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O regresso de Júlia Mann a Paraty

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O regresso de Júlia Mann a Paraty são três novelas que se entrecruzam, de modo surpreendente. Através de um conhecimento profundo da vida e da obra de personagens históricas, e respeitando a veracidade dos factos, a autora desvenda o mundo interior de todas elas, vívida e credivelmente ficcionado, numa narrativa fascinante que prende o leitor da primeira à última página.

144 pages, Paperback

First published January 1, 2021

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About the author

Teolinda Gersão

47 books80 followers
TEOLINDA GERSÃO nasceu em 1940, em Coimbra. Licenciada em Filologia Germânica e Doutorada em Literatura Alemã, com a tese Alfred Döblin: indíviduo e natureza (1976), pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Foi Assistente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Professora Catedrática da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa e Leitora de Português na Universidade de Berlim.
Autora de vários trabalhos de crítica literária, recebeu duas vezes o prémio de ficção PEN Clube, atribuído ao seu livro de estreia, O Silêncio, em 1981, e ao romance O Cavalo de Sol, em 1989. Foi também galardoada com o Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores em 1995 e, na Roménia, com o Prémio de Teatro Marele do Festival de Bucareste (adaptação da obra ao teatro) com o romance A Casa da Cabeça de Cavalo. Em maio de 2003, o seu livro Histórias de Ver e Andar foi galardoado com o Grande Prémio do Conto 2002 Camilo Castelo Branco, da Associação Portuguesa de Escritores. À edição inglesa de A árvore das palavras (The Word Tree, Dedalus, 2010) foi atribuído o Prémio de Tradução 2012.
A ficção de Teolinda Gersão desenvolve, na escrita contemporânea, uma poética romanesca original, abrindo a narração, a que o respeito pelas categorias de espaço, tempo, personagens, intriga confere certa verosimilhança, a uma irradiação de sentidos que decorre de um metaforismo assumido de forma estrutural pela narrativa. Não que as personagens e as suas relações, os temas ou os seres se reduzam a um carácter alegórico: o que ressalta é que por detrás da "história" estão em conflito pulsões humanas universais, frequentemente centradas sobre a dinâmica dos opostos (homem/mulher, caos/cosmos, racionalidade/loucura, entre outros). A ilusão da transparência, obtida por uma ordem sintagmática nítida, pela simplicidade da frase, despojada de tudo o que é acessório, pela redução do número de personagens, pela simplificação da ação, confere, então, às suas narrativas o estatuto de uma escrita mítica, cujo objetivo não é a representação, mas o conhecimento. Ao mesmo tempo, cada uma das suas narrativas, desenvolvendo até à exaustão algumas metáforas centrais (o cavalo, o teclado, etc.), desfibra todo o tipo de alienação social e mental subjacente à rutura dos princípios de harmonia invisível e de unidade íntima do homem com o universo. Como a pianista (e a romancista) de Os Teclados, Teolinda Gersão, diante de um "mundo fragmentário" e "indiferente", onde "as pessoas não formavam comunidades e só havia valores de troca", um "mundo vazio", persiste em tentar desvendar enigmas, como se a escrita e a exigência de rigor fossem "a transcendência que restava": "Aceitar o nada, o mundo vazio. E apesar disso, pensou levantando-se e sentando-se no banco - apesar disso sentar-se e tocar."

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37 (30%)
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7 (5%)
1 star
1 (<1%)
Displaying 1 - 14 of 14 reviews
Profile Image for Nelson Zagalo.
Author 15 books466 followers
December 25, 2021
Foi o primeiro livro que li de Teolinda Gersão e fiquei imensamente agradado pela competência da sua escrita. Elaborada, descritiva mas imaginativa. Quanto a este livro em concreto, não é um livro, mas um conto que foi expandido por via de duas cartas que o precedem e ajudam a introduzir e caracterizar o universo do conto. Quanto ao conto, é belo, apesar da sua tendência excessivamente descritiva, os laivos de realismo mágico elevam o historicismo biográfico a novela e criam uma experiência que termina com intensidade psicológica.

Sobre as duas cartas, uma de Freud a Thomas Mann, e outra de Thomas Mann a Freud, servindo de introdução, servem para dar conta da psicologia do escritor Thomas Mann. Podendo parecer exageradamente despudoradas, senti-as como fidedignas e diretas, muito graças ao facto de ter lido há poucos meses "The Magician" (2021) de Colm Tóibín. Na verdade, estas cartas serviram para confirmar aquilo que Tóibín apenas se atreve a sugerir ao longo da densa biografia novelizada. Por muito duras que nos pareçam as palavras criadas por Teolinda Gersão para colocar na boca de Freud e Mann, elas soam a verdade, dando conta de uma pessoa que pelas suas gigantescas conquistas preferimos manter indefinida e ambígua como de certa forma Tóibín fez.

