Reconhecido como um dos clássicos brasileiros do século XX, Erico Verissimo estreou na literatura em 1932 com o volume de contos Fantoches. Décadas depois, fez apontamentos manuscritos e ilustrações para a edição comemorativa do quadragésimo aniversário da publicação do livro. Neles, o escritor consagrado observa as narrativas do jovem principiante com olhar exigente, mas também com humor.
Na primeira parte estão os fac-símiles das páginas de Fantoches anotadas por Erico. Escritos em forma de pequenas peças de teatro, os contos do jovem estreante já revelavam as qualidades que seriam desenvolvidas na maturidade. Quanto aos defeitos do principiante, o próprio Erico se encarrega de apontá-los e comentá-los.
Depois de Fantoches, Erico só praticou o conto esporadicamente - e com maior domínio de suas técnicas. As seis narrativas breves incluídas na segunda parte deste livro revelam o engenho do criador de mundos e contador de histórias.
Erico Verissimo (December 17, 1905 - November 28, 1975) is an important Brazilian writer, who was born in Rio Grande do Sul. His father, Sebastião Veríssimo da Fonseca, heir of a rich family in Cruz Alta, Rio Grande do Sul, met financial ruin during his son's youth. Veríssimo worked in a pharmacy before obtaining a job at Editora Globo, a book publisher, where he translated and released works of writers like Aldous Huxley. During the Second World War, he went to the United States. This period of his life was recorded in some of his books, including: Gato Preto em Campo de Neve ("Black Cat in a Snow Field"), A Volta do Gato Preto ("The Return of the Black Cat"), and História da Literatura Brasileira ("History of Brazilian Literature"), which contains some of his lectures at UCLA. His epic O Tempo e o Vento ("The Time and the Wind'") became one of the great masterpieces of the Brazilian novel, alongside Os Sertões by Euclides da Cunha, and Grande Sertão: Veredas by Guimarães Rosa. Four of Veríssimo's works, Time and the Wind, Night, Mexico, and His Excellency, the Ambassador, were translated into the English language by Linton Lomas Barrett. He was the father of another famous writer of Rio Grande do Sul, Luis Fernando Veríssimo.
O Erico Verissimo publicou em 1932 o primeiro livro, esse volume de contos "Fantoches", e quando o livro fez 40 anos de publicação a Editora Globo convidou ele pra lançar uma edição comemorativa. Então o livro é cheio de apontamentos, piadocas e ilustrações todas manuscritas nas margens das páginas. Além de o Verissimo desenhar muito bem, os comentários são muito engraçados, e o diálogo entre os dois Éricos (o amador e o veterano) é uma baita aula em escrita literária.
This edition of Fantoches, originally from 1932, was re-issued and commented by the author in 1972---after the author had written all of his works, in his late years in life. By commented, I mean annotated, drafted, drawn, illustrated, criticized, ironized, and destroyed. This experience of reading two strikingly different versions of Érico Veríssimo fighting with each other could already warrant the 5-star review. But what truly solidifies this book to me is the wild presence of metafiction (or meta-drama?) that anticipate's Erico's worries about the literary production.
Many of the stories are small pieces of drama, owning to dramaturgy such as Ibsen and Bernard Shaw that Erico admits to have read prior to writing Fantoches. Many of the characters in these "small plays" become self-aware. In a story, where the woman, her husband, and her lover are supposed to reach a dramatic ending, the characters revolt against the author and call him to the stage to change the ending---thematically, "creatures vs creator" is not present in the remainder of Erico's work, perhaps as the author lets go of the idea that he as a writer truly creates characters but rather lends them a voice. Critics and the audience are also characters, as is this "author" himself. This to me complicates the idea of whether Fantoches classifies as auto fiction or metafiction, in a way that B.S. Johnson's novel Albert Angelo (published 30 years after Fantoches) has made me do it. In some stories, the author admits to have used different names to publish say poems or dramas---a few names that Erico himself has used in Revista Globo. Adding that to the fact that Erico from Fantoches is a different Erico of the later novels he wrote, I began to think of Erico as, similar to Fernando Pessoa, a writer capable of creating heteronyms, multiple literary personalities.
Fantoches was Erico's first work, but it definitely should not be read chronologically. It is a book, especially on its commented version, that takes on a much broader significance after the reader is familiar with the author's work. In several points we see themes that would become more important later on, and even references by the annotator to other novels. In a commentary, for example, the 1972 annotator Erico "classifies" his own literary work as female, male, and hermaphrodit works---something that could only make sense if the reader has knowledge of works from those three groups. Essential works, in my view, to be read before Fantoches are Clarissa, Caminhos Cruzados, O Tempo e O Vento, and Incidente em Antares. The first two, as some of Erico's first novels, will strike the reader as to just how important the shift from "puppets" to "people" was, and how the authors political vision was present in them in contrast to Fantoches. After reading Fantoches, those novels take on a different interpretation.
Finally, the "other stories" included in this edition are a joy to read. I don't think they are what makes this book essential to a Verissimo reader, but definitely don't skip them. Maybe there is even a broader argument to be made about how this third Erico (the late-life contista) talks to the author of Fantoches and the annotator of Fantoches, but I will leave that for another time.
O dito popular é muito real pra essa coleção de contos de Verissimo. Na prática são quase 3 livros em um só, Os Fantoches como foi escrito originalmente, a releitura e anotações de Verissimo décadas depois, e mais alguns contos avulsos.
Sobre Fantoches, me encantei pelo estilo do autor que brinca com teatro e prosa, e já da pra ver pinceladas de temas que depois apareceriam nas obras do autor. Muito do “realismo mágico” (por falta de termo) que atribuímos apenas a Incidente em Antares já estava presente nesses primeiros contos. As anotações e caricaturas de Verissimo mostram o humor e sarcasmo do autor, é uma leitura muito divertida. E é onde se encaixa o ditado popular, a evolução na escrita dele é comentada por ele mesmo, fascinante. Os contos extras são fantásticos, a relação com a música e temas como família, o trunfo do autor brilha, principalmente em As mãos de meu filho.
A obra de um escritor é uma construção, um processo. Ao longo do tempo, a técnica evolui, a temática se define, o estilo se consolida. Mas desde os primeiros escritos é possível identificar as qualidades de um grande escritor. E Érico Veríssimo presenteia a Literatura com a resenha de suas primeiras publicações, com comentários maduros e ao mesmo tempo cômicos. A obra de um artista não se resume aos seus trabalhos mais conhecidos, mas vai da primeira letra ao último ponto. O Érico Veríssimo de “Os Fantoches” é um presente aos fãs, pois demonstra a versatilidade do autor de “fantasias” ao apresentar traços de Luigi Pirandello, John Steinbeck, Augusto Meyer, e parecenças com a posterior obra de José Saramago.
sse livro parece um estranho no ninho na minha estante de leituras aos 17/18 anos, porque foi o meu primeiro Erico Verissimo, mas, como sabemos, o Erico não se destacava pelos contos, mas sim pelos romances. Não lembro do que achei sobre os contos dele nessa época, mas, recentemente, li um conto dele em uma antologia de literatura brasileira e achei que era um dos melhores do livro, então bem pode ser que, embora não fosse contista contumaz, ele também tenha escrito coisas muito boas. É preciso reler.