Boa noite caros senhores, boa noite caras senhoras. Permitam-me que eu me apresente. Chamo-me Demétrius e sou tão velho quanto me lembro de ser. Demétrius somente. Esqueci o resto do meu nome nas areias de um tempo muito antigo. Eu vi o Império Romano arrojar-se em sua queda e vi a sua destruição. Vi o grande imperador Carlos Magno tornar-se um senhor coroado por um manto de estrelas. Querem saber mais sobre mim? Ouçam a minha história! Eu irei lhes contar a verdadeira história da Idade Média… Coisas que só um vampiro poderia saber.
Fui contactado para escrever uma blurb sobre este livro e a verdade é que, ao passar pelas primeiras páginas, fiquei com a sensação que precisaria fazer um esforço considerável para dar uma opinião positiva ao mesmo. A honestidade é algo que não renuncio ao analisar qualquer livro e fiquei um pouco atrapalhado ao perceber que podia não ser a pessoa indicada para fazer uma análise elogiosa a esta obra. A verdade é que nunca tinha lido nada de Márcia Medeiros e A Idade Média Narrada por um Vampiro não me prendeu desde o primeiro instante.
Mas, ao passar essa sensação inicial, vi que não precisava fazer qualquer esforço para gostar deste livro. Limitei-me a deixar-me levar por ele, sem idiossincrasias nem bitolas, de forma a poder usufruir da experiência de leitura sem a comparar com outra. Em poucas páginas tinha já um sorriso no rosto e o resto da leitura foi muito fácil e descomplexada. É um livro bem pequeno e leve em todos os aspetos, que se lê muito bem sem nos deixar aborrecidos em qualquer momento.
A voz de Márcia Medeiros é um doce sem compromissos, que nos convida a fazer uma viagem leve e despretensiosa pela Idade Média, levando-nos a revisitar momentos marcantes deste período negro da História com um sorriso no rosto. Os que o conhecem, irão encontrar um sem-número de referências bem humoradas. Quem pouco ou nada sabe deste período, irá terminar o livro um pouco mais culto, ao mesmo tempo que terá uma mão cheia de motivos para gargalhar.
A Idade Média Narrada Por Um Vampiro oferece cultura e bom humor em doses iguais, pelas mãos de uma autora que em nenhum momento se preocupa com a consistência da escrita ou com o desenvolvimento das suas personagens. Preocupa-se sim em oferecer momentos divertidos ao leitor, para que ele termine o livro com a sensação de quero mais.
O livro narra a história de Demétrius, contada na primeira pessoa. Trata-se de um vampiro, cuja idade é tão antiga que não vale sequer a menção. Este vampiro foi transformado e instruído por um ser com três nomes, pois pode ser chamado tanto de Silvanus, Pratinius ou Ascarius. Ele o adverte de como um vampiro se deve comportar, tanto para se alimentar como para escapar à luz do Sol. Mas também para a demência que os vampiros tendem a sofrer, com a idade.
Demétrius percebe que foi acometido por uma espécie de loucura, característica própria da classe vampírica, e que a pouco e pouco o conduzirá à demência. A loucura deste vampiro é um dos eixos centrais da narrativa, e a que lhe confere também uma boa dose de humor. As suas viagens e o cruzamento com outras personagens, reais ou ficcionais, são momentos que fazem deste livro uma aventura repleta de diálogos todos eles bem divertidos, à medida que o vampiro vai perdendo capacidades.
As dissertações de Demétrius sobre Bento de Núrsia foram das mais agradáveis, tendo gostado também muito da “perseguição” a Átila, da referência à Peste Negra, da sua relação com o seu companheiro Aquitanius e com o velho cigano Tarim, mas principalmente do divertidíssimo porco anão Porconius, o seu animal de estimação. Ao longo das páginas, Demétrius irá perseguir um segredo muito bem escondido e a localização de uma chave, ao mesmo tempo que dá de caras com alguns dos eventos mais caóticos da História.
A Idade Média Narrada Por um Vampiro não é um livro com uma escrita rica, uma premissa realmente interessante ou um desenvolvimento de personagens sustentável, mas não me parece que fosse sequer essa a pretensão da autora. É uma história fechada, um livro pequeno, leve e divertido, que fará as delícias de todos aqueles que se querem rir um bocadinho e ficar com a alma um pouco mais leve.
Pelo título e pela sinopse, tinha tudo para ser um ótimo livro. Esperava uma espécie de guia para a sobrevivência na idade média. Ao invés disso, deparei-me com uma espécie de curso de filosofia narrado pela personagem principal. Detestei o livro. Não consegui passar da metade. Achei o sentido de humor aplicado à história um bocado forçado.
Estupidamente hilariante! Sinceramente estava à espera de outra coisa, mais histórica, com mais conteúdo, no entanto a história de Demétrius leva-nos numa corrente de gargalhadas. Um humor infantil , imaturo, mas eficaz. Bom livro para descomprimir.