Aliás, repare-se como um livro que era suposto ser sobre Júlia Mann, acaba sendo sobre a mãe de Thomas Mann, interessando mais perceber a psicologia de Thomas, e só depois então recuar para compreender de onde ela poderia ter originado, a sua mãe. É uma estratégia, mas é uma estratégia profundamente conservadora que vai contra o progressismo que Gersão procura dar conta sobre Júlia e a crítica que faz a toda aquela sociedade feita de regras germanicamente superiores e absurdas.

Neste sentido, cheguei ao fim com um desejo de muito mais. Gostava que Teolinda Gersão tivesse não só mergulhado como fez na vida de todas estas pessoas, e apurado a historicidade de forma tão cabal como fez, mas que nos tivesse levado ao longo de uma viagem completa na companhia de Júlia, dando mais conta do seu viver e menos preocupada com o seu descrever.

Publicado no VI:
https://virtual-illusion.blogspot.com...
Profile Image for diario_de_um_leitor_pjv .
787 reviews145 followers
April 30, 2022
O regresso de Julia Mann a Paraty” de Teolinda Gersão, Porto Editora, Porto, 2021

Algures próximo de uma conversa entre Sigmund Freud, Thomas Mann e a mãe deste último, Julia Mann, este livro corresponde formalmente a 3 novelas que se interligam entre si. Nos dois primeiros textos Sigmund Freud e Thomas Mann “recordam “ as relações entre si num registo que não deixa escapar as invejas sentidas por ambos. Teolinda Gersão num estilo limpo e belo leva-nos a questionar a importância das obras de Freud e Mann e nos acompanha com alguma ironia na problematização destas duas personalidades
3 reviews
August 9, 2023
Um livro que me surpreendeu pela sua narrativa profunda, ficcional entre Thomas Mann e Freud. Escrita fluente , cativante e culta. A parte menos conseguida, para mim, foi sobre a mãe de Thomas Mann, algo errática.
Profile Image for Lightwhisper.
1,246 reviews3 followers
March 11, 2022
Um livro muito bem pensado e executado, embora a temática e os seus protagonistas não seja algo que me entusiasma, na minha opinião, é um livro bom para se ler em qualquer altura.
Profile Image for Colin.
1,693 reviews1 follower
December 5, 2021
Este livro tem bom aspecto e estava muito ansiso por ler mas afinal achei-o um pouco aborrecido. Custou-me muito concentrar-me. Encontrei-me muitas vezes a meio de um parágrafo, a pensar “Como é que cheguei por cá? O que é que aconteceu? Não tenho memória nenhuma das últimas 5 páginas.
Provavelmente é culpa minha. Falta-me educação. Sou bárbaro.
Profile Image for Ana Almeida.
31 reviews
July 9, 2025
"Acreditar no diabo, por exemplo, era superstição, mas na lenda do diabo e da igreja de Maria já não era, porque só os povos inferiores e atrasados tinham medo do diabo, e eles não"
Profile Image for James McGuire.
47 reviews2 followers
April 29, 2022
Sem saber muito sobre o Thomas Mann em fora do seu livro, A Morte em Veneza, li esta obra sem expectativas. Mas, foi uma surpresa agradável. Deu a sensação da época; das preconceitos contra pessoas judaicas, mestiços, homossexuais, e mulheres; de casamento, guerra e escravatura; de mentalidade dos alemães, dos homens em geral.
É fácil relacionarmo-nos com os problemas que ainda enfrentamos na nossa era.
Profile Image for Marta.
93 reviews2 followers
December 11, 2025
I would give it four stars because of the first two thirds of the book, Thomas Mann and Freud parts are interesting, but the last part about Julia Mann seems kind of out of the blue regarding the first two parts, and kind of under done. If the pont was explaining how Thomas Mann grew up, it wasn't highlighted enough. If Julia was to be in the focus, it is lost after reading first two parts. I think life of Julia could be separate novel.
Profile Image for Andreia Rodrigues.
121 reviews7 followers
March 27, 2024
Gostei muito da escrita da Teolinda embora me tenha desiludido um pouco a obra em si, esperava outra abordagem sobre a historia de Julia Mann que não foi a que obtive
Ainda assim tenho curiosidade sobre outras obras da escritora
Profile Image for Ana Catarina.
103 reviews2 followers
August 2, 2021
Apesar do último conto, em certa medida, ser muito melhor, não faz deste um livro bom.
Confesso que fiquei intrigada pelo conceito, queria ouvir Freud e Mann, aprender mais sobre eles sob a perspetiva de cada um. Mas descobri pouco. A escrita é crua, quase juvenil (possivelmente para ser mais acessível). As ideias e as frases, faltando-lhes intensidade, procuram enfatizar-se pela repetição - a meu ver, com pouco sucesso. Acima de tudo, os retratos de Freud e Mann não são credíveis. Há mais termos psicanalíticos na reflexão de Mann do que na de Freud. Mann fala da sua pulsão homossexual, como se alguém falasse assim da sua homossexualidade, terminando com uma ode ao amor em todas as suas formas (algo que me parece inacreditável, em alguém que "recalcou" a sua homossexualidade e por causa disso terá sido infeliz).
Não sei bem, mas incomodou-me a tentativa de fazer de Mann tão ambivalente quanto ao anti-semitismo... talvez fosse, talvez não, mas os momentos tão descaradamente racistas em que descreve a sua mulher pareceram-me quase insultuosos (mas talvez esse seja um dos méritos das novelas). E Freud ser supostamente mesquinho, o retrato da psicanálise como uma arma de poder sobre o outro, o ciúme e a inveja que o terão motivado a romper com Jung - nenhum desses temas se pode ter por explorado, são mais denunciados, como letras garrafais num jornal, gritadas apenas. Como de resto o anit-semitismo ou cobardia de Mann. Não gosto da ideia de desdenhar pessoas que já morreram e cujas circunstâncias da vida não confio terem sido investigadas com pormenor que o permita.

