos, mas ao meu ver, não cabe a ninguém julgar poesia, ja que é algo que vem totalmente de um sentimento unico e interno do individuo. Um dos poetas me pegou de jeito: Chacal. Um livro gostoso pra ir lendo aos pouquinhos