Esta é uma coletânea de contos inéditos acrescida de material esparso já publicado na internet em blogs e sites ao longo dos últimos anos. Pela primeira vez o leitor brasileiro poderá apreciar em um único volume toda a criatividade e o talento narrativo de Alexandre Soares Silva, um dos maiores ficcionistas do Brasil de hoje.
Alexandre Soares Silva nasceu em São Paulo em 1968. Publicou dois livros de aventuras para adolescentes (“Na Torre do Tombo” e “A Origem dos Irmãos Coyote”) e três romances para adultos (“A Alma da Festa”, “Morte e Vida Celestina”, e “A Coisa Não-Deus”). É talvez o responsável pela onda de conservadores anglófilos com pretensões a dândi na internet brasileira, embora não saiba dar sozinho um nó decente de gravata. Escreveu vários episódios da série de televisão “O Negócio” (HBO).
Certa feita li uma “crítica”, não lembro onde (talvez na Amazon, onde as pessoas dão nota 2 para um livro porque os Correios demoraram na entrega e coisas assim), que dizia que um dos defeitos do Alexandre Soares Silva é que seus textos parecem ser escritos de si para si mesmo. Pensei: mas por que diabos isto é exatamente um defeito, se, como diz C. S. Lewis, uma das magias da literatura é tornar-me mil homens enquanto permaneço eu mesmo? Então me vem o Lord Ass com este título, como que a fazer troça do leitor antipático.
Este é o livro brasileiro mais engraçado desde A humanidade é uma gorda dançando em um banquinho ─ curiosamente, do mesmo autor. E para quem pensa que isso (fazer rir, mijar de rir) é tudo o que o Alexandre consegue, pode se surpreender com algumas histórias como “O diabo e a cura”, por exemplo, ou mesmo “Seu Alcides de dentro do lago”, que, para mim, e certamente para o Dr. Palhinha de Taubaté também, o que é mais importante, é mil vezes melhor do que romances de realismo fantástico como o aclamadíssimo Pedro Páramo, de Juan Rulfo (postei e saí correndo).
Que livro! Que livro! O Alexandre Soares Silva é o maior de todos e, qualquer um que tenha pretensões literárias, deve beijar a mão do Lord Ass ou desafiá-lo para um duelo - de modo bem pomposo, mas sem muito alarde, talvez só um pouco.
Meus destaques vão para "Tetê Macabra" (que mulher, a Tetê!), "Cada luz um pecadinho", "Dr. Palhinha" (esse Palhinha!), "A última aventura do coronel Aloysius Farquhart" (que bonito! que bonito!), "Seu Alcides de dentro do lago" (Pqp! Pqp!) e tantos outros que me vem agora a cabeça, mas que não digo porque estou um pouco cansado e é meio ruim digitar pelo telefone.
O Alexandre e o livro novo dele já têm muito elogio por aí, todos assinados por gente muito mais literariamente competente que eu. Além disso, eu meio que conheço o Alexandre há um bom tempo, já tivemos blogs num mesmo portal, e ficar dizendo o quanto ele escreve bem pode parecer mais coisa de compadre que admiração sincera. Então vou falar mal desse livro. Primeiro, tem uns contos lá que eu já tinha lido na internet. E como são muito bons, eu não os tinha esquecido. Segundo, se o Flaubert procura a mot juste, o Alexandre, aqui, parece que ficou caçando a mot surprenant, de modos que às vezes você involuntariamente cospe o que tem na boca, o que causa algum estrago na edição impressa (e pode te dar um tremendo prejuízo se você é um desses hípsteres que lê em kindle). Terceiro, tem uns contos que é como ler umas fábulas do La Fontaine, mas sem a lição de moral. Vi muita gente por aí tentando extrair liçõeszinhas dos contos, mas no fundo é só o Alexandre fazendo suas diatribes, às vezes contra uma dessas frasezinhas estúpidas com que os bem-pensantes de hoje teimam em efeitar seu tuíteres. Quarto, desgraçado, aquele conto da mãe que encontra o demo, que coisa adorável. Quinto, eu tenho certeza que ele se descabelou para escrever bem. Revisou tudo. Escreveu e reescreveu. E esse esforço nem aparece no livro; só sei porque ele se entregou num vídeo por aí. Se isso não for suficiente para te impedir de ler, então leia. Que diabos.
Engraçadíssimo e muito criativo. Tomei um susto até me acostumar com a pegada do livro. Contos fantásticos com muito bom humor e uma ironia fina, além da cultura invejável do autor, que fica clara no seu modo de descrever a realidade
É pra chorar de rir. Ouso dizer que nunca ri tanto de um só livro, quiçá de um único conto desta coletânea impecável. Como não-escritor, só consigo ficar impressionado com a magia que se extraíram de mim risadas de sequências tão inusitadas de pensamentos e palavras. Menciono também o caráter reflexivo dos contos, indistinguível dos seus personagens geniais, que nos põem a ver nessas ficções o escalonamento de lupa da realidade adoecida.
A ironia bizarra que há na maioria dos contos deixa a leitura instigante (por causa dela, por exemplo, agora não concebo outro Mário de Andrade senão o que tem as veias do pescoço saltadas e braços enrijecidos, urrando "anauê!" a plenos pulmões como se fosse o Hulk em transformação). Recomendo a todos que gostam de enredos bem escritos, engraçados e elegantes.