Como disse, o terceiro conto é melhor. A escrita é mais credível, mais poética, as dores e o arrependimento de Júlia, a descoberta do seu falhanço como mãe é analisado e quade aceite. Acima de tudo, a terceira voz fica melhor a Teolinda, que a mim me soou sempre mal a escrever enquato Freud ou Mann. Mas achei a escrita preguiçosa, as frases e pensamentos espaçados por parágrafos em vez de articulados em narrativa. Não é claro como se faz o regresso, se ela é arrastada pelo mar em sonho, suicídio, fantasia, viagem... nem isso é importante, mas o regresso é apressado. A narrativa prossegue e corretamente ao longo da vida de Júlia - do suicídio de uma das filhas e descoberta de dependencia de morfina da outra ao regresso à infância houve um passo que não compreendi. Talvez nesse sentido fosse mais interessante começar do fim da vida e regressar por fim, o que também seria adequado pelas suas parecenças a uma divagação. Mas difícil, reconhecidamente.

A ideia do romance é interessante; é feita, ainda que tenuamente, uma ligação entre eventos reais e os livros de Thomas Mann, o que para mim é uma virtude; apreende-se algo das relações familiares da família mas não é o formato certo para o fazer - os Mann mereciam o seu próprio Os Budenbrooks, não isto. Acima de tudo, apesar do terceiro conto ser o melhor, é também uma causa de incoesão, por fazer ainda mais incompreensível a presença de Freud, sempre algo incómoda.
421 reviews14 followers
July 28, 2023
Por conhecer apenas superficialmente as obras e as biografias de Freud e de Thomas Mann, não estou habilitado para julgar a “autenticidade” deste romance. Nem por isso, posso deixar de dizer que a ideia é genial e que é brilhantemente concretizada. Um dos livros que mais gostei de ler este ano.
Profile Image for Gonçalo Ferreira.
287 reviews11 followers
January 3, 2025
Grande Prémio de Literatura DST 2021

Por trás do título aparentemente solar deste novo livro de Teolinda Gersão está uma dissecação primorosa das sombras totalitárias - sejam as do pensamento dominante, da arrogância autoral, da ideologia fascista, do preconceito colonialista, da máquina da guerra, da tirania familiar sobre mulheres e filhas e mães, da avaliação (branca) da cor da pele (mestiça, escura, indígena) e até as do primado da razão sobre as emoções.
Sílvia Souto Cunha, Visão

FNAC TALKS | Pedro Mexia e Teolinda Gersão (sobre "O regresso de Júlia Mann a Paraty")
(https://www.youtube.com/watch?v=nj-M1...)
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